O ambiente não compensa 04

O Brasil está assim… “Como meu antecessor errou, adquiri o direito de errar também”.
<leia aqui>

Como a Lei que permite compensação ambiental plantando hera e unha de gato em paredes e, se não bastasse, transferindo o custo de manutenção destas paredes para a prefeitura foi uma pérola da insensatez criada pelo Haddad, que insistiu na bobagem não por falta de aviso, então o Doria se sente no direito de acelerar na escorregada no tomate… Socorro!

Trocar um desmatamento de 10.000 m2 de árvores, terra, água, vegetação complementar, espécies da fauna, zonas de abrigo e reprodução de espécies, por 10.000m2 de parede não pode ser uma troca aceitável, nem mesmo para nosso entusiasmado prefeito.

Ele é melhor que isso, não é possível que não haja em torno dele alguém para explicar…

Explicar, sobretudo, que ele não está trocando grafites por unha de gato… Ele está trocando parques e áreas de preservação por paredes! E que daqui a quatro anos, um ano depois da manutenção ficar a cargo e Cu$to$ da prefeitura (entendeu ou precisa desenhar?), será assim que ele será lembrado neste episódio…

Da tempo de voltar atrás? Da tempo de renegociar isso?

Respondendo de antemão ao desatento que escrever aqui que “quando o Haddad fez ninguém reclamou” alerto que na ocasião deixei claro, inclusive, que via uma ilegalidade grave no então Decreto do alcaide pois o mesmo criava, disfarçadamente, despesas para a Prefeitura sem aprovação pela Câmara.

Coisa que aparentemente as maiorias de ocasião do legislativo resolveram e agora ou pagamos a manutenção destas bobagens ou teremos em poucos anos o maior conjunto de capim seco vertical do mundo…

Ao menos vai dar para alimentar uns e outros.

Valter Caldana

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O ambiente não compensa 03

É triste, mas não é estranho, que o atual alcaide resolva dar continuidade justamente a uma das iniciativas mais equivocadas da gestão anterior.

Valter Caldana

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O ambiente não compensa 02

Um bom texto explicativo do uso de muros verdes pela Prefeitura de São Paulo,
da Cláudia Vissoni.

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Agora está explicado.

Em 2009, na gestão Kassab, foi autorizada a derrubada de uma mata nativa no Morumbi para a construção de prédios. Isso já é um absurdo, uma vez que são poucos e inestimáveis os remanescentes florestais em São Paulo. Mas o Plano de Compensação Ambiental previa a criação de 4 parques na região: Horto Ipê, Paraisópolis, Morumbi Sul e Itapaiúna.

Em 2015, na gestão Haddad, a compensação foi substituída. Em vez de ganhar 4 parques, a cidade ganharia 8 paredes verdes. Obviamente 4 parques são muito-muito-muito-muito mais valiosos para o meio ambiente e a saúde da população do que 8 paredes verdes.

Em 2017, na gestão Doria, parte do dinheiro da compensação ambiental está sendo usado para a parede verde em construção na 23 de maio. Não houve questionamento dos erros anteriores nem plano de reverter a situação. Sequer a promessa de que isso não acontecerá mais.

Na minha opinião erraram os 3 prefeitos. Nos diversos posts que fiz sobre o assunto a maioria dos comentários se refere a defender uma gestão e atacar a outra (além de me atacar também). É importante focarmos a atenção no que importa: uma mata nativa da cidade foi destruída para sempre. Jardins verticais temporários (são temporários porque basta ficar alguns dias sem manutenção ou irrigação que morrem) jamais serão capazes de compensar o dano.

Nossa cidade ficou mais desértica, seca, quente e poluída. A saúde física e mental dos paulistanos vai sofrer com isso. Em vez de fazer briga partidária, poderíamos estar discutindo sobre o que precisa ser feito para isso nunca mais acontecer.

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Vai entender…

Considerando que o ministro da fazenda era chefão do açougue, considerando que a grana do BNDES ajudou a pagar a privatização da vale que destruiu o rio e considerando que acusado janta com o juiz, alguém tem coragem de fazer o mapa mental de nossa sociedade?

Valter Caldana

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Amadores clandestinos

Por falar em carne, matadouros, frigoríficos e fiscalização…

Minha primeira tarefa como estagiário do estratégico CEPAM, em 1984, foi ir até a Fundação SEADE, outra maravilha da inteligência do Estado de São Paulo, fazer um levantamento sobre os frigoríficos e matadouros clandestinos no estado.

Lá fui eu, orgulhoso do primeiro trabalho de campo oficial…
Lá chegando, uma senhora muito amável responde à minha complexa pergunta sobre onde pode ser que eu poderia quem sabe encontrar alguns dados sobre, a senhora sabe, frígoríficos e matadouros, mas só que tem que ser em todas as cidades do estado, quer que eu explique de novo? (Pergunta de estagiário novo, não pode escapar nada…)
_ O que você quer está ali! Apontando para um armário cinza da Isma, destes de duas portas grandes, 2,20 de altura e cinco andares de pastas suspensas…
(Não se esqueçam que neste momento Bill estava ainda sendo alfabetizado….)

Pois bem, 571 pastas, uma para cada município (da época) com o resumo de todos os seus dados estatísticos… descobri que estava diante do HAL do Estado de São Paulo…. Aquele armário tudo sabia!!!

Levei horas para decidir se tiraria pasta por pasta do armário, manusearia-a e devolveria-a ou se eu tiraria pequenos conjuntos, de três por exemplo… ou cinco. Ou se usaria o critério da espessura e peso pois cada pasta as tinha na proporção do tamanho da própria cidade… E o desafio era devolver na mesma ordem alfabética imaculada que ali estava (claro que não eram numeradas).

No segundo dia da pesquisa, e só no final do segundo dia, me dei conta que, caramba, se tinha na ficha o número de matadouros e frigoríficos clandestinos de cada cidade, como poderiam ser clandestinos???!!!!

Foi minha primeira lição no estágio, onde aprendi que a gestão pública não é para amadores, nem estagiários.

Valter Caldana

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