Qual o problema?

Outro dia me referi a uma preocupação com o fato da licitação de ônibus estar sendo questionada e discutida por motivos de menor importância.

Esclarecendo.
A composição e definição de linhas numa licitação com duração de quase meio século deveria ser a menor preocupação…

Neste caso, por exemplo, a real preocupação deveria ser a duração da concessão e quais os mecanismos de flexibilidade e real influência e definição que os interesses públicos terão na definição destas linhas ao longo do tempo.

A intermodalidade, o encurtamento de linhas e o aumento da necessidade de baldeações, por exemplo, deveria estar sendo questionado no sentido de saber por que os terminais serão objeto de licitação separada, e por que serão também privatizados… e onde se situarão? Por que baldeação deve ser feita em terminais gigantescos? Por que levar tanta ‘carga viva’ para tão poucos e específicos espaços que tenderão sempre ao colapso?

E as regras tarifárias? E os limites para o repasse e o subsídio? E o grau de risco do concessionário? Cadê a discussão?

Deixem a tabela de linhas em paz, vamos ao que interessa!

Enfim… pouco se ajuda a sociedade a ir direto ao ponto. É mais conveniente que ela discuta a camada de chantilly do que o sabor do bolo.

Valter Caldana

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Domingo no parque

…….

Passe uma tarde de domingo no minhocão.

Depois passe uma tarde de domingo na paulista.

Aí reflita sobre o que fazer com o minhocão.

Vale até mandar cobrir (como já foi sugerido).

Só não vale dizer que o que tem lá é bom
e que o parque está ‘pronto’.

Valter Caldana

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Interna Corporis

Vivemos hoje a composição de três graves problemas na formulação e administração (gestão) das políticas de desenvolvimento urbano em nossas cidades.

. O apagão urbanístico de 40 anos, que nos trouxe ao colapso e que nos exige, agora, uma velocidade inumana de transformação.

. A incapacidade do poder público, em espacial a máquina administrativa e seus agentes políticos superarem a visão vertical, especializada e fragmentada da elaboração de planos, programas e projetos. Aí se inclui sua incapacidade de perceber a diferença entre estes três.

. A completa e escancarada ‘corporativização’, disfarçada em especialização, da elaboração das políticas, planos e projetos, como se ainda hoje a cidade fosse feita por segmentos especializados.

Esta dificuldade em reconhecer e incorporar no seio da administração (gestão) o fato de que a cidade não é mais construída cotidianamente por agentes específicos (o setor imobiliário, o de transportes, o de saúde) mas sim por uma amálgama de agentes que possuem, em suas especificidades, interesses difusos e por vezes conflitantes faz com que praticamente todas as políticas públicas sejam ou frágeis e de curto e curtíssimo prazo de eficiência, ou sejam corporativas, tendenciosas e incompletas, não chegando nem perto de obter os resultados pretendidos.

Muitas vezes, inclusive, se materializando na forma de solenes e eficazes tiros no pé.Inter

Que nesta confusão não se acerte a cabeça, por Tutatis.

Valter Caldana

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Costa

Puxa, acabo de saber pelo face…
Minhas homenagens a este bravo professor que além de técnicas nos ensinou, incansável sempre, o quão incansáveis deveríamos ser na defesa de princípios democráticos para as cidades. E que estas deveriam sempre ser pensadas para pessoas. E que por isso deveríamos conhecer bem, e profundamente, os mecanismos e instrumentos, todos, de sua produção. Ensinou a ser atento e ler nas entrelinhas, num mundo desatento, apressado e que sequer lê linhas. Um abraço na família.

Valter Caldana

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E aí Mano Brown?

Cresci no bairro mais violento nos anos mais violentos. Estrategista sempre. A estratégia era sobreviver. E afrontar. Mano Brown

Belíssima entrevista de Mano Brown ao Le Monde (veja aqui).

Não é de hoje que eu insisto que a transformação radical da cidade é inexorável pois se trata de um movimento que vem de fora para dentro, da periferia para o centro, do além rios para a terra firme, do precário para o consolidado.

Quando em 2011 fizemos uma Bienal de Arquitetura buscando atravessar os muros da corporação com o tema ‘Arquitetura para todos, construindo cidadania’ já se buscava o estabelecimento desta ponte. Venha desenhar sua cidade era uma das instalações mais animadas.

Andar de bicicleta, ocupar as ruas, fazer hortas, resgatar cidadania, que aparentam ser descobertas recentes ou importadas de longínquos países europeus são práticas que se estabeleceram há tempos nas regiões mais precárias e menos equipadas da cidade como instrumentos estratégicos de sobrevivência e resistência a um modelo de desenvolvimento urbano falido que se insiste em manter, como um cadáver insepulto.

Andar de bicicleta não veio de Amsterdã, veio do extremo leste, do sul… A ‘vermelha’ ciclovia é consequência, não é causa.

A tosca partidarização a que parcela significativa da sociedade se submeteu e se submete ao discutir as transformações do modelo de desenvolvimento urbano atrasa, mas não impede, este fluxo. Por um simples motivo: o colapso do próprio modelo.

Valter Caldana

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