Irmãos siameses

Só para lembrar…
Zoneamento e congestionamento são irmãos siameses.

O que resolve o problema de trânsito – sobretudo o congestionado, este que te irrita tanto e te custa tão caro por dia, por semana, por mês, por ano, por uma vida! – é uma política adequada de uso do solo, que determina a quantidade de viagens – e não o sistema de transporte público, como se costuma acreditar.

No desenvolvimento do projeto de Lei de Zoneamento (parcelamento, USO e ocupação do solo) o Executivo acabou recuando na proposta de limitação de vagas de estacionamento por pressão do …..

(quem pensou no vilão de sempre, o mercado imobiliário, … errou!) por pressão do próprio Executivo, neste caso da CET, que exigiu a volta do número mínimo – e gratuito em termos de metros² – de vagas para usos não residenciais.
Retrocesso antes do avanço?
Eu quero o avanço!

Valter Caldana

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Vem prá rua, São Paulo!

Qual a dificuldade de entender que esta cena da foto pode acontecer em qualquer rua de São Paulo que seja fechada nos finais de semana?

E por que não acontece?

Aliás, desde 2013 costumo dizer que a Paulista deveria ser fechada aos domingos, assim como um sem número de outras ruas da cidade que contam com equipamentos culturais de qualidade, no centro e na periferia…

Prefeito Haddad, que tal algo como uma campanha “Vem prá rua São Paulo!“, uma mini virada cultural diurna e semanal…

Fora isso, fazer “footing” linear e comer no asfalto do minhocão continua lembrando, para mim, a graça de tomar banho de bacia e canequinha quando se tem chuveiro em casa…
… Diversão e boas lembranças, mas puro desfrute diletante.

Valter Caldana

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Imbecis de toda a sampa: uni-vos!

› Se o elevado fosse demolido, como o senhor se sentiria?
Tem gente que quer destruir São Paulo. Isso é proposta de imbecil e idiota. Se isso acontecer, haverá de ter cidadão que entre na Justiça contra esse crime.

Paulo Maluf

Eu também, entretanto, entre tantos, sou mesmo um imbecil!

Mas agora falando sério, o bom do Maluf é a clareza e a sem cerimônia…
Veja aqui a entrevista completa [clique aqui].

Gosto de como ele defende o pacote viário da década de 70 (e 80, 90, 2000 e 2010, culminando com a apoteótica reforma das marginais!). Ele tem uma clareza sobre aquela catástrofe que provocou o que chamo de apagão urbanístico que é remarcável. Uma clareza que os atuais detentores do poder nos últimos anos em São Paulo não conseguem ter no trato das coisas sérias da cidade…

Ao contrário, mantêm o modelão SP = PM²*, sendo que os melhorzinhos, estes insistem em paliativos e escorregam em todas as cascas de banana do caminho.

São paliativos caríssimos para com nosso futuro, como o cômodo e populista parque minhocão,
. como a proposta de Lei de Zoneamento que mantém no seu texto a estrutura arcaica e conservadora de 1972 no trato do parcelamento, uso e ocupação do solo, empalidecendo as conquistas do Plano Diretor,
. a demora em deflagrar uma discussão séria e produtiva sobre os planos de bairro,
. um medo inexplicável de alterar a política de comunicação nos pontos de ônibus e acabar com o atual função dos cobradores, tirando-os de dentro dos ônibus e colocando-os em pontos de venda e informação espalhados pela cidade,
. como a incapacidade operacional e criativa de dar poder de decisão e poder de execução orçamentária às sub prefeituras (incluindo os Conselhos Participativos) e, deste modo, ainda que parcial e experimentalmente mudar a forma como a cidade é projetada, construída e mantida, sobretudo seus espaços públicos,
. de assumir sua condição de agente constituinte do mercado imobiliário e usar seu poder de compra para compor a equação da formação de preço da terra, lançando mão, sem piedade, de estoques reguladores reais, não apenas virtuais…

Enfim, São Paulo não é uma cidade para aspirinas…

Mais uma vez: se não tomarmos hoje as decisões que são necessárias, à altura dos problemas mas, sobretudo, à altura da complexidade da cidade para garantir sua pujança, vitalidade e dinamismo no futuro próximo (no século XXI, este que já chegou e que estamos próximos de entrar na terceira década!) muito em breve seremos uma cidade grande e oca, com problemas de metrópole e orçamento de vila.

