E AGORA, JOSÉ?

Muitos têm dito, e eu concordo, que esta eleição terá um quê de 1989. Fim de linha, fim de modelo, fim de geração, fim de ambições pessoais de alguns políticos profissionais.

E tudo indica que o Brasil elegerá este ano, como fez então, um ‘outsider’, uma figura inventada, um sujeito que venderá falsas ilusões numa tentativa desesperada, inventada por alguns, de manter o status quo.

Assim como, tudo indica, por ‘outsider’ que será, este sujeito se inebriará pelo poder e, como em 1990, este eleito traíra não apenas seus eleitores mas sobretudo seus inventores.

De certo modo isto já aconteceu Brasil afora nas últimas municipais.

No entanto, diversamente do que ocorreu em 1989, estamos nos aproximando perigosamente de uma situação em que todos os que se apresentam como candidato claramente não merecem sê-lo.

E, me parece, esta é a gravidade da situação.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Leave a comment

E agora?

Hoje na Comissão de Política Urbana da Prefeitura na discussão do Zoneamento, um festival de entropias, mal entendidos, alterações conjunturais importantes, alterações estruturais travestidas de conjunturais, etc e tal.

Tudo graças a uma Lei de Zoneamento que nasceu de um equívoco. O equívoco de priorizar a repaginação de uma a Lei de 45 anos atrás.

E agora?

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Leave a comment

Parabéns

Há muito tempo não tenho participação ativa na política profissional.
Mas, também há muito tempo se luta e se lutava para a criação de um Conselho próprio que mudasse suas atividades fim e o modo de gerir e manter suas atividades meio. Pude participar direta e indiretamente de muitos esforços para que isso viesse a acontecer.

É claro que como toda criança o sistema CAUs ainda é frágil e precisa de cuidados constantes. Assim como toda criança ele também precisa ser educado. Bem educado, para que incorpore valores éticos e deontológicos da mais absoluta generosidade, expressando acima de tudo seu compromisso com o espírito público, com a sociedade (principalmente aqueles que mais precisam da solidariedade e da qualificação técnica e artística para superar as agruras da miséria) e com a valorização, a produção e reprodução do conhecimento.

Cabe ao CAU usar sua força e o destemor que caracteriza os jovens e radicalizar na implantação destes compromissos.

No entanto o CAU, como eu já disse, merece atenção redobrada. Cotidiana, permanente. Este momento de sua jovem existência é delicado. Ainda mais porque o Brasil também vive momento delicado.

O sistema eleitoral (cuja materialização dos resultados frustrou tanta gente), as despesas com atividades meio, o tipo de fiscalização que deve exercer, os compromissos que deve assumir…
Tudo isto está em aberto, em construção. Muito a fazer.

Não obstante, tenho o prazer de ter sido um, entre tantos, que defendeu veementemente desde sempre (no período quase jurássico em que fui conselheiro do IAB e seu representante no CREA) que parte do orçamento do nosso futuro CAU fosse destinado a atividades de pesquisa e a publicações.

Por isso é um prazer especial reproduzir este post do meu amigo Gilberto Belleza que soube levar adiante em sua gestão este e outros desejos e projetos de tantos entre nós, em pouco tempo.

Que esta seja uma política irreversível e permanente. E que outras conquistas, ainda maiores e mais estrondosas aconteçam.

Por hora, parabéns Belleza!

Um abraço.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Leave a comment

Ensinar a aprender

Sobre o ensino de artes e técnicas de representação e expressão, em especial pinturas e ilustração nas faculdades de arquitetura e urbanismo e de design (mas creio que vale para muitas outras formações e não apenas universitárias).

Num momento em que o instrumental mecânico-digital começa a atingir sua maturidade e efetivamente participar e interferir no processo criativo e de elaboração do projeto em todas as escalas, mais importante ainda se tornam o artesanato e a expressão artística e o conhecimento e o domínio de suas técnicas.

O fascínio e a hipervalorização das máquinas que seduziu a Humanidade pós revolução industrial desde o final do século XVII vem sendo contrabalançado pela maravilha e excelência do gênio humano, que as supera e as reinventa constantemente. O que só é possível graças ao conhecimento de base, do elementar, do seminal.

Não é o conhecimento de ponta que produz a inovação, é a consistência e a amplitude do repertório de base do empreendedor, do pesquisador, do artífice, do trabalhador, do intelectual. É sua capacidade de cognição e o seu conhecimento geral como combustível.

Ambos se ensinam e se aprendem.

Por isso o risco contemporâneo, em especial aqui neste cestinho de mundo, não está nas máquinas. Estas existem para nos ajudar, para nos auxiliar e mesmo para nos libertar.

Está, sim, no sistema de ensino, nesta não leitura superficial e neste não estudo das metodologias construtivistas e pedagogias ativas aplicadas com um grau de ignorância e ‘chute’ que se aproxima do irresponsável.

Está na demagógica e simplista asserção de que o aluno simplesmente aprende, num processo quase osmótico em que o mero contato com a informação por milagre a transforma em conhecimento.

Está em organizar os cursos com foco não no aluno médio mas nos ‘bons alunos’, aqueles que por circunstâncias diversas já se apresentam com um currículo oculto e uma capacidade de cognição mais desenvolvida, o que reflete e reforça uma mentalidade elitista que permeia todo o sistema.

Ninguém nasce sabendo. E ninguém aprende sozinho.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Leave a comment

Mestre Marceneiro

Lá se vai mais um bom. E um dom.

Falar que materializava toda a simbologia do marceneiro em nossa civilização cristã ocidental seria covardia. Era o que ele fazia cotidianamente na sua oficina, nas escolas que criou, fundou, abriu, fez crescer. Inclusive o curso de Desenho Industrial do Mackenzie, onde foi professor pioneiro e que tive a honra de dirigir décadas depois.

Transformava a matéria com zelo e graça, com criatividade.
Mestre das artes e ofícios, a tudo via como uma oportunidade de transformação e melhoria… na casa, no bairro, na Cidade, na sociedade.

Para o desenhista industrial, o disainer, aprendi com ele entre alguns outros de sua geração, o mundo é uma oficina e cada situação um projeto. Passam a vida procurando um modo de facilitar a nossa vida.

Da seriedade e severidade do primeiro contato (que a Cidão já logo vinha e colocava abaixo com a luz de seu sorriso largo) se estabelecia logo a empatia da prosa caipira cheia de intuição e inventividade. E, insisto, de projetos, de por que nãos, de e ses e de alternativas.

Se temos que mudar a cabeça das pessoas comecemos por lhes fornecer pentes saudáveis e duráveis, ó mágica ironia.

O fato é que este inventor inventou e fez um mundo melhor do que encontrou, com duas filhas lindas em todos os sentidos, escolas incríveis, amizades profundas. Acolheu jovens, inclusive eu, ao seu redor e ensinou…

Ensinou, no final, que a missão cumprida é a medida das coisas e que nada se faz sozinho ou sem amor. Por isso ao olhar para trás e ver tanta coisa feita e olhar para o lado e já não ver o sorriso que o acolheu mais de 50 anos nos deu a última lição e nos deixou, feliz, exemplos e responsabilidades.

Grande Ângelo Schoenaker, bela figura, um careta incrível.

Valter Caldana

Posted in cotidiano | Leave a comment