BOA NOTÍCIA NO QUARTEL DE ABRANTES

A boa notícia do dia é que a prefeitura adiou por um ano a revisão do plano diretor estratégico da cidade.
Parece que foi bom, agradou a todos. Tenho visto comemorações intensas em todos os setores.
Agradou à prefeitura, que encenou o ano todo e agora ‘cedeu’ ao bom senso e pode correr para o abraço, feliz e aliviada. Livre, leve e solta… sem ter que tocar tão cedo em pontos estratégicos, já que o plano diretor estratégico continuará em discussão. Com isso, vai poder continuar fazendo seu varejinho, desarticulado , fragmentado, sem desenho, sem projeto, sem objetivo geral tangível.
Agradou a quem está assustado e revoltado com o uso que se está fazendo do Plano e com o grau de destruição da ambiência que ele está permitindo nos bairros consolidados da classe média. Afinal, mais importante é implodir o Plano ao invés de corrigi-lo. Vamos voltar a discutir, oito anos antes do que fora combinado, qual a cidade que queremos. E o resto, enquanto isso, continua como está.
Agradou a quem elaborou o Plano vigente, pois até agora não apenas não fizeram pressão para a revisão que deveria confirmar os princípios definidos e melhorar sua obra (ou no mínimo fazer valer o que escreveram), quanto mais próximo do fim da sua vigência estivermos menos suas fragilidades e seus erros serão discutidos.
E, claro, agradou a quem está fazendo gato e sapato do Plano, e da cidade, pois, afinal, vai poder continuar fazendo. Sim, pois, afinal, ganhou três anos, no mínimo, numa penada só, para que tudo continue como está (2021 que não houve, 2022 de debates no executivo, 2023 na Câmara – onde tudo acontece – e então, talvez, em 2024 ele entre em vigor.
Acho que agradou também a turma que diz que a cidade cresce sem planejamento, pois nunca entenderão que esta situação de impasse artificial é planejada.
Agradou aos que acham que PDE não serve para nada.
E, finalmente, mas não por fim, agradou com toda certeza quem acha que a cidade deve ser assim mesmo e que tudo vai bem.
Afinal, o importante, mesmo, e esta é a boa notícia, parece, é que ‘temos’ tudo sob controle, cada um no seu lugar. como sempre.
Tudo como dantes.
Valter Caldana
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EQUAÇÕES E DESCOBERTAS

Esta é uma notícia muito triste, mas é o nosso retrato.
Há anos, muitos anos, vimos alertando que no que tange à questão habitacional, sobretudo de 0-3 e 3-6 salários mínimos se a conta não fecha, é preciso mudar a conta. Muitos aqui já me ouviram falar isso.
Para se obter um resultado, qualquer resultado, em qualquer campo, é preciso estabelecer o objetivo, selecionar as condicionantes – determinantes ou variáveis – e montar a equação. É mais simples do que parece.
A isto se chama, em alguns campos do conhecimento, de modelo de negócio.
Ou seja, se a equação não fecha, não atinge o objetivo, mude a equação. Rebalanceie as condicionantes.
Assim sendo, se o objetivo é fazer habitação, lhe prover acesso, girar a economia, aumentar a riqueza coletiva e individual e, por que não, sim, ganhar dinheiro, o processo e a cadeia produtiva serão um.
Se na equação acima você acrescentar desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade e questões ambientais a conta será outra. Se acrescentar cultura, bem estar, saneamento, mobilidade, será outra ainda…
Porém, se por outro lado, das variáveis da equação acima se escolher apenas uma, duas, três no máximo e, pior, travesti-las de determinantes, o processo e a cadeia produtiva serão outros. A conta será outra, muito parecida com a que temos e resulta nisso que está aí… (neste ponto, se der e tiver coragem, abra sua janela e olhe à sua volta).
Ou seja.
Está claríssimo, há décadas, que o modelo de negócio da construção civil no Brasil, que resulta no e vem do modelo de desenvolvimento urbano, que por sua vez vem do e resulta no modelo de desenvolvimento econômico e do tipo de capitalismo adotado, em especial no setor residencial, não funciona para determinados objetivos, sobretudo os mais abrangentes.
Mas, se está claro que não funciona, então, por que não muda?
Monte uma equação e descubra.

Valter Caldana

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/10/24/casal-com-dois-filhos-e-renda-de-r-3800-precisa-juntar-100percent-do-salario-por-23-anos-para-comprar-apartamento-em-sp-diz-pesquisa.ghtml