Aí sim, veremos e sentiremos na pele o que se chama caos urbano.

Valter Caldana

PM² = Prestes Maia x Paulo Maluf
Note-se que é “vezes”, não “mais”, pois o segundo não “adicionou” ao modelo de Prestes Maia, ele o “potencializou”, adequando as premissas do urbanismo rodoviarista disperso dos anos 1930 ao modelo econômico centralizador e político autoritário vigentes à época, 1970/80.
E ainda tem gente que ainda acredita na lenda urbana da cidade que cresceu sem planejamento… São Paulo foi uma cidade minuciosamente planejada, para ser como é!

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Do Movimento Desmonte o Minhocão

Repórter: O sr. poderia comentar a reportagem da “Vejinha” sobre o Minhocão?

Francisco Machado: O mérito da matéria da “Veja – SP” é mostrar que a respeito do Minhocão existem duas correntes: uma que deseja o seu Desmonte, por considerar ser um problema de saúde e segurança pública e outra que apegando-se a uma estrutura velha, do século passado, sem nenhuma manutenção, considerada por urbanistas, arquitetos e especialistas como uma “cicatriz urbana”  e sobre ela tentar fazer o que estão chamando de “parque”.

Repórter: E sobre a matéria em si?

Francisco Machado: Veja bem: o Plano Diretor Estratégico de São Paulo (lei número 16.050/14) ao tratar do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, indica sua desativação por todos seus  aspectos negativos e aponta duas alternativas: “parque” ou seu desmonte.

A capa da “Vejinha” não foi tendencial quando apresenta apenas uma fotomontagem de um idílico “parque”?

Repórter: O sr. acha que faltou imparcialidade ?

Francisco Machado: A imparcialidade jornalística não seria no sentido de uma capa com as duas opções indicadas no Plano Diretor?

Ou seja, metade da capa com fotomontagem de “parque” e a outra metade da capa, com fotomontagem  sem o Minhocão e com bela avenida, arborizada e ajardinada?

Em nenhum momento apresenta simulação de uma bela avenida no lugar desta aberração urbanística que é o Minhocão. Mas não só na capa, mas internamente, a “Vejinha” apresenta  fotomontagem, de simulações de situações de “parque”, até com campo de futebol etc.

Uma coisa é certa: não falta a Editora Abril recursos gráficos para apresentar – se quisesse – simulações de restauração da Avenida São João e Amaral Gurgel,  com bela avenida, que poderia ser um cartão postal de São Paulo.

Mas  na capa e internamente só apresentam  fotomontagens  tendenciosas  e unilaterais, mostrando apenas a opção caolha de “parque”. Não é lamentável?

Os cariocas parecem que são mais ágeis e já demoliram a medonha Perimetral. Em seu lugar já há belo calçadão, com árvores, flores, bancos e bela vista para a Baia de Guanabara. Fizeram mais um cartão postal da Cidade Maravilhosa.

E assim é a tendência mundial:  eliminar viadutos e em seu lugar belas praças,  rotatórias, como já fizeram nos Estados Unidos, Canadá, França, Espanha e até na Coréia.

E aqui se discute o que fazer sobre essa “cicatriz urbana” no rosto de São Paulo, ilha de calor, área degrada e insalubre, onde há mais de quarenta anos não entra um raio de sol. Quando no local se pode fazer bela avenida, cartão postal de nossa cidade.

Repórter: A reportagem da “Vejinha”  entrou em contato com o MDM ?

Francisco Machado: Positivo. Atendemos as duas repórteres  da “Vejinha”. Demos todos os esclarecimentos do porque somos a favor do Desmonte do Minhocão e em seu lugar fazermos bela avenida, com árvores e florida, com pistas para cooper, bikes etc.

Fornecemos também vasta documentação  com dados concretos dos malefícios que o Minhocão causa à saúde e à segurança dos mais de duzentos mil moradores-eleitores que residem e/ou trabalham ao longo e no entorno do Minhocão.

Lamentavelmente da entrevista dada  e de toda documentação apresentada, se limitaram a citar apenas uma frase.  Repito: não é  lamentável?

