Foi sem nunca ter sido?

Sobre o significativo aumento da participação da ‘força’ no governo, quero lembrar que no Brasil nunca houve hiper-inflação.

Os cinquentinhas aqui devem se lembrar que bem no meio da tempestade hiper inflacionária, quando chegamos a 80 é tantos por cento ao mês e praticamente 2.000% a.a. a retórica da época era: Brasil a caminho da hiper inflação, estamos a um passo da hiper inflação.

E depois, como num passe de mágica: Brasil vence a hiperinflação! Sem nunca ter tido hiperinflação! Kkkkk

Ou seja, foi sem nunca ter sido. Pode isso Arnaldo?

O fato é: nossa sociedade é, visivelmente, como o pior cego.

Valter Caldana

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Simultâneas

Declarações que preocupam:

“Não há risco de golpe militar”
(temer)

“O RJ é um laboratório para o Brasil”
(Gen. Walter Braga)

Valter Caldana

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Ibirapuera: quem segura?

Prefeitura entrega Ibirapuera. (leia aqui)

Três perguntas de alguém que, inclusive, não é contra a ppp na gestão de parques.

1)
35 anos…
uma prefeitura que não consegue segurar uma Lei de Zoneamento por dois anos conseguirá segurar um parque por 35?

2)
R$ 1.900.000,00 / 13.000.000 = R$ 0,15 por visitante ano?

3)
Quando se pretendeu construir o Auditório, salvo eu esteja sendo traído pela memória, o MP questionou a impermeabilização e a destruição do gramado da área que seria por ele ocupada atrasando significativamente a obra que estava, inclusive, prevista no projeto original. Mais tarde, os órgãos de preservação do patrimônio impediram a realização de um projeto do próprio Oscar que previa o ´encurtamento´ em alguns metros da marquise entre Oca e Auditório. Este zelo todo valerá para a construção de novas lanchonetes e quetais?

Valter Caldana

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Liberal no Brasil?

Com uma pitada de ironia, segue uma sugestão para um governo liberal injetar uma boa dose de capitalismo (não de Estado) na gestão da coisa pública.

Por que não entregar à iniciativa privada a possibilidade de construir a extensão da marginal pinheiros com recursos dela própria (não de bancos públicos ou do tesouro do Estado)?

Ao invés de vender terreno no atacado, como se está fazendo no Anhembi, em Interlagos, na Regional Pinheiros, em breve no Ceagesp, nos parques, entre outros, por que não fazer parcerias produtivas para construir cidade?

Cada um entra com o que tem: a prefeitura entra com a terra e a legislação, o grande capital entra com o capital (o dele) e os detentores da capacitação técnica entram com a capacitação técnica.

Seria isso uma parceria público-privado?

Sugestão de parâmetros de projeto:

Ser projetada como uma avenida urbana e não como uma auto-estrada, contendo:
. áreas para pedestres caminharem e estarem,
. comércio e atividades outras,
. pontos de ônibus e outros meios de transporte coletivo,
. muita vegetação e
. um interessantíssimo e criativo sistema de drenagem que poupará o rio, diminuindo drasticamente o volume e a velocidade de chegada de água pluvial, de água servida, efluentes outros (inclusive industriais, ainda presentes em monta na região).
. por fim, deve ser projetada não apenas do ponto de vista de sua geometria viária mas em conjunto com a ocupação proposta e prevista (densidade e incomodidade, geração de emprego e renda) em pelo menos 250m a 300m bairros a dentro.

Assim, ela poderá ser o parâmetro, o exemplo de como ficariam as demais marginais quando reurbanizadas num futuro próximo…

Valter Caldana

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À sorrelfa

ou de como trocar um projeto de país por um projeto de poder

É sempre bom lembrar que de 1982 a 1986, período em que nossa geração que tem hoje uns 50 e uns pegou a rabeirinha de um projeto de país, Brizola fez os CIEPs no Rio (Darcy, Oscar e tantos) e Montoro praticamente zerou (!!!) o déficit de vagas em São Paulo (Conesp-FDE Mayumi João Honório e tantos). Me lembro dele falando ‘resolvemos as vagas, agora é garantir a qualidade’.

E olhe que fizeram isto mesmo em um ambiente político pouco propício (tecnicamente ainda uma ditadura, ou regime “forte”) e no início da verdadeira maior crise econômica recente, sob o manto da hiperinflação que se avizinhava e da crise da dívida externa que se armava para explodir poucos anos depois.

Foi no momento em que o projeto de país foi substituído por um projeto econômico (inicialmente forçado pela explosão das duas crises simultaneamente – dívida e demanda) e logo depois, à sorrelfa, quando ambos foram trocados pela submissão subserviente ao economês, ao financismo e ao rentismo exacerbados associados confortável e despudoradamente à corrupção pmdbista herdada dos porões da burocracia ditatorial que tudo desandou.

Ou não nos lembramos mais da famosa frase síntese deste período “quebrei um banco, mas elegi meu sucessor”?

É importante termos clareza que aquele foi o ponto de inflexão que nos trouxe até esta situação insustentável em que estamos. Momento ao qual se seguiram os sucessivos governos de um pmdb já dominado pelo que havia de mais podre na máquina administrativa e na estrutura política do Brasil profundo.

Podre e habilidoso o suficiente para fazer com que os jovens psdb e pt fossem comer em suas mãos como patinhos famintos, o que vêm fazendo até hoje.

E achando que estão abafando, tadinhos.

Ai de nós!

Valter Caldana

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