Sobre a corrupção nos processos de aprovação de imóveis na Prefeitura de São Paulo

Tudo começa na falta de transparência. E esta está presente desde a redação das Leis, Decretos e Portarias.

Na nossa Legislação urbanística o cidadão é culpado até prova em contrário, o que é um herança nefasta de outros tempos (e não me refiro apenas ao último ciclo ditatorial…).

Há anos existe a sugestão de que se faça uma Consolidação da Legislação Urbanística de São Paulo. Mais recentemente, estamos sugerindo à Prefeitura, via Conselho Municipal de Política Urbana, que se elimine a figura inexplicável das “Áreas Computáveis” e “Áreas não Computáveis” para começar a simplificar o acesso do cidadão e dos empreendedores à legalidade.

Também há anos existe a sugestão de que os processos não especiais sejam analisados por estagiários de último ano de engenharia e arquitetura que não ficariam com esta incumbência mais do que um ano, promovendo um saudável rodízio ara esta função.

Mas, o mais importnate, é que a legislação tem que ser declaratória, ou seja, engenheiros, arquitetos e empreendedores não deveriam ter que “pedir” autorização para fazer (como médicos, advogados, dentistas não o fazem), mas sim declarar o que vai ser feito e assumir as responsabilidades legais, civis e criminais, diante da legislação e da sociedade, pelo que será feito.

O silêncio do CAU, do CREA e outros entidades corporativas sobre o assunto é ensurdecedor…

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sobre o projeto de enterramento da fiação na cidade

A Eletropaulo – que é uma empresa privada prestadora de serviços – está apresentando uma conta de quase R$ 15 bilhões a serem gastos em 15 anos. E dizendo que o impacto sobre nossas contas de luz será da ordem de 5% a 10%…

No entanto, a “conta” da Eletropaulo não leva “em conta” otimizações tecnológicas nos sistemas de abertura e fechamento de valas, não leva em conta alterações na tecnologia de distribuição de energia, não leva em conta o rateio entre todas as concessionárias que hoje se servem do posteamento da cidade (e que pagam pelo uso dos mesmos) e, por fim, não leva em conta ganhos de escala.

Aparentemente, salvo outra informação mais precisa, o estudo multiplicou uma unidade (US$ 2.000.000,00 x Km gastos em experiências localizadas) pelo total de Km a serem enterrados no centro ampliado de Sampa. Algo como perguntar o preço de um sabonete e, então, fazer uma proposta pela compra da fábrica… Em NY este custo é mais ou menos a metade (parece que o o sabonete também…).

Mas, independentemente desta metodologia – já que o projeto não está pronto – vale lembrar que só na obra de “reforma” das marginais foram gastos, 3 anos atrás, R$ 2.000.000.000,00. Assim, talvez investir R$ 1 bilhão por ano pelos próximos 15 anos seja “pensável”.

O que é impensável é São Paulo não tomar o mais rapidamente possível atitudes imprescindíveis para a construção da cidade do século XXI.
Entre elas está a manutenção da Lei Cidade Limpa, o enterramento dos fios, um amplo e forte projeto de arborização e a pedestrianização (calçamento) da cidade.

Coisas simples, que dependem mais de vontade política coletiva – dita governança – do que de qualquer outra coisa.

> ouça entrevista rádio cbn <

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São Paulo, tempo de decisão.

