ah… os gregos

Axioma
nunca existe um único modo de fazer uma coisa.

Teorema
se há ao menos dois modos de realizar algo,
então há um terceiro.

Corolário.
Se houver três modos de fazer,
então haverá no mínimo um quarto…

Valter Caldana


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Banana madura

Muita gente se acostumou muito mal com Jânio, Jango, Collor e Dilma, que caíram como bananas maduras. Por isso estão achando que é fácil lidar com o presidente.A reação das pessoas ao anúncio feito hoje pelo presidente (selando o acordo com as FFAA) é risível… Aliás, como foi a reação a todos os anúncios anteriores. Só que não se leva em conta que ele cumpriu praticamente tudo o que anunciou até agora, desde o começo da campanha.

O que mais ele precisa fazer para que se acredite nele?

Me parece que mais ridículo do que esta reação era o plano infalível do Cebolinha…
Ooops, digo, o infalível esquema militar do general Assis Brasil.

Bolsonaro já promoveu, sem que ninguém levasse a sério, a reaproximação já sacramentada e agora está praticamente finalizando a rearticulação entre a direita fisiológica e os militares. Com um agravante, desta vez com amplo apoio da base, seja da chamada soldadesca, seja das camadas mais populares e numerosas da população.

Enquanto isso os Liberais Democratas (existem sim!), a Democracia Católica, a Social Democracia, os Trabalhistas e os poucos Socialistas que sobraram continuam achando que ele é apenas um boçal e seu grupo é apenas truculento.

Não querem prestar a menor atenção em suas declarações ou em seus atos.
Se recusam a enxergar um palmo adiante do nariz pois talvez as orelhas compridas estejam atrapalhando a visão. Preferem continuar se revezando entre o berço esplêndido, a pura alienação ou suas eternas briguinhas de alcova.

Depois vão ficar se lamentando no exílio.

Valter Caldana

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Fila única

Sobre a defesa da fila única para as UTIs, misturando equipamentos públicos e privados e organizada por critérios técnicos e sanitários e não por critérios sócio econômicos, como aventou o Dr. Gonçalo Vecina e repercutiu o Elio Gaspari…

A resistência das operadoras de saúde privada não é pelo dinheiro. Se fosse feita a fila ganhariam mais, muito mais, e mais rápido.

A resistência vem de um posicionamento ideológico e, em seguida, da preocupação com o estrago na imagem que isto traria junto à seus clientes classe B, B+ e A- (lembrando que os classe A não usam este tipo de serviço), que se sentirão traídos.

Valter Caldana

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Poderosa

A densidade
é uma poderosa arma
de apropriação de benefícios
(mais valia?) urbanos.
O problema, como sempre,
não está na arma,
mas nas circunstâncias e
no seu uso…

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Abafa o caso

Em boa medida a operação abafa o caso já começou…
Mais uma vez será discutido o acessório e não a questão central.

Ao contrário de se encarar e se discutir as contradições do sistema econômico e as distorções que este provoca nas cadeias produtivas e no acesso aos benefícios da vida urbana, sobretudo a desigualdade, se discutirá a densidade.

Claro, alegando-se que a elevação da densidade populacional urbana é a responsável pelas mazelas sanitárias do mundo, em especial dos países pobres ética, política e materialmente como o nosso.

Será uma discussão que virá, inclusive, com ares doutorais legitimada pelas vestes douradas de um saudável retorno às origens da urbanística moderna e do urbanismo sanitarista do início do século XIX, surgido para tentar recuperar os problemas de alojamento e reprodução da mão de obra surgidos após a Revolução Industrial do final do século XVIII.

Durante um bom período eu e tantos outros estivemos alertando que nosso marco regulatório, em especial a Lei de Zoneamento é totalmente anacrônica. Ultrapassada conceitualmente envelhecida tecnicamente, ainda insiste em se basar no lote (parcelamento e propriedade) e no tipo de uso para modelar a cidade quando deveria estar baseada justamente em fluxos, incomodidades e… adivinhe! Densidades!

Pois é. Quando esta deveria ter sido discutida e considerada na preparação das bases para um desenvolvimento mais humano e mais próximo da realidade, do cotidiano, não foi. Agora, na emergência, quando o problema é o modelo de desenvolvimento urbano espraiado, segregador e inacessível ela passará a ser o problema, nos condenando mais uma vez ao atraso.

A busca de saídas simplistas, desfocadas do problema principal e retro alimentadoras dos problemas estruturais já existentes (desigualdade e segregações à frente) vai colocar a questão da densidade já condenada no banco dos réus e em seguida vai submetê-la à execração pública, antes de tentar executá-la.

Ocorre que, como com outros conceitos seminais e estruturadores da vida humana no planeta, a densidade urbana apanha, sofre, vai à míngua, mas sobrevive.

É preciso que fique claro.
Vilanizar a densidade numa cidade desigual por modelo não é só conservador. Ressuscitando uma palavra quase morta, é reacionário. Anda para trás.

Para quem tiver um tempo livre e curiosidade, segue um (longo) texto sobre este e outros assuntos correlatos.

Valter Caldana

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continua em Primeiros aprendizados
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