Mono trilho?

A Folha traz matéria sobre os mais de dez dias parados da linha do monotrilho do metrô de São Paulo. Uma tristeza. Só há o que se lamentar.

Lamento por nós, lamento pelos usuários diretos e lamento, muito, pelos colegas envolvidos nesta aventura, nesta barca furada, neste ‘trem’ parado.

Lamento, mas não por esta falha.
Isto, no universo tecnológico, acontece.

Afinal, quando você é um dos únicos (único?) no mundo a usar uma tecnologia que não foi desenvolvida para o uso que você quer dar a ela, você assume, voluntariamente, este tipo de risco. Faz parte do pacote você ser a cobaia.

Mesmo quando está claro que (exagerando um pouco?) você está colocando um ‘people mover’ de estacionamento de shopping e parque de diversões para fazer o papel de um modal de média alta capacidade…

Mesmo quando você faz no alto o que poderia ser feito no chão por um preço muito menor…

Afinal, ser cobaia não é mal. Alguém tem que ser, não é mesmo?
Além do quê, há sempre o risco de dar certo.

Lamento, mesmo, é por estarmos, e estarem, no meio desta tempestade que foi armada por motivações políticas e não técnicas.
E não, não me refiro a motivações políticas públicas de mobilidade.

Tomara que descubram e superem logo o defeito.

Valter Caldana

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Trecho da matéria da Folha.
“É provavelmente parte dessa peça que acabou caindo da via e parando na avenida próxima do local onde ocorreu o estouro, no trecho novo da Linha 15-Prata. O fato de o Metrô cobrar também o consórcio CEML, que é formado pelas construtoras OAS e Queiróz Galvão, além da Bombardier, joga suspeitas sobre as vigas-trilho, onde os trens circulam apoiados por dois conjuntos de pneus de carga.”
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