Não há a menor dúvida que o Brasil precisa fazer uma reforma política, uma reforma tributária, uma reforma trabalhista, uma reforma administrativa e uma reforma da previdência. Precisa também fazer uma reforma no judiciário.
Porém, é impressionante como se vem confundindo cortes com reforma.
Tirar pedaço não é fazer reforma. Cortar não é economizar. Cortar é cortar.
Reformar é reformar, demolir é demolir.
Economizar é fazer mais gastando o mesmo ou fazer o mesmo gastando menos. Isto é economizar…
Reformar é alterar as estruturas, atualizá-las, não para que sejam mais econômicas ou para que sejam mais eficientes. Mas para que consigam dar respostas à necessidades contemporâneas.
Se isso for atingido, elas certamente serão mais eficientes e gerarão economia.
De resto, cortar nada mais é do que… cortar. Ter menos. Só isso.
Continuo não entendo por que a lógica das reformas não seria 1 – política (incluindo a rediscussão do parlamentarismo), 2 – tributária (incluindo o pacto federativo), 3 – administrativa, 4 – trabalhista (focando nas novas relações entre o capital e o trabalho e as novas configurações do emprego), 5 – previdência.
Valter Caldana
A coisa mais difícil de entender na obsolescência programada é como soletrar a palavra obsolescência.
O resto é de uma obviedade ímpar…
Valter Caldana
Digamos que sim, que seja no minério que determina o interesse internacional pela Amazônia, como disse o presidente Bolsonaro por estes dias.
Creio, até, que se poderia dizer que não é apenas o minério… da água doce à biodiversidade, na Amazônia tudo o que existe no solo, sob e sobre significa riqueza incomensurável e, portanto, interessa e muito a muita gente!
Por isso, a questão que se coloca não é esta, prenhe de obviedade, como sempre. A questão que coloca é: onde está o projeto nacional de exploração sustentável da Amazônia, baseado em princípios de soberania e elevação da qualidade de vida para toda a população, a começar da população local, para debatermos e apoiarmos?
Vai ser feito pela Vale privatizada, pela estatal da Noruega ou pela American Steel?
O fato é que enquanto perdurar esta incapacidade de nossa sociedade entender qual a diferença entre o interesse público e o interesse privado que culmina, como diz Delfim Neto, na incapacidade de “transcender a vulgata do liberalismo panfletário“, continuaremos no corredor da morte.
Valter Caldana
Há dois elementos que mudaram na essência da formulação das políticas públicas, mas ainda não estão incorporadas à praxis nem do poder público, nem da iniciativa privada, que sao: o mercado imobiliário tradicional não é mais o único (e em breve nem o maior) agente produtor organizado da ocupação do tecido urbano, nem a indústria automobilística é mais o único agente produtor da mobilidade.
É claro que o carro não vai sumir de nossas cidades. Afinal, temos charrete e carroça até hoje. Mas um novo meio de transporte individual está nascendo. E uma nova relação com ele também. Isto tem se materializado num suposto carro autônomo, que equivale ao Ford colocando motor em carroça…. Ainda não deu certo e duvido que dará, nestes moldes. Mais para frente, penso que rapidamente, vão inventar o novo veículo.
Mas, me refiro aqui a esta nova realidade que é o fato de que cada vez mais uma parcela significativa da sociedade se mobiliza para interferir na questão da mobilidade. A indústria ainda nada de braçadas, mas não está mais sozinha na piscina.
Valter Caldana
ou como uma carta magna vai se transformando num simples recado escrito num lenço de papel
Há um tempo atrás eu escrevia aqui que eu era a favor da convocação de uma A.N. Constituinte exclusiva e pouca gente concordava.
Um dos contra argumentos que ouvi era o de que a atual CF é boa e precisa apenas ser regulamentada e respeitada. Outro é que o atual vendaval conservador e reacionário nos traria uma CF funesta.
Eu sempre argumentei, em contrapartida, que a atual CF está sendo rasgada aos poucos por gente que não foi eleita para isso…
Por isso, continuo achando que a única saída pacífica para o Brasil é uma nova Constituição escrita por pessoas eleitas para este objetivo, mas enfim… palavras ao vento.
Seja como for, para os que defendem que a atual Constituição é íntegra, sugiro dar um ‘scroll’ no documento anexo (clique aqui) e dar uma olhada rápidas nas linhas riscadas para perceber o nível de mutilação que a CF de 1988 já sofreu… e continuará a sofrer, por um parlamento não eleito para isso e que vota, a seu bel interesse e prazer, que urubu é pavão.
Tudo legal e constitucional…
Valter Caldana