A desistência por parte da Prefeitura de iniciar algumas obras viárias de grande porte previstas para os próximos anos, inclusive no Arco do Futuro, pode ser entendida de duas maneiras.
De um lado, o entendimento de que a atual gestão se apequena e sucumbe diante do problema de caixa, assumindo posição confortavelmente austera quanto ao empenho das verbas orçamentárias (in)disponíveis. Porém, se colocando numa posição pouco afeita ao espírito ousado e empreendedor paulistano e abandonando, assim, parte da motivação de sua eleição.
De outro, e é o que se deseja, o entendimento de que a atual gestão se dispõe, corajosamente, a enfrentar o maior desafio que a cidade de São Paulo tem diante de si nos últimos 80 anos: definir as diretrizes conceituais e as bases reais da cidade do Século XXI, superando o atual modelo vigente.
Na primeira hipótese a desistência é mal sinal.
Diminuir investimentos, sobretudo em infra-estrutura, se mostrou sempre um mal caminho a longo prazo, gerador de déficits monstruosos como os que temos que pagar ainda hoje.
Que o digam os movimentos populares, que enfatizaram com inequívoca clareza que as questões ligadas à saúde, educação, transporte, lazer se complementam, se consolidam e se materializam na questão urbana e na qualidade de vida daí decorrente.
No entanto, observada a segunda hipótese, o que se tem é a possibilidade de que a gestão do Prefeito Haddad esteja sinalizando de modo concreto que pretende enfrentar o desafio de mudar as bases do desenvolvimento urbano de São Paulo.
Deste modo, estaria encarando a dependência química aguda que nossa cidade tem do transporte individual como forma privilegiada de locomoção e auto-afirmação. E respeitando os processos em andamento de consulta à sociedade para a revisão do Plano Diretor e dos demais instrumentos de planejamento da cidade, incluída a tão cobiçada Lei de Zoneamento.
Se assim for, que seja bem vinda a decisão.
São Paulo vive hoje a necessidade inadiável de se redefinir. É preciso lembrar que a cidade que usufruímos é fruto de decisões corajosas que foram tomadas a 80, 100 anos atrás. As obras de remodelação do centro entre os anos 1910 e 1920 e o plano de avenidas de Prestes Maia, reafirmado por décadas e prefeitos no século passado, foram decisões e projetos ousados que construíram a cidade, com sua pujança e seus problemas.
Portanto, é preciso ver que se não forem tomadas decisões à altura das necessidades e da grandeza de São Paulo, corremos o risco de ficarmos, nos próximos anos, apenas com os problemas, sem a pujança. E este é o pior dos cenários possíveis.
É chegada a hora de assumirmos, coletivamente, que o modelo de cidade dispersa e rodoviarista que nos trouxe até aqui se esgotou, está exaurido e sem combustível. Não só não gera mais desenvolvimento e negócios, como os impede. Não só não gera mais oportunidades de inclusão social e desenvolvimento humano, como se mostra perigosamente excludente e segregador.
Assim sendo, superar o atual modelo e construir as bases da cidade do século XXI, compacta, pública, eficiente, inclusiva e bela é o desafio que está colocado para esta gestão e para a sociedade. E, se for para trilhar este caminho, adiar estas obras pode ser um marco positivo.
Aguardemos os próximos passos.

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+ constituinte

Nosso sistema político está corrompido, carcomido.
É uma estrutura que hoje não sustenta nem mesmo seu peso próprio. E temos que lembrar que os sistemas administrativos e de gestão são derivados do sistema político, e não o contrário.

Por isso já há algum tempo alguns têm defendido que é hora de uma Constituinte, independente.
Não exatamente a proposta da presidente, de fazer uma constituinte exclusiva para o debate de um tema… isto é uma contradição em termos. O poder máximo de uma Nação e de um Estado num determinado momento histórico é a Assembléia Nacional Constituinte. E ela pode, e deve, discutir tudo.

No Brasil, desde a independência e particularmente no século passado, a vida média de uma Constituição ficou entre 20 e 25 anos, a idade da nossa Constituição Cidadã.

E, vale lembrarmos: se de um lado esta Constituição nos trouxe avanços enormes, dos quais desfrutamos deliciosamente hoje, no que tange à liberdades individuais e coletivas e mesmo em relação à organização do Estado e do pacto federativo (que a mesma reafirmou e consagrou), por outro lado, até mesmo em função do momento (fim da ditadura) e das condições (constituinte não independente mas simultânea aos trabalhos do Congresso) em que foi escrita, a mesma trouxe em si algumas distorções importantes. Se estivesse vivo nosso Mário Covas poderia contar histórias hilariantes dos tempos da Comissão de Sistematização que ele presidiu.

Já em 1989, logo após a promulgação de 1988, fazíamos no CEPAM (que o Geraldo vai fechar, infelizmente, como uma satisfação simplória aos reclamos das ruas, mais parecendo uma distribuição de brioches) um seminário preparatório da Constituição de São Paulo onde apontávamos o fato de que um país já àquela altura urbanizado à taxas de 65% tinha em sua Constituição apenas dois artigos falando de cidades.
Ou seja, a organização do palco (e hoje sabemos que a cidade é mais que palco) da vida cidadã, o locus privilegiado da cidadania, não foi objeto de preocupação (ou de aprofundamento) dos Constituintes.