Repórter: Você acha que deram mais espaço aos que propõe  “parque”?

Francisco Machado: É só ler a matéria e constatar o amplo espaço,  com fotomontagens etc,   dado aos que propõe “parque”, a ponto de chegar a dar  detalhe de  indicar até um  “bar da Dona Onça”, onde se realizam as reuniões deles. Propaganda grátis?  Só faltaram dar endereço, telefone etc. Repórteres amigos do “bar da dona onça”?

Repórter: Porque vocês são a favor do desmonte e contra o “parque”?

Francisco Machado: Veja bem: quem em sã consciência é contra um parque?

Quer coisa melhor do que se faz  nos fins de semana , aqui perto, no Parque Água Branca, onde as  famílias vão passear com suas crianças, desfrutando  a sombra acolhedora das árvores, ouvindo o canto dos pássaros,  o murmurar da água da fonte, respirando ar puro  etc?

Somos a favor não só de um, mas de vários parques nesta selva de pedra, concreto e asfalto que se transformou a cidade de São Paulo. Entretanto, encima do Minhocão, não! É o local mais inapropriado que possa haver!

Repórter: Mas a  população não já se apoderou do Minhocão?

Francisco Machado: Desculpe, como já se apoderou? O que há é o seguinte: com a falta de espaços públicos para  lazer, qualquer rua que se feche no final de semana – por exemplo, se fechar as duas pistas em frente à Câmara dos Vereadores – o que vai acontecer? As pessoas não vão descer de seus apartamentos para caminhar e se distender  nas ruas fechadas ao trânsito? Isso quer dizer que como consequência, essas ruas devem ser fechadas em definitivo ao trânsito e destinadas a “parque”?

Repórter: Você falou que os moradores são contra “parque” e querem o desmonte. Podia dar um exemplo?

Francisco Machado: Com certeza. Ainda agora, no nosso Facebook, a Síndica de um prédio na Avenida São João, perplexa  com a matéria tendenciosa da “Vejinha”, escreveu: vou ler para você.

É a Sra. Irene. Diz ela:  “A capa da Vejinha de hj 16/05 beira a insanidade desses visionários que não pertencem a região. É um absurdo ter que nos dobrar diante de meia dúzia de Arquitetos, ativistas e “artistas” que em sua grande maioria moram no Morumbi. Só querem fazer nome. O meu sonho para a av. S.João,  direito a ver o céu e sentir a energia do sol.  MERECEMOS RESPEITO …”

E ela conclui: “Opção de lazer na região são inúmeras, Pq da Água Branca, Praça M.Deodoro, Praça Olavo Bilac, Praça Roosevelt, Largo do Arouche, Praça VilaBoim, Praça Buenos Aires, além do bairro inteiro estar completo com ciclovias, Av. São Jõao e Amaral Gurgel são vias expressas e nunca vi área de lazer em vias expressas.”

Repórter: Voces do MDM planejam alguma ação em relação a esse lance do “parque”? Voces acham que é um lobby?

Francisco Machado: Na terça-feira dia 12, protocolamos no expediente do Prefeito Haddad,  solicitação assinada por 15 associações dos bairros que sofrem os efeitos nocivos do Minhocão,  pedindo que até que o Executivo dê o destino final ao elevado, que seja mantido o status quo.

Repórter: Porque?

Francisco Machado: Os usuários de veículos que usam o Minhocão aos sábados é distinto dos que trafegam por ele durante a semana. Aos sábados são pessoas que vem ao centro fazer compras ou resolver assuntos pessoais.

Impedi-las de usar o elevado, prejudicará o comércio do centro e sem a Prefeitura oferecer rotas alternativas, os veículos se acumularão nas pistas sob o Minhocão, aumentando as poluições  atmosférica,  sonora e visual, pois suas pistas de concreto funcionam como tampas de panela que impedem que os gases tóxicos ejetados pelos carros se dispersem pela atmosfera, invadindo apartamentos, comércios e os pulmões de milhares de moradores-eleitores.

