Planejar para que, para quando?

ou a preparação para a era de aquarius

Depois da pérola de que não se planeja durante uma emergência, agora danou-se de vez. Os dois lados entendem e partem do princípio de que fazer a revisão do plano é fazer outro plano.

Bem, …, sendo assim, resta pouco a dizer.

Só continuo achando estranho que a defesa dos princípios técnicos, econômicos, ambientais, sócio-culturais e político-administrativos do plano, que deveria se manter até 2030 e não serem alterados agora, sejam tão facilmente ‘limados’.

Sim, pois, ao admitir que a revisão do plano vai rever os destinos da cidade – objeto de um plano novo – está-se admitindo que o atual plano se encerra em sua revisão.

Em minha opinião, claramente minoritária, a revisão do plano, enquanto tal, seria apenas tópica, de instrumentos. Instrumentos estes que foram colocados dentro do plano (apesar de avisos de que não era uma boa ideia) e, como era de se esperar, lá, foram mal regulamentados.

Mas, instrumentos que são essenciais para que as diretrizes do próprio plano se efetivem e gerem ainda mais efeitos positivos do que já aconteceu… e inibam os efeitos negativos e distorções que já se detectou.

Por exemplo, é fundamental rever os PIUs, de grande potencial transformador, mas cuja utilização foi claramente desvirtuada, invertida, escalas equivocadas… Virou um jeitinho e, portanto, praticamente todos estão judicializados.

É fundamental melhorar o cálculo da cota ambiental, ampliar a abrangência da cota de solidariedade (e aproveitar para mudar este nome preconceituoso – habitação é direito e interessa a todos, não é por solidariedade que ela deve ser política de Estado), ajustar o cálculo da cota-parte e das vagas de carro nos residenciais, fazer, de uma vez por todas, a Lei do Retrofit…

Tudo isso poderia, deveria, ser feito por leis complementares e algumas coisas até mesmo por decreto. No entanto, uma vez no plano, seria mais legítimo, importante, que a determinação da regulamentação saísse da revisão do plano. Claro, óbvio, inquestionavelmente, a partir de processo participativos e, insisto, colaborativos.

Não vai ser assim. Pois o que se pretende, claramente colocado agora mesmo por quem esteve na defesa dos princípios do plano atual, é rever o plano do ponto de vista de sua estrutura conceitual. Ou seja, revoga-se o plano a meio caminho.

Como a especialidade maior do país é perder oportunidades e o esporte predileto é o voo de galinha, não surpreende. Mas, não me venham depois com esta ladainha insuportável de que a cidade cresceu e cresce sem planejamento.

O jeito, pelo visto, é esperar a chegada da era de Aquarius.

Valter Caldana

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O coelho e a bazuca

Parece que o IPHAN, o mais improvável nas três instâncias que cuidam do patrimônio histórico no Brasil, abriu processo de análise de tombamento do Ibirapuera. Em última análise é, sim, um alívio.
Está temporariamente a salvo o que vinha sendo alvo de uma operação voraz e altamente deficitária ao patrimônio público do ponto de vista sistêmico e estratégico.
Mas, é também uma pena!
Uma pena??? Por que?
Por que estes processos são demorados, caros e, no seu ínterim, tudo fica congelado, não respeitosamente tombado. E, sim, isto é péssimo. Se está abatendo um coelho com um tiro de Bazuca.
Ah! Então a movimentação de amplos e diversificados setores da sociedade é culpada pela imobilidade perversa de uma enorme área da cidade (me refiro ao entorno, que também congela, não ao Conjunto em si) que tem alto potencial de investimento privado e, portanto, de geração de benefícios coletivos na economia?
NÃO!!!
Culpado é quem deixou a manutenção e o uso daquele patrimônio público de ALTO valor estratégico e econômico chegar onde chegou por pura incompetência e inação.
É quem, tendo a responsabilidade de governar priorizando o raciocínio e o interesse públicos não o fez quando deveria e, para piorar, propõe como ‘solução’ aos problemas causados um projeto equivocado do começo ao fim, eivado de subreptícias consequências nocivas.
Culpado é quem, ao se comportar deste modo, não deixou alternativa à sociedade senão recorrer a um expediente, o uso emergencial de um instrumento exagerado para o caso, para protegê-lo, liminarmente, de uma tragédia e um dano irreparável.
Foco, é preciso ter foco.
Não dá para não ver um troço deste tamanho.
Não dá para não ver que a sobreposição das metodologias e raciocínios estratégicos públicos por metodologias, modo de pensar e agir privados impressos nos programa de privatização de cunho ideológico está levando a desastres como o Anhembi, Interlagos, CEAGESP, Regional Pinheiros, etc…
Privatizar, conceder, fazer parcerias é necessário, é bom e faz parte da história de nossa cidade e nosso estado.
Mas, parceria publico privado.
Quando é privado privado ou público público, não dá certo.
E agora?
Agora, perdemos todos.
De novo.
Valter Caldana

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Pura Energia

A partida da Carol Pura Energia Triptyque Bueno, jovem e brilhante, é uma pancada muito forte, que abala todos.

Nós, mais velhos, somos agredidos mais uma vez pela lembrança da insignificância e da fragilidade da existência, já tão cantada e decantada pela filosofia, retratada nas artes… Além de despertar aquele sentimento difícil de lidar de impotência diante do definitivo.

Mas, quero aqui lembrar o peso e a força desta perda sobretudo para os mais jovens, menos calejados, pouco ou nada habituados à dor da perda real e definitiva.

Carol é exemplo e motivação de forte presença entre os estudantes de arquitetura há anos, seja pela produção, pela questão de gênero, etária, seja por qual porta se pretenda olhar.

É notória a sua presença, e de seu escritório, no imaginário destes jovens. É a materialização do “é possível”, do “estamos lá”, do “é logo ali”.

Espero fortemente que sua partida seja também uma lição marcante e que a dor da sua perda seja aplacada pela força de sua obra e ofuscada pela luz da sua presença. Não somente, mas sobretudo nas jovens trajetórias de jovens profissionais e estudantes que a tem na mais alta conta.

Parabéns Carol!

Valter Caldana

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Amanhã?

Não cobre ponderação ou
visão de futuro de

quem não tem amanhã!

Valter Caldana

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Bruno

O Prefeito Bruno tem se especializado em rotas improváveis e muita turbulência.

No quadro político atual, se destaca pois se sai com muita dignidade e competência acima da média. Afinal, sob o manto da velocidade e da competência tivemos muito, mas muito recentemente um exemplo de como a administração e as políticas públicas podem desandar aceleradamente…

Mas, confesso que continuo no aguardo de um pouco mais de coerência e de um forte grito, um brado de independência.

Valter Caldana

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