Oportunidades que se vão…

As oportunidades que desperdiçamos.

Além da compreensão do que é coisa pública e do que é a cidade contemporânea, que de palco de negócios se tornou o negócio em si mesmo, deem uma olhada nos números desta matéria e vejam as oportunidades que desperdiçamos.

A prefeitura de Barcelona conseguiu crédito de 125 milhões de euros (ou R$ 430 milhões)  do Banco Europeu de Investimentos para construir 1098 unidades de locação social para idosos e famílias sem acesso à habitação.

Numa conta rápida, temos que cada unidade sairá por mais ou menos R$400.000,00 ou seja quase quatro vezes mais do que custariam aqui. Deixemos por três vezes mais para compensar diferenças de tamanho, etc. Ok. Deixemos por duas vezes mais.

Considere que o rendimento e taxa de retorno do investimento por unidade lá ou aqui seja semelhante.

Pergunto: se você puder investir seu dinheiro para fazer a – X habitações com Y% de retorno ou b – 2X habitações com quase 2Y% de retorno, com o mesmo risco quase zero (pois garantido por governos) onde o colocaria?

Então…

Se um governo municipal de uma cidade que tenha terras e exclusividade constitucional para formular políticas públicas de uso e ocupação do solo, moeda fraca, tecnologia média e demanda alta (se reconheceu  ?) fizer a lição de casa e formular a política, planejar o plano e projetar o projeto ele não precisa fazer road show para vender a cidade na bacia das almas. Ele pode ir lá fora vender oportunidade, obter resultados e implementar felicidade!

Ou, ao menos, esperança. Pense nisso.

Valter Caldana

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Sem querer querendo

Deu na folha que a Polícia Federal disse que Sarney, Juca e Renan não obstruíram a lava a jato. <leia aqui> Teriam apenas demonstrado intenção.

Eu não me atreveria a perguntar, neste caso, qual a diferença entre ‘intenção’ e ‘conspiração’, pelo simples motivo que alguém poderia querer me explicar e eu, então, teria que ouvir…

Valter Caldana

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Quem nos trouxe não nos leva

A infeliz fase em que se encontra o debate político no Brasil tem feito com que além de nos emburrecermos estejamos ainda mais brutos do que sempre fomos.

Não é partidário ou ideológico se indignar com uma ação desta natureza, acordar moradores de rua com jatos de água fria, com um policial que tortura um sujeito dentro de um barraco a marteladas para depois fuzilá-lo ou outro que atira em um carroceiro faminto e em seguida também o fuzila com dois tiros no peito a queima roupa. E me refiro a casos que têm apenas quinze dias de vida.

Não adianta berrar “não aconteceu”!!! Usar a cegueira e a surdez como mecanismos de auto-indulgência nos trouxe até este show de horrores. Não vai nos tirar dele.

Valter Caldana

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Nem um PIU!!

Uma das únicas formas da prefeitura poder atuar com eficiência nas políticas públicas em geral e no desenvolvimento urbano e habitação em especial é ela poder dispor com agilidade de instrumentos de compra, venda, troca e permuta de áreas.

Defendo há tempos que ela deve ter menos amarras legais para isso e que o principal critério tem que ser o projeto. Ou seja, toma-se a decisão baseada em dados concretos e intenções futuras. Política, plano e projeto. Por isso estamos falando em políticas públicas e não em negócios imobiliários, simplesmente.

Pois bem, a primeira providência que o poder público toma para trilhar este caminho é, numa só ação, atropelar a Câmara e abrir mão de projeto!! Reduzindo a questão a uma operação imobiliária onde vale o preço e não o valor, onde se tem a ação mas não se tem nem projeto, nem plano, nem política a sustenta-la… Isto por que estamos numa cidade que já tem o PIU à disposição!

Definitivamente, nunca tem um jeito só de fazer as coisas…

Valter Caldana

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Venda, troca, permuta ou doação?

É mais simples do que parece.
Cyrella e Settin fazem negócios imobiliários.
Como todas as outras, como toda a cadeia produtiva do setor, como eu mesmo em meu micro escritório quando faço projetos comercialmente.

O ambiente de negócios de todas estas empresas é a cidade e o mercado, óbvio, porém mais especificamente, o contexto é a política de Desenvolvimento Urbano e seus marcos regulatórios, inclusive os de mercado.

O poder público, executivo e legislativo, fazem política de desenvolvimento urbano. Portanto, cabe a eles definirem o ambiente de negócios e suas diretrizes, marco regulatório, limites, estímulos, induções. E, de modo diverso das empresas e mesmo das pessoas, não a partir de legítimos interesses e critérios específicos, mas sim de critérios e interesses difusos e públicos.

Toda vez que o poder público atua com critérios de quem faz negócio, deixa de fazer política pública e desregula o ambiente . A recíproca é verdadeira: toda vez que empresas, e mesmo grupos de cidadãos, deixam seu campo para atuar diretamente dentro do poder público também desregulam, desequilibram o ambiente.

Para evitar as tensões naturais advindas deste mecanismo e, mais do que isso, capitalizá-las, existem hoje as metodologias participativas, fundamentais para que o sistema se mantenha equilibrado e que válvulas de pressão funcionem para evitar uma explosão de energias acumuladas lá ou cá.

Pois bem. O que se está vendo no caso do penúltimo capítulo do Parque Augusta, que parecia ser o último, e se vê também em incontáveis outros casos, é o poder Público, prefeitura à frente, se travestindo. E, não raro, o setor privado idem.

Vejamos: o que significa vender, permutar ou doar área pública sem projeto, sem objetivo, sem fim específico local, regional e municipal no contexto de uma política pública já definida? O que, onde, porque, para quê, por quanto?

Se neste momento a prefeitura priorizou, em termos de política pública de desenvolvimento urbano, no contexto do plano diretor estratégico e demais elementos do marco regulatório sob sua responsabilidade, o arco Jurubatuba, os Terminais e a Cracolandia, com habitação de interesse social e mercado popular na base, não é mais lógico, e óbvio, que a permuta de áreas referentes ao Paraue Augusta seja feita nestas regiões, no sentido de alavancar a própria política pública de desenvolvimento urbano?? *

Valter Caldana

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* favor notar que no texto não coloco em discussão o mérito da necessidade de permuta de área pública para a obtenção do parque Augusta nem tampouco a opção da prefeitura pelo arco Jurubatuba ou pela Cracolândia.

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