As próprias pessoas que vierem andar no Minhocão, inclusive crianças e idosos, pensando que estão fazendo algo benéfico à saúde, estarão respirando um ar densamente poluído que vem debaixo , ejetados pelos escapamentos dos milhares de carros que se acumularão nas pistas debaixo, sem falar nos gases mais poluentes ainda e nocivos a saúde humana, que são os ejetados pelos escapamentos das mais de trinta linhas de ônibus que circulam embaixo.

Reafirmamos: o assunto  Minhocão é um problema de saúde e segurança pública!

Repórter: Voces já calcularam em termos de valores, quanto ficaria o desmonte do Minhocão?

Francisco Machado: Uma coisa posso lhe garantir: ficará muito mais barato do que a eventualidade de “parque”.

Repórter: Como assim?

Francisco Machado: Já lhe digo. E isso sem falar que as partes do Minhocão são desmontadas e podem ser reutilizadas para pontes sobre rios em  bairros da periferia etc, gerando economia para a municipalidade.

O alegado High Line nos Estados Unidos – que diga-se de passagem era uma via férrea desativada e que não passava entre prédios residenciais –  “até agora custou cerca de U$ 240 milhões”  de dólares (é o que afirma a matéria de “O Estado de São Paulo”, 14/9/14).

É bom lembrar que o High Line tem um quilometro a menos  da extensão do Minhocão e sua pista é muito mais estreita, a metade da largura do Minhocão.

Pense no valor do dólar atualmente e se chegará a conclusão que o tal despropositado “parque” sobre o Minhocão passará da astronômica cifra de um bilhão de reais.

E isso só para fazer o “parque”. E com que verba vai se manter esse novo “parque” de quilômetros de extensão? Veja a situação de abandono em que se encontram nossas praças e parques.  E numa cidade onde nos últimos meses caíram praticamente duas mil árvores, por falta de manutenção.  Inclusive causando mortes.

Como vai se manter esse “parque” sobre o Minhocão? E na falta de manutenção, não vai se transformar o Minhocão não num “parque”, mas no que o Presidente do Conselho de Segurança – CONSEG  -  Santa  Cecília, o  sr. Fábio Fortes,  receia?

Que vai ser uma extensão da cracolândia? Uma cracolândia suspensa?

Não é de se temer uma coisa dessas?

Basta ver o que acontece  à noite, nas alças de acesso ao Minhocão, sobretudo em frente ao Largo da Igreja de Santa Cecília.  Não  se transformam em verdadeiras cracolâncias?

De onde a Prefeitura vai tirar verba para manter um “elefante branco” de um “parque” encima do Minhocão? E isso numa cidade como a nossa, com a alta carência de creches, postos de saúde, CÉUS , moradias etc.

Outro benefício do Desmonte do Minhocão:  teriamos  a redescoberta de prédios históricos que marcaram a história de nossa cidade, hoje cobertos com mantos negros de décadas de fuligem da poluição.

Com o Desmonte do Minhocão,  finalmente os milhares de moradores-eleitores  poderiam abrir suas cortinas e janelas e respirarem ar puro, vendo as árvores e flores da futura avenida.

Além disso se revitalizaria essa região central, seria bom para os moradores, comerciantes e até para a Prefeitura, que com a revitalização do comércio, aumentaria  a  sua receita de coleta de impostos como ISS etc. Ou seja, seria bom para todo mundo. Quer coisa melhor?

Resumindo: o desmonte do Minhocão só seria benéfico para todos e fonte de entradas para o município.

No caso de “parque” só se terá  gastos  de quantias voltuosas, e isso para uma Prefeitura que está falida, que inclusive diminuiu  as verbas para as subprefeituras.

Repórter: Você acredita que o Elevado seja fruto de um mau planejamento viário?

Francisco Machado: Faço minha as palavras do então candidato à Prefeitura de São Paulo,  Sr. Fernando Haddad, que em debate no SBT, ao responder ao entrevistador Carlos Nascimento, sobre o affaire Minhocão, afirmou:

-  “O Minhocão não deveria nem ter sido construído. Solução equivocada para o problema de mobilidade”.

Aliás, além da solicitação das entidades comunitárias que protocolamos na terça-feira, no gabinete do prefeito, dia 12/5, estamos aguardando uma reunião com ele.

Repórter: Foi divulgada pela associação do parque, uma foto do Haddad com a bandeira do parque…

Francisco Machado:   … houve recentemente um evento na Câmara Municipal, onde ele mandou desautorizar de público o uso político que estavam fazendo dessa foto.

