A grade: um sonho de consumo.

Este vídeo  [veja aqui] é revelador.

Vida real!
Uma aula de construção de cidadania
Um exemplo de quão grande é o nosso desafio
Uma pequena mostra de que a excelência técnica de nada adianta sem o envolvimento, o engajamento e a mobilização da sociedade.

Se de modo paradoxal os usuários demandam o fechamento de portas para seus iguais, para seus vizinhos, isto nada mais é do que a expressão de seu próprio repertório. O mesmo que se vê em toda a cidade, em todos os perfis socioeconômicos.
Logo, o problema está em como se forma e como se pratica este repertório.
O problema é político, muito mais que técnico ou econômico.

E o sistema político tão longe… tão distante, com discussões tão bizantinas e amesquinhadas.

Faz tempo que não falo, até por que para mim já se tornou caricato.
Constituinte Já!
Por um novo pacto social, que nos permita por o dedo nas feridas e superar estas amarras.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , , , | Leave a comment

Criativo e firme ou paliativo?

Proposta de zoneamento pode permitir instalação de equipamentos públicos em áreas verdes periféricas.

[leia aqui]

A falta de terrenos para a construção de equipamentos públicos da maior importância – creche, escola, posto de saúde – é um problema grave que deve ser fortemente combatido com medidas firmes e criativas por parte do poder público. Ok…

Mas romper a integridade de praças e áreas verdes não deveria fazer parte do rol de soluções criativas… É medida paliativa. Veste-se um santo para desnudar o outro.

Não é tirando área ou desconfigurando um equipamento imprescindível que se solucionará a falta de áreas para outro equipamento também imprescindível. Ou as áreas verdes na periferia são prescindíveis? Além disso, as praças que já possuem estes equipamentos – República, Buenos Aires, Luz, etc – já nos mostram que não é sequer uma solução tão boa assim… ao contrário, é bem questionável.

Talvez soluções firmes e criativas estivessem mais ligadas a
. reaver áreas ocupadas indevidamente, tais como centros de treinamento, clubes e etc.;
. retrabalhar o patrimônio de heranças vacantes, mais abundantes do que se imagina;
. acionar grandes devedores de impostos – IPTU e ISS (como no recente caso da Chácara do Jockey) e negociar estas dívidas por glebas, terrenos ou imóveis;
. trabalhar incessantemente para que o poder público possa usar o seu poder de compra (e venda), compondo um estoque regulador de terra urbana baseado em ativos reais, esta sim uma solução criativa, consistente e definitiva.

Soluções paliativas se eternizam, e, neste caso, além de ser um simples paliativo, a proposta parte do princípio de que, por definição, áreas verdes, de encontro, de lazer, de descontração e de desconcentração urbana, sobretudo em nossa periferia, onde estas fazem tanta falta, são utilizáveis para outros fins, ainda que nobres.

Os movimentos sociais e culturais existentes na periferia de São Paulo, do Hip Hop aos Saraus Literários mostram que foi ali que começou o saudável resgate do espaço público pelo cidadão, movimento que chegou à cidade consolidada mais de dez anos depois de iniciado.

Fico sempre em dúvida aonde os paliativos vão nos levar enquanto cidade e cidadania?
São Paulo não é uma cidade para aspirinas!

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , , , , | Leave a comment

Atendeu o meu? Então valeu!

A Folha traz hoje uma matéria muito boa da jornalista Fernanda Mena sobre a reação de segmentos da sociedade à algumas transformações que vêm ocorrendo na cidade.

Leia aqui.

Sobre esta questão e outras de mesma natureza tenho me perguntado muito se nosso maior problema é
(i) o estágio histórico em que nos encontramos (outros países, outras sociedades e outras cidades já passaram por estes dilemas há 30, 50 ou mesmo 100 anos atrás), se é
(ii) simples ignorância, no sentido mais generoso da palavra, que pressupõe o desconhecimento que leva o sujeito a adotar uma posição equivocada e prejudicial a si mesmo, se é
(iii) descrença associada ao pavor da transformação, como a daquele animal que passou tanto tempo em cativeiro que se recusa a sair em liberdade pela natureza ou se é,
(iv) simplesmente uma atroz vocação para viver numa latrina…

Eliminando a hipótese (iv) por uma óbvia questão de autoindulgência, fiquemos então num intervalo qualquer entre as hipóteses (i) e (iii).

Por isso, antes de idealizar ou demonizar os aflitos moradores da Vila Leopoldina, condenando-os ao fogo do inferno por sua postura segregadora e preconceituosa ou idealizando-os por estarem colocando a boca no trombone em defesa de seus investimentos e seu projeto de vida ameaçados por uma alteração de rumos da política urbana, que tal qualificar a discussão?

