ITALIANICES MATINAES

Apesar deste nome fincado na lusofonia, o Alcântara Machado é o viaduto mais italiano de São Paulo. Bela homenagem que nos remete à sensação de que nosso sincretismo resistirá sempre e um dia vencerá nossos preconceitos. Que o diga Adoniran Barbosa, seu primo-irmão.
nos nomes de rua, menos imponentes que viadutos, porém mais presentes em nosso cotidiano, as de nome mais obviamente italianos talvez sejam as Passalacqua, com destaque para a Monsenhor que contém um certo gosto pelo título nobiliárquico religioso quase vazio, que nos une, à sonoridade do próprio nome. Que também nos une. Passa l ÁÁÁ cua!
No entanto, neste ponto, sempre me encantou a Seno Sbrighi.
Que maravilha. Há um certo atavismo em pronunciá-la.
S e n o s b r ighi, que música!, forçando um pouco um sotaque tipicamente paulistaliano.
Sem contar o fato de que não consigo deixar de pensar na maravilhosa lógica empregada pelos pais do ‘seo’ Seno para escolher o nome do filho… e, claro, pensar em quais seriam os nomes de seus irmãos. Talvez um casal, o ‘seo’ Cosseno e a dona Tangente. Primos, talvez, da dona Hipotenusa e do ‘seo’ Cateto. Mas, aí, Cateto por cateto, já não é mais nem grego nem italiano, é caipira mesmo.
Não obstante, o fato é que é Cenno. Tchenosbrigue.
Um cenno, um delicado aceno de bom dia!

Valter Caldana

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DESTERRO DEGREDO

O simbolismo embutido no desterro dos acervos é forte demais. O de Lúcio, condenado ao contraditório degredo na Metrópole que nos esbofeteia as sequer rubras faces diante de nossa própria incompetência é de uma virulência atroz.
Como uma mãe que aceita perder um filho na vã esperança de salvá-lo, como fez há poucas semanas uma mãe afegã em rede mundial de televisão, a inteligência ,,, brasileira entrega o acervo e, sim, a posse e a guarda do legado do que simboliza seu patrono, que é uma espécie de pai. Entrega-se filhos, pais, irmãos, amigos. Entrega-se o que se tem, na esperança de que um dia recebam o que não se tem.

Valter Caldana

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QUAL O PONTO, FINAL

Alguém sabe explicar por que o Conselho não é deliberativo? Por que ele não foi definido deliberativo na elaboração do plano, assim como os conselhos de representantes nas prefeituras regionais também não foram, apesar de insistentes ponderações, propostas e sugestões no próprio Conselho em 2013/14?
O argumento a favor de que fossem era simples e repito aqui, pois de tão simples não ocupa espaço… Conselhos não deliberativos (consultivos?) dependem da graça alheia. Não decidem, no máximo opinam. E opinião pode ou não ser aceita. Quem quer processo participativo e democrático de fato, faz conselho deliberativo. Não fez quando deveria ter feito, vai fazer agora? Ou ainda não é hora?
Será que se ele fosse deliberativo, parte dos problemas apontados sequer nasceria? Será que se a revisão estivesse efetivamente em curso, a primeira proposta não deveria ser tornar todos os conselhos deliberativos?
Achei estranho a proposta não ter si encampada pela prefeitura quando foi feita (por vários, inclusive por mim) em 2013/14. Não era hora foi o argumento mais ouvido. Acho ainda mais estranho ela não estar de volta agora.
Como acho estranho abrir mão de fazer a revisão do Plano, de sequer iniciá-la no âmbito do executivo, sempre mais tecnicista, com um pé no tecnocrático, se preparando para o verdadeiro embate que será no ano que vem, no legislativo.
O CMPU (re) nasceu em 2014 desvalorizado, como os conselhos regionais. Desvalorizado por não ter alcançado o status deliberativo, como outros conselhos como o do Fundurb, o da Paisagem e o do Patrimônio Histórico.
Só para terminar… você sabia que domingo, me parece (não tenho certeza e não tenho paciência para ir conferir), tem eleição para o CMPU? E alguma vez você votou para eleger um conselheiro do Compresp?
No final, ao discutir se deve discutir, se abre espaço para discutir o que está discutido ou o que se pretende discutir se houver a discussão para em seguida discutir como será a discussão enquanto que, no ponto final, quem pouco discute decide?
….
Em tempo, talvez a tempo. Há tempo?
Tornar todos os conselhos deliberativos é fundamental. É caminho imprescindível para a descentralização da gestão e da governança da cidade.
Descentralização esta que é o único caminho plausível, viável econômica, política e socialmente hoje em dia para que São Paulo tome posse de seu destino e continue sendo uma das cidades mais importantes do mundo, parte integrante da rede de capitais do planeta. E garanta as suas características essenciais que ao longo do século XX foram exercitadas e nos trouxeram até aqui.
A Revisão do Plano é imprescindível para tornar inexorável a descentralização, para corrigir a regulamentação básica dos bons instrumentos que ele trouxe, mas foram inadequadamente operacionalizados e, sobretudo,
Para aumentar a sua abrangência para a cidade toda, não apenas na porção consolidada do entre rios.

Valter Caldana

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/09/29/integrantes-do-conselho-de-politica-urbana-dizem-que-nao-foram-consultados-pela-prefeitura-sobre-revisao-do-plano-diretor.ghtml

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MAIS QUE NADA

Ouço e leio, aqui e acolá, que a CPI da COVID não vai dar em nada. Sob o aspecto da compreensão geral do que seja o processo político dar em alguma coisa eu concordo. Entende-se, por aqui, dar alguma coisa como sendo dar em prisão, tortura, sangue, enforcamentos, esquartejamentos… no mínimo, no mínimo, um degredozinho. Afinal, vivemos um eterno auto da devassa.
Mas, se considerado o seu papel de fato, e o papel que o legislativo deveria ter cotidianamente na nossa sociedade, se poderia dizer que ela já pode ser considerada uma das CPIs de maior sucesso e com as mais importantes contribuições à sociedade em tão curto tempo. Ela é o que o congresso deveria ser todo dia, não apenas em dia de festa.
Aliás, acho uma temeridade o que virá assim que ela se encerrar. Porteira aberta, boiada passando. O caso do ‘por um dólar a mais’ e o da Prevent Senior são só pequenos exemplos.
Porém, retomando a primeira consideração, quero observar que o que me parece vai dar em nada, nada mais que nada, não é a CPI, somos nós mesmos.

Valter Caldana

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NA VEIA

Toda concessão feita por motivação ideológica, não por motivação técnica, torna o futuro nebuloso. E, quando se dissipam as nuvens, o que se tem é a naturalização da perda.
Basta ver que no Brasil se privatizam o patrimônio e/ou a sua exploração. Não se quebra o monopólio, apenas se transfere do domínio público ao privado, em geral estrangeiro.
Por isso não se privatizam os déficits (gravíssimos, elevadíssimos), muito menos o risco do investimento. Estes, os déficits e o risco, continuam nossos, da sociedade, bancados pelo Estado. Ou seja, por nós mesmos, como sempre.
O Capitalismo Sem Risco e o Liberalismo Monopolista são invenções genuinamente brasileiras.
Capitalismo na veia, que nunca conseguimos, não tem nem para remédio. Aliás, hoje em dia, nem para remédio mesmo!

Valter Caldana

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