Repórter: Como foi isso?

Francisco Machado: O sr Luís Eduardo Surian Bretas, Superintendente da Diretoria do SP Urbanismo, representando o Secretário de Desenvolvimento Urbano de São Paulo,    Sr. Fernando de Melo Franco, no II Forum sobre o Minhocão, declarou no evento :

(…) “ O Prefeito… teve uma foto divulgada,  acho que na sexta-feira passada, dele segurando ( obs: bandeirinha do “parque” Minhocão ), uma foto com relação ao parque. A posição não é essa!

A posição é uma posição de escutar  todas vertentes.

Quer dizer, ele está lá, disposto a receber quem quer que seja, que tenha boas idéias, boas propostas com relação ao impacto que o Minhocão causa na nossa cidade.

Quer dizer, nós temos um equipamento que foi construido sem o menor critério, sem a menor análise de impacto, e hoje, ele jamais seria construido. Todos nós sabemos disso. Não passaria em lugar nenhum. Mas ele existe e ele está lá. Hoje, para a gente fazer a remoção é uma situação completamente diferente”. (…)

Repórter: Que outra ação o MDM está planejando fazer?

Francisco Machado: Além de protocolarmos no gabinete do prefeito, a solicitação das associações dos bairros por onde passa o Minhocão,  o sentido de até a decisão final do Executivo, seja mantido o status quo – o que é mal menor – enviamos também carta-aberta a todos os vereadores que desinformados, votaram no pl 22/15 do vereador Police Neto, atentatório à saúde e segurança pública.

Informamos nesta carta-aberta aos vereadores,  os graves motivos pelos quais somos a favor do Desmonte do Minhocão e pedimos  que na próxima votação do assunto, seja feita de forma consciente,  e não na base da “votação simbólica”, em regime de “votação simbólica” na qual praticamente se aprova tudo proposto.

Não temos que visar o bem da comunidade?

Não sei se você sabe, esse pl- 22/15 do Police, não teve nem uma audiência pública para que a população pudesse  se manifestar.   Não estamos numa democracia? Porque esse receio de convocar audiência pública regimentar,   para dar ocasião dos moradores se manifestarem?

Tudo agora passará a ser decidido em confortáveis gabinetes com ar condicionado, enquanto a população se frita junto a essa ilha de calor que é o Minhocão e sofrendo com  as  poluições atmosféricas,  sonoras e visuais?  Não temos nossos direitos e não devemos lutar legalmente por eles?

Repórter: O Elevado é palco de diversas manifestações culturais. Com a sua derrubada, como essa questão poderia ser solucionada?

Francisco Machado: Há várias opções que a Prefeitura pode escolher. Porque necessariamente tem de ser feita na frente das janelas de nossos moradores?  Temos inclusive aqui na região três hospitais: Santa Cecília, Santa Casa e Santa Isabel, que não comporta certos tipos de eventos ruidosos , pelas razões óbvias.

É bom lembrar também que pelo menos três praças centrais – Bandeira, Princesa Isabel e Amaral Gurgel – são ocupadas por  empresas de ônibus, que na prática são garagens.

Ônibus não foi feito para circular? Porque não colocar os ônibus para circularem  e retomarmos nossas praças e fazermos ali belos parques? Porque não fazer  praças com pistas circulares para cooper, ciclovia etc ?]

Repórter: A pesquisa Data-Folha indicou que a maioria dos entrevistados são a favor do parque.

Francisco Machado: Tivemos acesso a essa pesquisa e constatamos que houve uma manipulação dos resultados.

A tal “maioria” que foi alardeada são pessoas que fazem parte do que se chama “população flutuante”, ou seja, pessoas que moram em outros bairros e que estão aqui apenas de passagem, ou para compras, ou para trabalho. Mas não  residem aqui e portanto não sofrem os efeitos nocivos das poluições e falta de segurança geradas pelo Minhocão.  Essa  maioria dos entrevistados mora  na zona leste.

Pergunto a você: eu que não moro na zona leste, posso me manifestar sobre um problema do bairro deles? Não moro lá. Como posso opinar com conhecimento de causa? A recíproca não é verdadeira?  O que houve foi uma manipulação na apresentação dos resultados da pesquisa Data-Folha.