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SUGESTÃO PARA O PREFEITO

Continuando o post sobre a cabeça de bacalhau, um dos motivos da Painera (sim, esta, com maiúscula) ter sido assassinada é, claro, foi o trânsito. Foi liquefazer o fluxo de veículos insano que junta, soma, num único cruzamento, todo o movimento da Raposo Tavares, que vem do oeste, com a Régis/116, que vem do sul.
Para se ver como ela era importante! Uma única paineira centenária, velhinha, onde provavelmente Raposo Tavares e outros fizeram xixi, assim como seus cavalos, conseguia bloquear todo o trânsito de pessoas e riquezas vindas do oeste e do sul para a capital bandeirante. Simbólico isso…
Claro, matar a árvore foi bem mais simples, para não acabar com os indescritíveis congestionamentos, do que terminar a chegada da Raposo ou fazer novas travessias, em especial a travessia da Frederico Hermann Jr.
E, claro, muitíssimo mais barato que fazer/terminar o rodoanel, que aliás demorou tanto que o remédio veio já vencido e virou veneno. (N.R. e NÃO está pronto até hoje…)
Afinal, se era para continuar com o congestionamento, como continuou, arrancar a árvore bastaria…
Mas, já que falei de travessia (canta Travessia!!!) faça justiça, foi feita a passagem da Waldemar para o Jockey e a Bernardo Goldfarb, o viaduto quase tão alto quanto o edifício Itália, com rampas nos limites quase externos da norma… .-)
É um caso interessante da escola rodoviarista paulistana. Se fez um mergulhão, num lugar com muita água, e um viaduto altíssimo num cruzamento em que havia quatro faróis e depois desta enorme obra viária se conseguiu …. diminuir UM farol!!! Aliás, promovido a semáforo quando passou para a reserva.
Dizem que ele, na verdade, morreu de desgosto depois do assassinato da Paineira, por quem era apaixonado.
Continuando na saga do entroncamento, diz a lenda que a altura inexplicável da Bernardo Goldfarb não é apenas um capricho estrutural ou tecnológico (viaduto feito com técnica belíssima de formas deslizantes auto estruturadas, coisa finíssima), nem mesmo um desejo de deixar a obra um pouquinho mais cara (maledicência brava!!)…
Dia a lenda, e si non è vero, bene trovato, que o cume, o cimo do viaduto tem aquela altura porque seu projeto original era ligar o Largo de Pinheiros diretamente à Sapetuba, na Praça Plínio Croce, em frente ao Banespa do Ruy Othake (lindo projeto, recentemente ‘ampliado’ de forma bem mais respeitosa que a loja da Forma).
Continua a lenda que aí não se sabe se foi por ter acabado o dinheiro ou porque algum estagiário avisou que se colocassem todo aquele fluxo de veículos e ônibus diretamente na rua Butantã possivelmente o estrago seria bem, mas bem maior! Então a prefeita smj a Erundina (posso estar redondamente enganado), ordenou que o viaduto ‘descesse mais rapidamente.
Vale lembrar que o viaduto por cima e o tunelzinho por baixo eliminariam os faróis. Só que entupiriam o trânsito mais adiante.
Bem, ficou longo. Vou parar por aqui não se antes lembrar que este complexo Paineira Morta estava ligado ao túnel sob o Ibirapuera e ao futuro corredor Rebouças, que no governo Marta resolveram fazer o túnel ao contrário (na Eusébio, estreita, e não na Faria Lima, largona…)
Mas, aí é outra conversa… apesar de ser a mesma.
Prefeito, fica a dica.
Faz uma festa, vai lá e planta uma paineira… de preferência compre uma no Ceasa que esteja crescidinha. Aliás, a quantas anda o Manequinho Lopes?
Bom dia!!!

Valter Caldana

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O PAVÊ

A ciência está descobrindo que a
decrepitude não é inexorável.
E a molecada pira!
Os terraplanistas urram,
O tiozão do pavê vaticina…
Está vendo como este bando de fanuloni nos enrola?
É o ovo, é o ovo…
Uma hora pode comer, depois não pode, depois só a gema, depois só a clara… nem sei mais se agora pode ou não pode. Eu só sei que como, e muito.
De sério, aqui, só uma coisa.
Daqui a pouco, finalmente, vão dizer que o problema não é fisiológico,
É urbanístico.
O que, aliás, é de uma obviedade pavetiana.

Valter Caldana

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QUER?

Um tema sobre o qual percebo um certo silêncio e um certo mal estar é o fato de que os governos social democrata cristãos brasileiros – de FHC a Dilma – foram acusados, a seus tempos, de serem gastões em função de seus programas sociais.
Desde a saudosíssima Dona Ruth, cientista (!!) que teve que peitar abertamente poderosos ministros e usar de sua tradicionalíssima doce firmeza para realizar os primeiros programas de resgate, até Dilma, com programas vitais como o falecido Bolsa Família, o Farmácia Popular, a desoneração da cesta básica, o controle público de tarifas… públicas (!!) e programas já mais complexos como o, para provocar, Ciência sem Fronteira (sim!!!) foram sempre acusados de destruir as contas públicas, serem deficitários e jogarem o equilíbrio fiscal no ralo.
Além de serem perpetuadores da malemolência estrutural brasileira (este é certamente o maior dos absurdos).
Pois bem. Mas, há uma questão que não vejo ser debatida ou enfrentada pelos iguais.
Queremos, ou não queremos, acabar com a fome, com o analfabetismo funcional, cívico e ético, com a mortalidade infantil, a miséria, com os mortos vivos andando pelas ruas das cidades e os efeitos destas mazelas nas nossas vidas. Sim, nas nossas vidas, dos que não sofremos de nenhum destes males elementares. Dos iguais. Vai tudo bem por aí?
Porque, só para lembrar, Guedes só balançou no momento em que se mexeu para arrumar dinheiro para “dar para pobre”.
A questão é simples. Quer ou não quer?
….
Dispenso observações profundas do tipo “mas, é preciso ver no quê e como gastar” e também as observações do tipo isto é populismo, fábrica de vagabundos e coisas assim. Fique apenas na cantilena do equilíbrio fiscal, por favor.
Ah, sim, e pode deixar de comentar o fato de que votou para acabar com um programa, para eleger alguém que fez o mesmo, piorado, só que aumentando o seu imposto e dando calote no seu precatório.
O fato é que as próximas gerações terão muito o que fazer… só espero, como sempre digo, que sejam clementes com nossa memória.

Valter Caldana

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