Eu sou pobre ou você é caro?

Apesar da discussão no Brasil ser, de modo geral, tosca e binária, normalmente sem foco, existe uma discussão basilar, tosca e binária que não é feita. Nem implicitamente, muito menos explicitamente, que é o poder de compra da riqueza nacional. Não a individual, mas a coletiva.¹

Explico. Nunca discutimos, sequer superficialmente, se somos uma sociedade incapaz de gerar e produzir riqueza suficiente para comprar nosso bem estar, ou se o preço que nos cobram pelo nosso bem estar é que é alto demais, colocando parcelas significativas da sociedade e da população fora da encomenda.

Diagnosticar e definir isso é o início de qualquer posicionamento ideológico e político, assim como é elementar para o projeto de qualquer política pública consequente e efetiva.

Por exemplo, em geral, salvo em pequenos hiatos à direita e à esquerda (GV, JK, Jango, Geisel, Lula) , nossos governantes tentam nos convencer que somos uma sociedade pobre, paupérrima, que não consegue arcar com o custo do bem estar coletivo.

Vide agora, cortes na previdência, nos direitos trabalhistas, na educação, na pesquisa e desenvolvimento, na saúde, na infra-estrutura… A alegação, aceita pela sociedade, é a de que não há como pagar. Então corta.

Mas, e se o problema for o preço que estão nos cobrando, a conta que estão enviando, e não a nossa capacidade de pagar? E se o problema não for na ida, for na vinda…

Isto, será, não daria uma dica sobre o que deveria estar sendo discutido nas reformas profundas que precisamos e nas prioridades que assumimos, ao invés deste caminhar solene, silencioso e circunspecto, quase bovino, rumo aos cortes orçamentários?

Valter Caldana

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¹ Para os colegiais, Leo Huberman… Para os marmanjos saudosistas, Adam Smith e Hobsbawn. Para os curiosos, Carlos Guilherme Mota, Celso Furtado e Raimundo Faoro (e Florestan).
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Hard Rock Urbanism

ou a eterna dificuldade de focar no foco

São Paulo vai ganhar um Hard Rock Hotel em um prédio antigo na avenida Paulista, que será completamente ‘refeito’.

É impressionante como o ‘ponto’ e a terra em vastas regiões de São Paulo já estão valendo muito mais do que edifícios até bem pouco tempo considerados intocáveis por seu valor.

Isto significa, na visão de alguns, numa análise que considero superficial, uma demonstração de intensa atividade da especulação imobiliária. Eu prefiro considerar uma demonstração, apesar de, de vitalidade da cidade e do que lhe resta de seu histórico vigor.

São Paulo, no fundo, continua querendo, desejando, ansiando por movimento, crescimento, agitação, oportunidades. Quero acreditar.

Este é um dos motivos pelos quais considero imperdoável a Lei de Retrofit não ter sido formulada, votada e implementada nestes últimos quatro anos.

Ao invés de usar sua legítima capacidade de pressão e se aliar a outros segmentos mobilizados em torno da questão urbana, uma parte importante dos agentes produtores da cidade concentrou esforços equivocadamente numa tentativa vã de reduzir o valor da outorga e perigosa de modificar o PDE e o zoneamento antes da hora.

Com isso, se isolaram mais uma vez diante dos demais agentes produtores da cidade e perderam a chance de avançar fortemente na ampliação de novas alianças e das oportunidades de negócio com criatividade, consistência e agilidade, como pede o capitalismo contemporâneo.

Conseguiram não ganhar a redução da outorga, não temos retrofit, não temos a agilização da agilização dos processos de aprovação, não temos a regulamentação das cotas, em especial a ambiental e a de solidariedade, não temos os planos regionais e não temos a possibilidade de planos de bairro e projetos locais.

Mas, nem foi tudo em vão. Conseguiram que os PIUs sejam usados de forma equivocada do ponto de vista de sua efetividade urbanística e conseguiram mergulhar a cidade numa profunda insegurança jurídica no que diz respeito ao marco regulatório, que é o que se verá com a discussão do zoneamento em ano eleitoral, perpetuando, na base, um tipo de política que o Brasil tem suado sangue para eliminar de seu cotidiano.

A janela de oportunidade para São Paulo, município e região metropolitana, se preparar para os desafios do século XXI, que chegaram aqui a nos pressionar no final do século passado, está se fechando. E os responsáveis pela correlação hegemônica de forças na gestão da cidade se recusam a ver o que está diante dos seus olhos e sob a sola de seus sapatos. Brilhantes.

A superação de metodologias de ação baseadas no apagão urbanístico e no histórico extrativismo urbano é urgente.

Ah! Antes que eu me esqueça e seja mal compreendido, acho que temos que saudar vivamente este empreendimento, assim como o empreendimento do francês no hospital dos italianos, assim como os esforços do pequeno poupador que continua tentando e, afinal, sempre foi o principal construtor desta cidade, assim como as mobilizações cidadãs espalhadas por toda a cidade, intervindo no espaço urbano e tentando construir, às vezes quixotescamente, qualidade de vida coletiva.

Temos que saldar qualquer ação ou investimento, seja oriundo do pequeno, médio ou grande capital, ou da mobilização de segmentos da sociedade que nos tragam um pouco do frescor da brisa dos tempos atuais.

Valter Caldana

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Vai aí?

Vai um parlamentarismozinho aí, enquanto é tempo?

Valter Caldana

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Bandeira 3

A prefeitura de São Paulo mais parece um polvo… são muitas mãos e braços para poder dar uma no cravo, uma na ferradura, uma na bigorna e outra na canela!

Não consegue colocar a cobrança automática via cartão no SP Taxi, não consegue colocar o pagamento de todo tipo de transporte através do bilhete único e sequer consegue transformar o bilhete único em único. Não tem força para unificar tarifas e para implantar o blilhete diário, semanal e mensal.

Mas reinventa a bandeira 3 num momento em que praticamente ninguém mais usa o taxímetro… vai entender.

Valter Caldana

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Quem pariu Mateus…

Cheguei à conclusão de que a América Latina é, definitivamente, problema da Europa e dos EUA.
Eles que se virem com o que virá.

Valter Caldana

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