Apenas  7%  dos entrevistados  são moradores ao longo do Minhocão. E a pesquisa indica que eles, em sua totalidade, apoiam o desmonte do Minhocão.

E a respeito das assinaturas que o Athos diz ter, temos gravação em evento público, na qual ele confessa que troca assinatura por sorvete…

Além de ter o fator de que a muita gente  ainda está desinformada da totalidade dos malefícios causados a saúde pelo Minhocão. Se oculta isso e apresenta-se a proposta de idílico “parque”.  Não constitui propaganda enganosa?

Repórter: O que o Minhocão representa hoje para vocês, moradores?

Francisco Machado: Um pesadelo, um tormento! Pior: uma constante ameaça à nossa saúde, de nossas crianças e de nossos idosos. E querem perpetuar esse suplício?

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Revolução energética: revolução do morar e das cidades

Recentemente escrevi, a propósito da importância crescente que, finalmente, a energia solar vem adquirindo como fonte real, e não alternativa, de energia que em dez anos teríamos uma nova configuração na rede de distribuição e que a partir da autonomia de produção e consumo residencial vivenciaríamos grandes transformações nos usos e costumes do morar e na configuração paisagística e morfológica das cidades.

Errei! Parece que vai ser muito antes.

A Tesla, do sul-africano Elon Musk acaba de lança bateria solar de longa duração a preço compatível com o consumo humano. Primeiro passo para o lançamento de uma bateria de longa duração com preço compatível com a Humanidade… [leia aqui]

Trata-se da revolução energética, comparável à Revolução Industrial e à Revolução das Comunicações. Nada será como antes, amanhã…

A ideia de que cada casa, cada edifício de apartamentos ou de escritórios possa ter sua conta de luz zerada e, além disso, se tornar um fornecedor de energia limpa para o vizinho que tem mais consumo do que área escancara possibilidades até agora pouco exploradas, ainda que já imaginadas por muitos pesquisadores.

Do ponto de vista urbanístico, por exemplo, significa, de imediato, a abolição de toda, eu disse toda! a fiação que hoje nos agride cotidianamente.

Eletropaulo, que fez corpo mole e indicou preços e tecnologias absurdas para o enterramento da fiação perdeu a vez… não só não precisa mais fazer o serviço como em breve vai ser obrigada a retirar todos os seus fios, sem receber um tostão! Isto, claro, se ela ainda existir… Não me espantaria se ela resolver começar o serviço agora, correndo, com um grande desconto e a preços módicos.

Vale lembrar que o seu diretor que vem se recusando a viabilizar o enterramento dos fios entrará para a História no mesmo hall da fama onde se encontram aquele famoso diretor de estúdio de Hollywood que recusou “E o vento levou”, aquele diretor da IBM que recusou o projeto do PC – computador pessoal e o da Phillips, que disse que ninguém se interessaria pelo videocassete.

A fiação, se houver, será pequena e existirá unicamente para carregar a energia excedente que você produziu na sua casa ou no seu prédio para a rede, pelo que você até poderá ser razoavelmente remunerado, no mínimo com uma belíssima baixa no valor do seu condomínio…

Assim, a produção e a distribuição de energia elétrica “pesada”, que serão por um bom tempo ainda necessárias para os grandes consumidores, se tornarão ainda mais importantes do ponto de vista estratégico, de soberania, econômico, tecnológico, ambiental  e de desenho do território… O que dizer, por exemplo, de Belo Monte neste contexto?

Esta energia gerada em grande volume se destinará essencialmente para equipamentos de grande porte, como metrô e outros sistemas de transporte coletivo (uma cidade inteira de trams, tróleibus e mini vans elétricas) ou equipamentos de primeira necessidade e grande consumo como hospitais, escolas, museus, presídios, etc…

Sendo que, mesmo estes, utilizarão técnicas mistas para diminuir o impacto da energia sobre suas contas e poderão, inclusive, ser consumidores privilegiados do excedente gerado em residência e prédios residenciais e comerciais de seu entorno.

