Nunca, é tarde?

Covas gasta R$ 20 milhões em campanha contra mortes no trânsito e encobre pontos de ônibus.

Nunca é tarde. Ou nunca, é tarde?

Campanha bem vinda. Um bocadinho de impacto pode ajudar.

Mas, sinceramente, três anos parece que serão pouco para corrigir os erros do primeiro ano do acelera São Paulo… E a campanha, se não for acompanhada de medidas reais, radicais, também será.

É urgente a implantação e fiscalização de zonas 30, o alargamento de calçadas (físicas, existentes e nas leis), o aumento do tempo semafórico, a instalação de desenhos alternativos em esquinas e a colocação de elementos físicos para desacelerar o trânsito, a ampliação da rede de ciclofaixas, vias e rotas, a criação de caminhos a pé demarcados.. colocação de bancos, áreas de estar, sinalização ativa e passiva, .. Isto precisa ser feito na cidade como um todo, com intensidade e o envolvimento de toda a sociedade.

Uma campanha publicitária educativa pode ser um excelente início. Sobretudo se o seu ponto alto for a apresentação de um projeto amplo para o assunto e um chamamento à participação de toda a sociedade.

Valter Caldana

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Brasil Potência

ou exportar é o que importa?

A queda do Real e o aumento dos preços dos produtos de primeira necessidade como gasolina e alimentos, somados às declarações e ações dos ministros e do presidente não deixam dúvidas sobre qual o projeto de país está sendo aceleradamente implantado no Brasil. Lembrando, sempre, com o apoio praticamente irrestrito de parcela majoritária da sociedade, que apóia este governo e, portanto, este projeto, seja por ação ou por omissão.

O que está em implantação é o bem antigo e conhecido projeto de fazer do Brasil um país extrativista, produtor e exportador de produtos primários. E só. Ponto.

Este projeto, ao gosto das nações mais poderosas do mundo e adequado aos interesses do capitalismo internacional e do capitalismo financeiro nacional se coloca em contraposição ao projeto industrial (e de serviços) desenvolvimentista, nacionalista ou não.

Nós vivemos esta batalha interna e este movimento pendular entre os dois projetos há mais de 150 anos… pelo menos desde a Lei do Ventre Livre. E, paradoxalmente, crescemos com a energia gerada neste confronto.

Há uma tentação de associar o projeto extrativista exportador de produtos primários à direita e o projeto desenvolvimentista à esquerda, mas isto é um equívoco. Há no pensamento da direita uma parcela importante que defende o desenvolvimento tecnológico e a produção de conhecimento, assim como é fortemente presente na esquerda a ideia de que a produção e mesmo a extração de primários gera excedentes necessários ao financiamento do desenvolvimento dos outros setores.

Assim sendo, a associação direta dos projetos aos posicionamentos ideológicos é uma espécie de armadilha. As nuances e dicotomias estão, na verdade, nos caminhos, velocidades e processos de implantação dos próprios projetos.

Entre os desenvolvimentistas as coisas são claras, mas os posicionamentos ideológicos se misturam na plateia. A prioridade é o desenvolvimento da capacitação tecnológica nacional como geradora de desenvolvimento em todos os setores, seja no campo (vide Embrapa e suas conquistas tecnológicas), seja no extrativismo (vide Petrobrás e suas conquistas tecnológicas) seja na cidade (vide antiga Embraer e suas conquistas tecnológicas).

Não por acaso, citei três exemplos criados e acalentados por pensadores ou por governos de direita, alguns, até, ditatoriais ou autoritários. Exemplos estes, porém, também fortemente incentivados pela esquerda. Poderia citar ainda, na mesma linha, a criação da USP, o Instituto Agronômico de Campinas, a figura do Barão de Mauá (que não me pareceu nunca ser um notório esquerdista…)

No âmbito do projeto exportador primário as coisas são bem mais claras e objetivas e o posicionamento ideológico bem mais ‘puro’. Temos terra para plantar, temos gente para colher, temos natureza para extrair e temos um montão de gente, mundo afora, precisando comer e precisando de matéria prima para produzir bens e serviços. Ora, pois eu vendo, então, comida e matéria prima. Simples e objetivo.

Neste momento, o pêndulo do poder está contemplando o projeto agrário exportador primário em sua versão fortemente extrativista, patrocinado pela direita unida.

