PRO BRASILIA FIANT EXIMIA

São Paulo se colocou desnecessariamente numa encruzilhada.
Estranho, para um estado que ainda se considera inteligente, liderança nacional hegemônica, que pensa carregar o país nas costas, que diz se orgulhar de sua produção científica, industrial, agrícola e de serviços, que se enxerga como uma locomotiva. Que se acredita progressista e empreendedor.
Ao se colocar nesta situação bizarra SP conseguiu se igualar ao que há de pior no país. Divisão, dicotomia, obscurantismo… E, assim como o país, conseguiu se colocar, tragicamente, numa situação sem saída a curto prazo.
Com um agravante.
Nós, que poderíamos ser, mais uma vez como fomos nos últimos 120 anos, um instrumento de avanço, de superação, de firmeza, ação e desenvolvimento para o Brasil, a partir de agora seremos apenas mais um… Apenas mais um peso, enorme, a compor o lastro que nos amarra e imobiliza.
A metade dos paulistas que abriu mão da solução conservadora que lhes estava dada, disponível para reiterar suas mais sólidas convicções, em favor do bolsonarismo e tudo o que isso significa para a nossa indústria, para o comércio, para os serviços básicos e de ponta, para a ciência e para as relações internacionais, para a cidadania, revelou a dura realidade. Uma vez divididos, somos um estado igual.
O resultado da eleição de hoje não é, como alguns aqui da lista tem insistido, entre dois polos, entre dois extremos. É entre confirmar ou protelar nossa equiparação, nossa diluição na geleia geral brasileira.
O povo que teve coragem de enfrentar uma guerra interna, a sociedade que reagiu à derrota bélica criando uma Universidade de ponta, investindo na agricultura intensiva, na indústria, na ciência e tecnologia já não existe mais, posto que desunido.
O povo que teve coragem de atravessar os mares mais bravios nas piores condições imagináveis, da China, Japão, Coreia, Oriente Médio, África, Europa, Mediterrâneo… já não existe mais, posto que desunido.
O povo que teve governadores como Campos Sales e Salles Oliveira, Carvalho Pinto, Paulo Egídio Martins, Franco Montoro e Mário Covas, que se habituou a inovar, avançar e liderar… se recolheu, se encolheu.
Se dividiu.
E, assim, divididos, nos colocamos como o que somos: apenas herdeiros.
Imaturos, ineficazes, (medíocres ?) e tementes a fantasmas.
Incapazes de entender o que significa nosso maior legado:
pro brasilia fiant eximia.

Valter Caldana

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