E as ruas?

O mundo, nos último 250 anos, desde o final do século XVIII, assistiu a uma enorme evolução da moradia, das formas de habitar.

No entanto, estranhamente, as ruas são praticamente as mesmas. Mesma morfologia, mesmo programa, mesma bidimensionalidade… Mudaram muito pouco neste período. Quase nada. São quase sempre o resto, o que sobrou do parcelamento.

Mas, e neste século XXI, o século das cidades, o século onde deixamos o aconchego ou, no mínimo, a tentativa de abrigo da unidade para encarar os desafios da conectividade plena e do compartilhamento, que será de nossas ruas? Quais serão as nossas ruas?

Valter Caldana

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Pobre cidade cara

Você sabe por que você tem a impressão de que São Paulo é uma cidade densa mas na verdade ela não é? Em boa parte por que em geral os prédios mais altos têm poucos apartamentos.
Uma cidade menos densa é uma cidade mais cara. Sabe quem paga a conta? Nós.
Sabe por que a cidade é pouco densa? Em boa medida em função da Lei de Zoneamento de 1972, revisada em 2016 e que está sendo revisada novamente por estes dias.
Isto vai mudar? A cidade vai ficar mais barata? Pelo menos menos cara?
O que você acha?

Valter Caldana

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Circular é preciso…

BOA NOTÍCIA?

A Folha anuncia hoje que o SECOVI sugere ao prefeito um projeto feito por Jayme Lerner para a implantação de um circular no centro de São Paulo. (leia aqui)

Quero ser um menino otimista e acreditar que meus intensos reclamos serão atendidos e que será (re) implantado o circular no centro!!! Oba!!!

É verdade que teve que vir um urbanista de fora para falar o que falamos há tempos, mas não tem importância nenhuma. O importante é colocarem logo o circular, non stop, não poluente, silencioso, tarifa zero e de preferência, aberto. (menino otimista e mimado)

Que se retirem também, simultaneamente, todos os terminais da área central, devolvendo as áreas públicas verdes, de estar e de lazer para a população.

Num primeiro momento o movimento das linhas pode ser deslocado para o Parque D.Pedro, que seria o último a ser desativado. Depois elas podem ser paulatinamente redesenhadas e o Pq. D. Pedro refeito.

Mas para a felicidade ser completa, que se cuide dos estacionamentos e se derrube o minhocão. E que se preveja a intermodalidade, com pontos de tangência entre os percursos, único modo os sistema funcionar em São Paulo.

Só que se nada disto estiver previsto na licitação que vai sair (como já não estava na do governo anterior, a que foi cancelada ), esta ideia vai ser apenas o trenzinho da Coca-Cola que de quando em quando fazia a farra da molecada lá na Vila Tibério em Ribeirão…

Valter Caldana

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E se?

E se, ao sair da cadeia,
Lula for candidato em 2022?

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Cultura e ECONOMI cidade

Saskia Sassen, uma das mais brilhantes pensadoras sobre as cidades e sobre urbanismo em atuação fez uma conferência na Fundação Tide Setúbal a que não estive presente, uma pena, mas que podemos assistir no link ao lado. (assista a conferência)

Uma das coisa que mais aprecio nas leituras e nas palestras de Saskia Sassen é a clareza. E das coisas que me deixa feliz é perceber o quanto a obra de Milton Santos, nosso grande mestre, está presente no seu pensamento.
Se ela leu não sei. Mas intuiu e avançou.*

Hoje tenho claro que a solução, mais, a sobrevivência de todo o sistema de controle do planeta pela humanidade passa por esta encontrar seu próprio ponto de equilíbrio interno, eliminando as absurdas diferenças entre as pessoas e o acesso aos benefícios do próprio sistema, para apenas depois ela conseguir encontrar o seu equilíbrio com o meio. Pode ser tarde? Sim, pode ser tarde. Mas é o risco da existência.

Como um descentralizador e municipalista** das antigas, acredito que isto só se alcançará com descentralização do poder e com a valorização material e não apenas simbólica dos aspectos locais de todo o sistema.

É preciso dotar as cidades e dentro delas as comunidades – definidas por afinidades territoriais ou por critérios de interesses solidários e complementares – de capacidade plena de decisão, gestão e produção. De consumo, importação e exportação.

No nível local as redes produtivas e solidárias se fundem e se dão de modo mais rápido, mais simples e mais ágeis. Mas, acima de tudo, dada a escala, se dão de forma mais humana, posto que estão na escala humana. Assim, reconhecendo seu valor e sua importância estratégica e vital para o sistema no seu todo, o consolida e fortifica. A imagem melhor seria de uma corrente cujos elos são feitos de cordas, espessas cordas, e não de ferro ou aço.

No entanto, voltando a Saskia Sassen, me preocupa um certo tom isolacionista que o seu pensamento tem trazido. Não adianta, de nada adianta, a valorização das questões locais se as mesmas não tiverem sempre uma dimensão universal.

Não se trata, a meu ver, de formar pessoas para trabalhar e resolver as questões locais. Se trata de formar pessoas, empresas, serviços, capacitada a resolver questões locais, com recursos locais, mas conhecimento universal.

É a capacitação local com conhecimento, reconhecimento e respeito pela rede, pela diversidade, em todos os sentidos, e com pleno usufruto da mobilidade, em todos os meios, que esta propicia que fará a nova configuração e construirá a nova eficiência do sistema. Do contrário, retornamos às cavernas, simbólicas cavernas.

Mas aí, na compreensão da universalidade como força motriz da cultura local, acho que entra mais Graciliano Ramos que Milton Santos.

Valter Caldana
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* É interessante notar como muitas vezes um autor pode estar presente na obra de outro sem que o mesmo sequer saiba.
** Municipalista não Quercista, risos.

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