Esta união da direita e a implantação deste projeto está sendo feita sob o pretexto de eliminar a esquerda. Vende-se a ameaça comunista, agora acrescida da ameaça comportamental da libertinagem homossexual, como elemento justificador das ações do governo.

Ocorre que, e talvez aí esteja o grave problema para o futuro da nação, do país e do Estado, o que está sendo eliminado não é a esquerda, mas sim o projeto desenvolvimentista em todas as suas variáveis e nuances. Daí o desmonte de todo o aparato de educação, ciência, arte, cultura, indústria, serviços de alta complexidade, produção de conhecimento, tecnologia, agregação de valor, lazer… A ideia facilmente identificável é que isto tudo se compra, não há a necessidade de produzir aqui.

Mas, mesmo assim sendo, qual a gravidade? A gravidade vem do fato de que algumas das coisas que estão sendo celeremente destruídas não terão recuperação. Estão sendo eliminadas, mortas. É diferente de serem apenas atrofiadas, mantidas em metabolismo mínimo para sua sobrevivência e florescimento quando o pêndulo do poder, soprado pela sociedade, mudar de lado novamente.

Quando isso ocorrer, as estruturas mínimas de sustentação do projeto não estarão mais lá. E o colapso, aí sim, se dará.

O que está em jogo, e a direita desenvolvimentista e nacionalista (ou não) aparentemente não está vendo, é a sobrevivência deste projeto, não a sobrevivência da esquerda. Não está vendo que significa a sua própria eliminação?

Vai reagir?

Valter Caldana

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Toma que é teu

“Pouco importa o nome na escritura, o dono é quem frequenta a propriedade”.

Este foi o conceito jurídico básico da peça de condenação do ex Presidente Lula no caso do sítio de Atibaia.
Talvez isto explique a pressa do atual presidente em aprovar a autorização para matar dentro de propriedades privadas nas áreas rurais e urbanas.
Vai ter muito ‘invasor’, que é dono, pois usa, querendo matar ‘proprietário’ que pouco vai lá… Eita brasilzão sem fim, terra que dá gosto. Em agosto.

Valter Caldana

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Sem limites

ou como é bom ver o tempo passar

35 anos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesp de Bauru

Chegar à Bauru junto com a UNESP, em 1988, e ter vivido intensamente a oportunidade de participar da montagem deste Curso de Arquitetura e Urbanismo, foi uma das mais importantes e marcantes experiências de minha vida profissional. Foram anos de plenitude.

Ali, onde por um período coordenei o TGI e fui vice-coordenador de curso, pude conviver com um time de ‘moleques e molecas’ desabusados, destemidos, idealistas ao extremo e absurdamente trabalhador, antenado com o que de mais avançado acontecia pelo Brasil e pelo mundo em busca da melhor maneira de ensinar arquitetura e urbanismo.

Uma equipe de dezoito professores e a Jane, única e heroica funcionária, aprendendo a lidar com a pesada burocracia e complexas rotinas administrativas de uma Universidade Pública.Pude conviver, também, com alunos curiosos,cheios de vontade e corajosos, pouco mais novos que a maioria de seus professores e com a vastidão de um mundo sem limites à sua frente.

Ler esta notícia me enche de emoção e lembranças e, por isso, não posso deixar de lembrar o amigo Kleber Pinto Silva, que nos deixou. E de uma das mais vastas culturas arquitetônicas com quem já convivi, o exímio desenhista José Cláudio Gomes.

E, também, de registrar a admiração e o carinho pelo nosso grande mestre, líder e chefe, o mais moleque de todos no alto da sensatez e sabedoria de seus quase 70 anos, Luiz Gastão de Castro Lima. Gastão, que já fora professor da FAU, passara pela criação da ECA, por São Carlos e lá estava mais animado do que todos nós, criando seu terceiro curso, era o conservador mais revolucionário que já conheci. Dava nó nas palavras, não se alterava jamais e tinha uma paciência…

Fica aqui a minha homenagem e gratidão aos colegas e aos alunos daquele período tão intenso e os parabéns aos atuais professores, alunos e funcionários do curso.

Sucesso!!

Valter Caldana

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Tá tudo dominado

Com esta vitória do Flamengo o Rio de Janeiro faz barba, cabelo e bigode.
Ele, que já havia dominado a religião,
este ano dominou a política, a economia e, agora, o esporte.

Valter Caldana

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