Vingança pura

Uma das últimas frases geniais de Millor Fernandes de que me lembro bem foi

« Ouvi dizer que houve uma guerra entre ricos e pobres.

Os ricos ganharam. » (Millor Fernandes)

Por isso cheguei à conclusão de que esta reforma trabalhista é, na verdade, pura vingança dos vitoriosos. Uma espécie de butim simbólico.

«Você, loser, não merece ter isto, por isso levo. Não para louvar minha vitória, mas para te lembrar de tua derrota.»

Eles continuam comemorando terem tirado garantias mínimas de quem precisa, de quem delas necessita graças às suas fragilidades e não conseguem perceber que nada foi colocado no lugar.

Mas, como tudo, ela tem um lado positivo. A partir dela podemos dizer que, definitivamente, oficial e legalmente, estamos no salve-se quem puder. Está oficializada a bandalheira.

Valter Caldana.

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Alternativas

Ando assustado com a quantidade de pessoas pressupostamente inteligentes e com postos de comando que nāo conseguem perceber e entender a diferença entre, de um lado, um ser humano se sujeitar à condições indignas por falta de alternativa e, de outro, o sistema econômico e político ofertar, oficialmente, estas condições indignas como alternativa para um ser humano.

Valter Caldana.

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De volta para o futuro

Se o prefeito quer dar um passo positivo em direção a uma gestão moderna, ágil, eficiente e com visão de futuro, sua grande contribuição seria retornar a SP Urbanismo às suas origens e atribuições, recriando a EMURB e atualizando-a.

Aliás, foi isso que achei que ele faria quando anunciou um pacote de movimentações (que viraram vendas) de próprios municipais…

Equívocos como estas vendas de glebas e áreas feitas desta forma, no atacado, sem projeto e com objetivos difusos e incertos estariam muito, mas muito minimizados e a cidade só sairia ganhando.

Que o digam Jabaquara, Conceição, Ana Rosa, Paraíso, CCSP, enfim…

Já soubemos fazer. Pois que se faça!

Valter Caldana

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Gestão ou bacião? II

Depois dos assaltos às equipes de Fórmula 1, prefeito diz que privatização ajudará a resolver problema de segurança em Interlagos…
Ouvindo isso, não consigo não me lembrar do célebre discurso de GG (Gordon Gekko) ao assumir o controle da cia. aérea no filme Wall Street…

Aqui, no nosso caso, vender o problema ao invés de solucioná-lo parece que virou, definitivamente, uma política pública.

Mas, resta a pergunta, depois de liquefazer o patrimônio, o que restará?

Me refiro ao patrimônio público amplo senso, terrenos, imóveis, glebas, reservas ambientais, cursos d’água, subsolo, etc… Afinal, este patrimônio é um dos instrumentos necessários, vitais eu diria, para a elaboração e a implantação de políticas públicas em todos os setores. Serve para garantir o futuro dos netos e pode, se o gestor for bom e bem intencionado porém sem imaginação, até servir para viver de aluguel à espera de que apareça alguém que tenha uma proposta menos medíocre do que simplesmente vender e liquefazer…

Um dos argumentos para esta operação de liquidação de próprios municipais, insisto, sem projeto e sem objetivos pré-definidos, sob uma difusa alegação de que dão prejuízo e de que a cidade perde com eles e que, por isso a solução menos pior é vendê-los, responderia: não se perde o que não se tem! Por isso não precisamos do menos pior, precisamos do melhor. E se sua hora não é chegada, pois que esperemos.

Vejamos o caso específico de Interlagos.

Imagina se o Zuza (Prefeito Mário Covas) tivesse fechado/vendido o autódromo como ele disse que faria num dia de inspeção, após uma visita ao autódromo onde encontrou uma situação calamitosa.

Sendo ele quem era, no entanto, entre a fúria da visita e o retorno ao gabinete ordenou um levantamento de uso, custo, potencialidades e oportunidades e, óbvio, nem fechou nem vendeu Interlagos. Ao contrário, colocou todo mundo para trabalhar, reformou o lugar e abriu caminho para a renovação vantajosa do contrato com a F1 que depois a Erundina também se aproveitou adequadamente.

Quanto à esta contabilidade tão ‘precisa’ que a prefeitura divulga, prejuízo anual de R$40.000.000,00 , ainda gostaria de entender melhor.

Nos anos que estudei grandes espetáculos e parques temáticos aprendi que o faturamento principal não vem da bilheteria, mas que a bilheteria era, sim, um indicador importante da saúde do negócio.