Jogaram tudo para uma legislação infra-constitucional (o estatuto das cidades) que demorou mais de 12 anos para ser aprovado e que, mais doze anos depois, ainda não é aplicado pela enorme maioria dos prefeitos brasileiros.

Mais sério ainda, naquela ocasião também pudemos apontar a grave distorção entre o volume de obrigações que haviam sido (sabiamente) descentralizadas – municipalizadas em boa medida – pela Constituição e a equação da distribuição do volume de recursos arrecadados. Ali já se alertava que a conta não fecharia, criando um déficit de caixa e um passivo de serviços (por falta de capacidade de investimentos dos poderes públicos municipais e mesmo estaduais) que cresceria exponencialmente. E foi o que aconteceu. E isto agravado (ainda bem) pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que limitou bastante a farra do endividamento e a orgia da gastança.

Ou seja, colocava-se ali os municípios em petição de miséria e os prefeitos e vereadores na condição de pedintes indigentes, dependentes da “ação” de deputados estaduas e federais, office-boys de emendas orçamentárias que vão da construção de pontes à aquisição de lençóis para centros de saúde. Ou seja, o aparato político parlamentar à serviço do toma-lá-dá-cá como forma de governo, que se instalou em toda a sociedade brasileira. Enfim, a política determinando práticas e caminhos. Viciando políticos e viciando a sociedade.

A matemática e a aritimética simples e são irritantemente frias e objetivas.

E, esta frieza só se supera com Política.

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Constituinte

Aos amigos que estão temerosos… Vendo fantasmas à direita e à esquerda…
O medo não é da direita.
Nem é da esquerda.
O medo é dos ataques à Democracia, à Ordem Constitucional.
O medo é dos gritos contra os partidos (quaisquer partidos).
O medo é dos gritos contra o Congresso Nacional.
Dá medo ver um jovem rasgando a bandeira do Brasil em rede nacional de televisão…
Está claro, e não é de vinte centavos para cá, que nosso sistema político está em colapso. No entanto, vel lembrar que É IMPOSSÍVEL HAVER QUALIDADE ADMINISTRATIVA se o sistema político não funciona.
A gestão é filha da política e não o contrário. (Aliás, este foi um dos grandes males do liberalismo e da privatização do Estado e da coisa pública, menosprezar a política).
O esgotamento do nosso sistema político não é privilégio ou responsabilidade de um ou de outro grupamento político. É uma questão nacional, que afeta e é responsabilidade de toda a sociedade brasileira.
O nosso sistema político foi DESTRUÍDO PELOS MILITARES e remendado (com o avião em pleno vôo) heroicamente pelas forças democráticas em 1988. No entanto aquela gambiarra (que na minha opinião até que durou demais e deu grandes frutos) esgarçou, puiu, está ruindo…
Nem o PSDB e sua aliança com a direita deram conta (o PSDB foi a maior vítima de suas alianças) de re-remendá-lo, nem o PT com suas alianças (interessante, também o PT é a maior vítima de suas alianças…) está conseguindo estancar ou frear sua queda livre.
E não digo isso por conta das manifestações, que são efeito. Digo isso por que este governo, por exemplo, teve força para mexer em coisas inimagináveis há poucos anos no Brasil (spread bancário! previdência dos servidores! juros nominais e reais! aumento da oferta de crédito para atividades produtivas!) e, mesmo assim, NÃO CONSEGUE ORGANIZAR E FAZER PASSAR A REFORMA POLÍTICA, seja ela qual for…
O sistema está viciado e é autofágico. Por isso, nesta hora, o melhor a fazer, antes que algum aventureiro lance mão, é chamar o síndico (Tim Maia!)… e o síndico, neste caso, por não termos medo do povo na rua, é o POVO nas urnas…
Não há gestão independente de política.
Também está claro que nossos políticos não estão à altura do momento histórico e tampouco têm condições (mesmo os que desejam sinceramente) defazer a reforma política que precisamos desde 1988.
Assim sendo, Constituinte Independente Já me parece uma boa bandeira, ampla, que aponta para o futuro.
E que não é contra, é a favor.

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