Como? Fazendo propostas alternativas reais.

Organizações sociais de luta por moradia, mercado imobiliário, coletivos, organizações corporativas (CAU, CREAs, IABs, Sindicatos, etc.), poder público, agentes econômicos diversos, o comércio, a indústria, universidades, imprensa, todos dizem ter soluções para a alteração do modelo de desenvolvimento urbano rodoviarista e espraiado, rentista e segregador de São Paulo.

Que mostrem, então, as possibilidades, as alternativas, nacionais, internacionais, pensadas, imaginadas, escritas, desenhadas, declamadas que demonstrem não apenas a possibilidade ou a viabilidade, mas também a necessidade de uma cidade compacta, densa e de uso misto do ponto de vista funcional, programático e, sobretudo, sócio econômico.

Que surjam as alternativas que demonstrem que esta cidade mista, compacta e densa se mostrou, desde o final do século XIX, mais cara de se fazer, porém mais barata para se manter, mais inclusiva, mais justa, mais humana, mais agradável, mais funcional e, inclusive, mais rentável até mesmo do ponto de vista da valorização dos imóveis individuais, em todos os lugares onde foi adotada – de New York ou Boston a Londres ou Amsterdam.

Mas que se faça isso com os olhos na dura realidade cotidiana de um país onde a segregação e o preconceito estão desenhados em suas cidades, porém tatuados em sua estrutura social.

O fato é que ninguém mostra! E quando mostra, minimamente, acaba por demonstrar uma enorme dificuldade de sair de seu próprio território, de seu quinhão de interesse, muitas vezes se dando por satisfeito com o atendimento mínimo de suas reivindicações setoriais/corporativas básicas e a manutenção de seu status quo.

Assim tem sido desde a discussão do Plano Diretor e será mais ainda nesta discussão do Zoneamento. O lema é: “atendeu o meu, então valeu!”, pouco importando as consequências para a cidade de todos, um conceito ainda longe de ser incorporado ao cotidiano do brasileiro, acostumado com a ideia de que o que é de todos é de ninguém.

Deste modo, considerando o modelo de Lei de Zoneamento proposto pela Prefeitura, que mantém os anacronismos básicos da legislação em vigor (que nos colocou neste apagão urbanístico de 40 anos) e reafirma a visão de que a cidade é uma somatória de fragmentos justapostos, é de se esperar que segmentos da sociedade que cresceram acreditando no mito da cidade não planejada se sintam desamparados ou agredidos, confrontados consigo mesmos e com a possibilidade de ver seus projetos de vida se desmoronarem.

O que talvez não saibam é que não correm este risco pela presença de uma vizinhança “indesejável” ou “diferenciada”, mas sim pela convivência com políticas frágeis e projetos de baixíssima qualidade.

Valter Caldana

leia também

Posted in cotidiano | Tagged , , , , , , | Leave a comment

Irmãos siameses

Só para lembrar…
Zoneamento e congestionamento são irmãos siameses.

O que resolve o problema de trânsito – sobretudo o congestionado, este que te irrita tanto e te custa tão caro por dia, por semana, por mês, por ano, por uma vida! – é uma política adequada de uso do solo, que determina a quantidade de viagens – e não o sistema de transporte público, como se costuma acreditar.

No desenvolvimento do projeto de Lei de Zoneamento (parcelamento, USO e ocupação do solo) o Executivo acabou recuando na proposta de limitação de vagas de estacionamento por pressão do …..

(quem pensou no vilão de sempre, o mercado imobiliário, … errou!) por pressão do próprio Executivo, neste caso da CET, que exigiu a volta do número mínimo – e gratuito em termos de metros² – de vagas para usos não residenciais.
Retrocesso antes do avanço?
Eu quero o avanço!

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , , , , , | Leave a comment

Vem prá rua, São Paulo!

Qual a dificuldade de entender que esta cena da foto pode acontecer em qualquer rua de São Paulo que seja fechada nos finais de semana?

E por que não acontece?

Aliás, desde 2013 costumo dizer que a Paulista deveria ser fechada aos domingos, assim como um sem número de outras ruas da cidade que contam com equipamentos culturais de qualidade, no centro e na periferia…

Prefeito Haddad, que tal algo como uma campanha “Vem prá rua São Paulo!“, uma mini virada cultural diurna e semanal…

Fora isso, fazer “footing” linear e comer no asfalto do minhocão continua lembrando, para mim, a graça de tomar banho de bacia e canequinha quando se tem chuveiro em casa…
… Diversão e boas lembranças, mas puro desfrute diletante.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Tagged , , , , , | Leave a comment