Vale o escrito?

No Brasil, como se sabe, Leis pegam ou não pegam. As que impedem corrupção, por exemplo, pelo jeito não pegam…

Mas, uma “lei” que pegou e sempre valeu é a popular “vale o escrito”.

Pois bem, nem quero muito polemizar, muito menos com o Modesto Carvalhosa, mas me parece que a turma que pede o voto impresso está totalmente equivocada. Quanto mais manipulação, maior a possibilidade de fraude.

A fraude eletrônica é possível? Parece que sim, se a urna vier “batizada”, com votos dentro dela. Ou seja, o complô deverá necessariamente envolver o TRE, no mínimo.

Já a urna física pode ser fraudada em todo o processo e por qualquer pessoa que a manipule, em qualquer uma das etapas, como era antigamente, quando havia desde urnas arrombadas, votos não assinados pelos mesários (enfiados nas urnas), urnas boiando nos rios e córregos…

Ou seja, o voto impresso traz tudo isso de volta. Aí mineirim pede a recontagem, não vai bater com o que tem na urna (pois o saco onde estão os votos impressos foi fraudado ou violado) e, pimba! Impugna a urna. Esta será a fraude coqueluche da eleição… A mais prática.

Valter Caldana

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Sobre binders e outros…

Problemas geracionais

1. Adoro dar aulas para os ingressantes… acredito piamente que é ali que se define a trajetória do estudante e o desafio é, portanto, bem grande. Terça passada, primeira aula, comentando um fato qualquer proposto por uma aluna respondo: “verdade, era assim… pergunte para sua mãe, ela deve ter conhecido, ela deve ter a minha idade… quantos anos ela tem? Resposta da aluna: 40 psor… Eu: ah…. mais um pouco e ela poderia ser minha filha… kkkk

2. Na página de trocas e vendas da escola as pessoas oferecem réguas paralelas com “binders”… num primeiro momento achei que era uma sofisticada evolução em tão tosco instrumento (ainda que seja um instrumento genial, invenção de brasileiros). Algo eletrônico, digital, que me desse medidas de deslocamento, cálculo de áreas, enfim… sei lá. Hoje descobri: são os parafusinhos de prender a régua na mesa… se chamam binders, entenderam? Quer que explique? Precisa desenhar?

Valter Caldana

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Atrasado?

Atrasado? Não!
Ou: vai indo que não vou.

Quando eu digo que não estamos atrasados em relação aos países desenvolvidos, o antigo primeiro mundo, é por que simplesmente não estamos na mesma trilha, na mesma estrada. Nosso rumo, apesar dos esforços enormes de um bocado de gente, é outro.

Por que nosso rumo é outro? Por uma escolha da sociedade.

Como saber isso? É fácil.

Basta ler esta notícia (leia aqui).

Basta, por exemplo, saber que no 16ème (bairro chique de Paris, a verdadeira Higienópolis) aproximadamente 10% das moradias são ou foram de interesse social… E vão fazer mais.

É fácil por ter aprendido que Londres, NY, Paris e tantas outras cidades investem em locação social em áreas centrais e de concentração de emprego há décadas…

É por ver São Francisco taxar transações imobiliárias maiores de 5 milhões de dólares para financiar educação de nível superior…

É por ver os orçamentos de Educação e de Pesquisa e Desenvolvimento de países desenvolvidos que usam estes dois instrumentos para sair de crises e, então, nestes momentos (os de crise) aumentarem estes orçamentos…

São escolhas, escolhas das sociedades, não dos políticos que as representam. São escolhas deles, são escolhas nossas.

Valter Caldana.

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República Popular de São Francisco

San Francisco acabou de se tornar a primeira cidade dos Estados Unidos a oferecer faculdade gratuita.

Usando um linguajar erudito se poderia dizer sobre esta notícia algo como: saca só mané, é o bixo. Demorô.

O que dói mesmo não é ainda não termos condições materiais de promover uma política pública como essa, que não é um simples ato de vontade (nunca é).

É saber que nunca teremos. E mesmo que tenhamos, nunca faremos.

O “gene”, o embrião de uma política pública como essa não se encontra em nossos códigos (genéticos? kkk) éticos e deontológicos. Em nossa tábua de valores.

Basta lembrar que neste momento a prefeitura apresenta um projeto para cortar em 2/3 a Outorga Onerosa sem que esta sequer tenha sido realmente aplicada. (Sendo a nossa Outorga um mecanismo jurídico urbanístico até mais doce e ameno do que o utilizado para viabilizar a proposta anunciada lá nos EUA, que pelo que entendi é um imposto puro e simples sobre transações acima de Us$ 5 milhões)

Para corrigir um problema (sim, neste momento a outorga está cara, caríssima, beirando o impagável) se abole a eficácia do instrumento ao invés de aperfeiçoá-lo. Não se usa o problema como oportunidade. Não se pensa em políticas conjunturais para problemas conjunturais, preservando a estrutura. Corta 2/3 e manda o pau! O resto é pensamento acadêmico (ó o eterno pavor causado pela pena…).

O fato é que ossa sociedade rejeita de modo hoje indisfarçável, grotesco e veemente políticas inclusivas e igualitárias ou civilizatórias. Venham elas de onde vierem. Direita, esquerda, centro, sobre, sob…

O Brasil não está adotando, de novo e atrasado, o “laissez faire, laissez passer“…
Assumiu definitivamente (enquanto dure) o “salve-se quem puder”.

Welcome to the jungle…

Valter Caldana

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Zoneamento, o debate

Me cumpre recordar aqui os incontáveis alertas, as polêmicas criadas e as pancadas levadas pelo Joaquim Guedes quando já no final dos anos 1970 e início da década de 1980 (ainda começo de nosso apagão urbanístico) alertava, com sua verve e sua produtiva acidez para a inviabilidade da legislação vigente, dos C.A.s muito baixos, dos recuos inservíveis e da infra-estrutura desperdiçada.

Guedes foi um dos arquitetos de sua geração que compreendeu, a tempo, que projeto urbano não é um projeto de arquitetura grandão ainda que sejam irmãos siameses. (Outro grande foi José Cláudio Gomes).

Hoje estamos de novo sob um debate estéril, enviesado, equivocado, casuístico e improdutivo sobre alturas de edifício, o pensamento vigente no marco regulatório segue quimicamente dependente da fórmula de Adiron, cego para as necessidades reais de humanização da cidade e otimização de seus recursos já instalados. Por isso estamos mudando Leis ridículos ano e pouco depois de promulgadas e elegendo velocidade de automóvel como aríete no debate ideológico.

E por que estamos sob este manto diáfano que nos induz e obriga a fazer a discussão tola, corporativa e de um modo que não nos interessa coletivamente?.
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Por que se optou pela manutenção de um modelo exaurido de zoneamento, baseado em tabelas de uso e volumetrias, alterações pontuais e pequenas falácias cotidianas (áreas computáveis e não computáveis, descontos em outorgas, etc… )

O Brasil não tem futuro, pelo jeito o que tem é muito tempo para desperdiçar.

Valter Caldana

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