Pois bem, o autódromo tem 20.000 lugares. A F1 tem ingressos que variam de R$600,00 a R$3000,00. Vamos colocar o ticket médio a R$1000,00… Por 20.000 lugares, são R$20.000.000,00 de faturamento bruto só com ingressos, que sabemos, não são a principal finte de faturamento! Coloque aí venda de produtos, participação em merchandising e contabilize, claro, um bilhão de espectadores olhando sua marca no mundo todo.

Mas, voltando apenas à bilheteria, ou seja , você tem o faturamento de 50% do alegado déficit em uma semana!! E as outras 50 semanas do ano??!! Afinal, de onde vem este prejuízo todo? Resposta simples: má gestão. Falta de ousadia, ação e imaginação. Não é falta de potencial nem de produto.

Pois bem, se é falta de gestão, que se coloque gestão… Aliás, parece que foi isso o que foi prometido na campanha… gestão! Não bacião…

Em tempo: não sou contra a prefeitura dar em concessão a exploração do negócio autódromo, Anhembi, sambódromo e Pacaembú. Acho que o papel do Estado é abrir fronteiras e auxiliar na consolidação de setores econômicos. Neste caso, hoje isto já está feito em todos estes setores, logo, já demorou realmente para passar seus encargos adiante.

Porém sou, sim, visceralmente contra a venda dos terrenos onde se encontram estes negócios. Isto trará um prejuízo incalculável à cidade, e significará a perda de um patrimônio irrecuperável para a prática de boa política de desenvolvimento urbano que sequer estamos elaborando ou preparados para implementar.

Há que se entender, de uma vez por todas, que para a terreno cidade e seu futuro estes terrenos, estas grandes áreas, valem incomensuravelmente mais do que os negócios que abrigam. Não perceber isso é não ter visão de longo e longuíssimo prazo o que, estando no comando da gestão da coisa pública, é de uma cegueira imperdoável.

Valter Caldana

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Gestão ou bacião?

Ainda sobre o programa de privatizações, em especial de grandes áreas estratégicas.
Seja como for, é difícil discutir este assunto em bases binárias, na base do ’0 ou 1′, bola branca x bola preta, cheio ou vazio.

Na base do ‘ou é a favor da venda ou é a favor do prejuízo’. Isto é coisa antiga que, como indica a sensatez, só interessa a quem não está bem intencionado.

Neste caso específico, a venda de Interlagos, gostaria de ver as contas deste prejuízo um pouco melhor elaboradas, como tratei em ‘Gestão ou bacião? II’ (leia aqui), um pouco mais transparentes… assim como gostaria de ver melhor elaboradas as premissas de utilização da área antes e depois de uma operação público privado deste vulto.  Isto é imprescindível.

Afinal, temos um exemplo recente na Água Branca, onde a construção de um bairro novo com a participação do pequeno e do médio capital, de pequenos e médios empreendedores individuais, com usos múltiplos, diversificados do ponto de vista funcional e social foi substituído pela venda da gleba pela prefeitura para uma única grande construtora realizar ali um empreendimento imobiliário uno e hermético, ainda que formalmente aberto à população.

Por à venda áreas enormes sem projeto, sem destinação e sem parcelamento é injustificável. Não se trata de ser a favor ou contra a operação. Se trata de observar o quanto ela é potencialmente lesiva ao município no presente e no futuro.

E mais: antes da venda pura e simples e, pior, sem qualquer vinculação de destinação do apurado, defendo que há pelo menos uma meia dúzia de alternativas mais equilibradas e mais criativas para áreas como o autódromo, o sambódromo, o Anhembi e em breve o CEAGESP, entre outras tantas.

Ha hipóteses realizadas há décadas pelo mundo (e aqui também) que vão desde agências concessionarias da exploração dos serviços até mesmo empresas de economia mista com participação minoritária do poder público baseada no valor da terra, que não se desafeta, passando pela pulverização de cotas ou ações do serviço ou do produto no mercado… enfim, não me cabe esta questão. Há quem o faça muito melhor que eu. Apenas aponto que estas alternativas existem para que se afaste qualquer interpretação de que aqui se faz uma ode ao imobilismo ou um cântico de aversão ao capital ou sua participação na construção da cidade.

O que sei é que que vender, liquefazer em nome de um difuso investimento em educação, saúde, moradia e segurança sem nenhuma preparação, sem a observação de regras elementares de mercado, sem projeto, na bacia das almas e, pior dos piores, sem reconhecer a importância e o valor estratégico de terra urbana para a implementação de políticas públicas setoriais e de desenvolvimento urbano em especial fica difícil.

Pode até se justificar ideologicamente, como é o caso neste momento em São Paulo, mas não se justifica nem tecnicamente, nem politicamente.

Valter Caldana

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