Imagina que simpático as escolas públicas ou o posto de saúde do bairro sendo abastecidos de energia pelos moradores das imediações, pelos pais das crianças que ali estudam. Perceba-se aí uma revolução, inclusive comportamental e ética…

Parece sonho, mas não é. O edifício Mackenzie Século XXI, que projetamos recentemente e tem certificação Aqua, tem consumo de energia elétrica tendendo a zero. Com a evolução da tecnologia poderá vir a ser produtor, quem sabe.

No entanto, a maior de todas as revoluções virá no morar…

Uma casa ser autônoma do ponto de vista energético (ou até produtora, como já vimos) e utilizando uma energia limpa e inesgotável – até por que quando sua fonte acabar o mundo acaba junto – é algo que desde a caverna se sonha, mas nunca se conseguiu chegar perto.

O mais perto disso que chegamos foi a situação atual, onde a casa é “plugada”, com fios, a uma rede de distribuição e abastecimento…

Note-se que, mesmo nas casas mais modernas, usamos comumente dois tipos de fonte de energia: a elétrica e o gás, seja ele natural, via rede, ou via entrega motorizada e sonorizada (ouça aqui).

Em alguns poucos casos usamos três fontes, com o uso rudimentar (e agora eficiente) da energia solar para aquecimento de água, o que custou décadas de trabalho, estudo, pesquisa e investimento a valorosos pioneiros. Gente como o Prof. Décio (de ótica) físico e engenheiro que instalou placas de energia solar nos vestiários do Bandeirantes em 1974 (!!!), motivo pelo qual nos três anos de colegial ninguém que quisesse um banho morno usava aqueles vestiários! Só saía água gelada… Sem estas figuras, a quem devemos tanto, talvez nem estivéssemos aqui…

A questão energética é tão fundamental (ainda que pouco visível) que há estudos interessantíssimos que mostram a influência do botijão de gás e seu serviço de entrega motorizado no crescimento horizontal e amorfo (e não caótico!) do tecido urbano no século passado, tornando-os um instrumento vital para o modelo de expansão urbana dispersa (e rodoviarista) tão precisamente implementado.

Isto por que ao conseguir ter o gás na porta, a casa (a família, o cidadão) passou a contar com ao menos uma fonte de energia, que lhe garante luz à noite, água quente (ou quase) para o banho e fogo para o preparo de alimentos.

Pois bem, além de abolir definitivamente o uso de gás, a conta de energia zero associada à conectividade e novos materiais fará da casa, em pouco mais de 20 anos (será que vou errar novamente? vou!), um artefato totalmente diferente do que conhecemos, estudamos, projetamos nos últimos 2000 anos…

No século XXI o que temos é a casa como extensão da cidade e não mais o contrário – a cidade como extensão da casa – que foi a síntese do pensamento urbanístico do final do século XIX ao início do século XXI, percorrendo todo o século XX.

Graças à conectividade, um elevado grau de sofisticação nos processos de produção e de prestação de serviços e novos materiais e técnicas construtivas, o cidadão passa a morar na cidade, estando exposto a maior parte de seu tempo. Assunto zero na nova LPUOS, de que me ocuparei em outro artigo…

Arremato, temporariamente, com um trecho de entrevista de Castells:

“Existem sete bilhões de números de telefones celulares no mundo e 50% da população adulta do planeta tem um smartphone. O percentual será de 75% em 2020. Consequentemente, a rede é uma realidade generalizada para a vida cotidiana, as empresas, o trabalho, a cultura, a política e os meios de comunicação. Entramos plenamente numa sociedade digital (não o futuro, mas o presente) e teremos que reexaminar tudo o que sabíamos sobre a sociedade industrial, porque estamos em outro contexto.”

O duro vai ser ver gente de bem dizendo que tudo isso é bom para Suécia, Noruega e Dinamarca, (onde é noite metade do tempo), e que para nós só vai servir para encarecer a obra e a “conta não fechar”…

A conta não fecha? Pois é! Não vai mais fechar! Então é chegada a hora de mudar a conta!

Valter Caldana

Em tempo, ao pesquisar na internet para fazer este artigo, me deparei com a notícia da finalização do projeto da usina de energia eólica sem as pás assassinas. São como um poste bem alto, um gigantesco circulador de ar vertical coreano…

P&D, a gente não vê por aqui…

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