Direita, vou ver?

As manifestações da direita old fashion republicana esta semana, a propósito de aniversário de um ano da invasão do Congresso norte-americano por eleitores, também de direita e republicanos, de Donald Trump colocou alguma luz sobre algo de que pouco se tem falado.

Como se ouviu e se leu a parti do posicionamento de lideranças como Bloomberg, há uma feroz disputa de poder nas hostes do partido com fortes reflexos na sociedade. E, parece, tanto lá quanto cá os obscurantistas estão ganhando de lavada.

A diferença, tudo indica, é que lá a direita old fashion – humanista e com solidez ideológica – tem responsabilidade, projeto coletivo, a Democracia (liberal burguesa) como valor inalienável, a dimensão do brutal erro cometido e, pelo visto, não capitulou às benesses do poder a qualquer custo.

Já aqui, fico me perguntando se vamos ver…

Valter Caldana

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DOT ou DOD

Do desenvolvimento orientado pelo transporte ao desenvolvimento obrigado pela ‘origem-destino’.
A diferença entre ambos é que enquanto um, o desenvolvimento orientado pelo transporte – DOT faz cidade, o outro, o desenvolvimento obrigado pela pesquisa origem-destino – DOD, corre atrás.

Valter Caldana

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JÁ GANHOU?

O “já ganhou” é uma das técnicas mais comuns utilizadas para desgastar e queimar candidaturas. É o segundo estágio do assim chamado “balão de ensaio” (como o da chapa sapo ao molho de chuchu).
O “já ganhou” é mais do que uma armadilha, é uma arma letal.
Iniciei, e encerrei, minha vida político partidária numa operação desta natureza. Fulminante.
Num tempo onde os ciclos ainda eram longos, ou ‘normais’, tudo aconteceu muito rápido, em 30 ou 20 dias. Hoje seriam vinte ou trinta horas… cuíca minutos. Lá atrás, começou com uma não tragada de maconha, fez escala num “Deus interior”, passou por uma ‘sentadinha’ e terminou com uma baforada de flit/detefon numa desejada porém combalida cadeira.
Hoje, num mundo de ciclos curtos, e rápidos, 10 meses é uma eternidade.
Num país que silenciou e burocratizou as campanhas eleitorais (com o beneplácito da esquerda, num de seus infindáveis tiros no pé), me espanta que a campanha do ex-presidente se deixe envolver por esta armadilha e flerte com a possibilidade de ser abatida por esta arma tão fartamente conhecida.
Mas, os ciclos são curtos. Tudo pode mudar ainda muitas vezes até outubro. Como diria o “filósofo” Paulo Ricardo, no Brasil se fazem revoluções por minuto.
“Ouvimos qualquer coisa de Brasília
Rumores falam em guerrilha
(…)
Agora a China bebe Coca-Cola
Aqui na esquina cheiram cola”

Valter Caldana

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Ainda sobre Marte

Um amigo considera que, ao fim e ao cabo, melhor mesmo que o Campo de Marte fique com o governo federal.
É uma visão necessária. Quando ele comentou isso, escrevi algumas considerações para avançarmos na conversa.

Caro,

Interessante e importante este seu texto!
Cheguei a trilhar este caminho inicialmente, inclusive como tentativa de aplacar um pouco a sensação de desesperança gerada em mim por um erro tão primário e estratégico como esta negociação e o que ela significa para o futuro da cidade. Pensei eu – cheguei a escrever – ao menos, que fique tudo como está, menos mal. O futuro – melhor que hoje – dirá o que virá e, lá adiante, quando tiver que recomprar partes da área, não será a primeira vez que a cidade pagará duas ou três vezes para ter o que lhe pertence de direito.

Mas, … oh três letrinhas de esperanças e desesperanças, o Campo de Marte está agora sujeito a dois programas, o de privatização de áreas e imóveis públicos federais e o de aeródromos e aeroportos.

Sem entrar no mérito destes dois programas, pois não é o assunto aqui, o que se passa é que em ambas as possibilidades o destino da área no curto prazo terá enorme impacto sobre São Paulo e a Região Metropolitana, em especial negócios e arrecadação, mobilidade, habitação, saneamento e meio ambiente, sem que o município – agentes públicos e privados – tenha a possibilidade de atuar de maneira coordenada ou agregando valor.

A possibilidade maior, ao que parece, é fazer alterações na rampa de acesso à pista no curtíssimo prazo para já aumentar o gabarito nos cones de aproximação, o que alivia a pressão vinda de uma parcela do mercado imobiliário, e libera a disputa interna federal que haverá em torno do que fazer com a pista. A tendência é simplesmente passá-la nos cobres sem agregação de valor, e vendê-la no atacado (outro erro) como foi muito bem apontado por você, com a gleba na Barra Funda.

A tristeza continua com a constatação de que as três esferas de governo são impenetráveis para a ideia de que terra pública tem valor de face diferente do seu valor estratégico e eles não conseguem enxergar a extensão dos valores agregados a este tipo de patrimônio. E vão dilapidando como quem mata diariamente galinhas dos ovos de ouro, come os ovos que tinha e ainda por cima quebra os dentes.

Desculpe a resposta longa, sobretudo hoje, dia de festa, mas tomei a liberdade.
Aproveito para mandar um beijo para vocês e feliz 2022!!! ”</p

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VAI DE TAXI?

A opção rodoviarista tem muitas explicações, porém só uma justificativa. Havia a necessidade de interligar o país, em especial rumo ao interior, o mais rápido possível.
Não obstante, esta necessidade jamais será suficiente para justificar o erro estratégico de tornar única e permanente a solução de curto prazo adotada, com o literal abandono de todas as outras. Desde a ferroviária, a mais óbvia e claramente a mais eficaz no médio e longo prazos, passando pelo transporte aéreo, pelo fluvial, no interior, e pela cabotagem, no litoral.
A multimodalidade, na estruturação da mobilidade nacional e regional é tão importante quanto na estruturação da mobilidade municipal. Este é um conhecimento consagrado no mundo desde meados do século XIX. No Brasil, ela foi negligenciada nas três escalas de organização do país ao longo de toda a segunda metade do século passado, o século XX.
Chegamos ao século XXI e para piorar a situação, vem a estruturação corporativista do Estado, quase sempre ocupado por interesses específicos e bem pouco coletivos, públicos e… sensatos.
Por aqui, o que o liberalismo nacional parece não querer perceber, o que se privatiza é o monopólio, não a liberdade de empreender. Ocorre que o monopolismo é que é nefasto, não a ação do Estado, se esta for transparente e pública.
Os monopólios estão presentes em todos os setores estratégicos da nossa economia. Ocorre que o monopolismo, seja de Estado, seja privado, é sempre pernicioso e prejudicial à maioria e ao indivíduo.
Valter Caldana
https://economia.uol.com.br/colunas/cleveland-prates/2021/12/30/congresso-restringe-competicao-e-viagem-de-onibus-rodoviario-continua-cara.htm

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