Construir o futuro implica conhecer o passado

Da série Recordar é Viver…

A questão é: depois que o Tancredo deixou o Montoro (e o Brizola…) falando sozinho no palanque da diretas, foi ao inferno e em lá estando abraçou o capeta (ou seja, negociou a transição com os militares e a ARENA, trouxe Sarney para o campo democrático e montou um frágil porém eficiente esquema militar), a Nova República, já há algum tempo sabemos, nasceu velha.

Havia outro caminho? Não sei, e não creio.

Na época me mantive fiel às diretas e ao Montoro, um grande estadista que soube como ninguém que aquele não era seu caminho e não mais o seu momento, mas aplaudi e chorei de emoção e felicidade com a vitória de Tancredo no Colégio Eleitoral.

E de tristeza quando ele morreu, levando consigo a possibilidade de compreensão, gestão e sustentação daquele castelo de cartas que ele havia montado.

A pergunta que se faz é…
Será que não é chegada a hora de, finalmente, reorganizar o sistema político e rever o pacto montado pós-ditadura? Afinal, já lá se vão 30 anos!

Punir corruptos que vêm se aproveitando das fragilidades institucionais brasileiras neste período é um excelente começo. Punir exemplarmente corruptos contumazes é melhor ainda…

Mas discutir abertamente as mazelas e expor as chagas para não errar novamente e construir o futuro, não tem preço.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , , | Leave a comment

Estação Mackenzie Higienópolis

Depois de longos anos, 45 especificamente, a Cia do Metrô passa a uma nova fase na operação de suas estações, sobretudo aquelas que são vizinhas de grandes equipamentos de uso público ou coletivo, como é o caso de uma Universidade.

Assim, a estação Higienópolis Mackenzie da Linha 4 – Amarela do metrô terá uma interligação com o Campus da Universidade Mackenzie, que por sua vez ali construirá um novo edifício, mackenzie Século XXI, e uma praça cultural, com bibloteca, café, livraria, galeria de arte e auditórios, do qual sou um dos autores do projeto.

Veja aqui a notícia completa.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , , | Leave a comment

ENADE, medindo o quê, para quem e a que custo?

Amanhã acontece o ENADE dos cursos de Arquitetura e Urbanismo no Brasil.

É provavelmente o sistema de avaliação do ensino superior mais equivocado que existe, desde o início, quando ainda se chamava provão.

Muito mais produtivo seria usar todo o dinheiro investido fazendo por exemplo avaliações in loco das condições de ensino e tornando o TFG um sistema nacional, com avaliadores externos e credenciados pelo MEC, como chegou a propor a ABEA no final dos anos 1980 e nos anos 1990.

Mas, seja como for, mais do que uma competição entre escolas, este é o sistema oficial e deve ser respeitado, pois tem grande repercussão social.

Por este motivo, o bom desempenho dos estudantes de Arquitetura e Urbanismo amanhã será vital para o fortalecimento das relações de confiança e aceitação da profissão pela sociedade.

Este bom desempenho marcará a qualificação da profissão diante dos enormes desafios que o Brasil enfrentará nos próximos anos.

E, só assim, poderemos manter de pé o objetivo maior de produzir uma

ARQUITETURA PARA TODOS, CONSTRUINDO CIDADANIA…
BOA PROVA A TODOS, De norte a sul do Brasil.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , , | Leave a comment

O pior cego é o que não quer ver?

follow the money
………………………..
Será que depois de tantas décadas tentando combater a corrupção pela via dos corrompidos (e dar com os burros n’água pois a corrupção continua) vamos mudar a metodologia e vamos combater a corrupção pela via dos corruptores?

Mas aí fica a pergunta: estamos preparados para saber quem mais e desde quando estes corruptores corromperam ou queremos que eles só tenham corrompido os corruptos específicos?

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , | Leave a comment

Constituinte Já – VI

“Constituinte é algo que se convoca após algum tipo de ruptura, para reorganizar uma nova institucionalidade. A medida nunca serve para deflagrar algum tipo de transformação.” Maringoni Gilberto

O ex candidato ao governo de São Paulo Gilberto Maringoni se posicionou contra a convocação de uma Constituinte, mesmo que só para a Reforma Política. Desde antes da campanha tenho seguido com muita atenção suas colocações e posições.

Mas, neste caso, me pergunto: o colapso da organização política, do sistema representativo e da organização do Estado, estando os (três) poderes incapazes de amealhar legitimidade para reverter a situação com espírito público, sem partidarizar ou privilegiar interesses de grupos, não se configura, em si, numa ruptura e na necessidade de reorganização institucional?

O Estado está privatizado e corrompido, por isso a sensação generalizada no seio da sociedade de que o mesmo se tornou um balcão de negócios (privatizado) e, pior, negócios sujos (corrompido).

A dificuldade de discernir entre o que seja legal, legítimo, ético e moral é prova disso. A vilanização de grupos ou pessoas em detrimento da percepção de que os problemas são sistêmicos e estruturais e não apenas desvios de conduta localizados é sintoma grave.

Chamar um Assembléia Nacional Constituinte exclusiva e independente é, portanto, assumir que a ruptura já se deu. E que, então, está na hora de chamar o Povo, e não a polícia.

Afinal, todo poder emana do Povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da própria Constituição.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , | Leave a comment