Foro privilegiado. Qual?

Eu confesso que não é de hoje que não me sinto convencido pela necessidade do fim do foro privilegiado. Como sempre digo privilegiado é o foro, não o réu.
Me pergunto, cOmo pode ser melhor que crimes cometidos por estes “senhores” fiquem diluídos, jogados e julgados em tribunais espalhados por este imenso país por juízes novatos, iniciantes, muitas vezes substitutos imberbes (o adjetivo, neste caso, biologicamente impróprio, vale para juízas também…) muito mais sujeitos às pressões locais…
Enfim, vamos acompanhando.

Valter Caldana

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Aflições privadas

posto que são minhas (e ninguém tem nada com isso  )…

Desde o governo FHC se discute e eu acompanho a discussão sobre privatizações. Aliás, a bem da verdade, desde a primeira gestão Palocci em Ribeirão Preto já que ele fomentou, salvo engano, a primeira grande privatização no Brasil (a CETERP).

Desde aquela época sempre me incomodou a liquidação do patrimônio sem garantias e controles sociais da destinação dos recursos líquidos auferidos. Sempre que vejo privatizações no Brasil me vem a música do príncipe Paulino da Viola.

E sempre vejo as privatizações, sob a justificativa de sua própria urgência e necessidade, serem feitas com dinheiro subsidiado e baixíssimo ou nenhum risco para o comprador que é, em geral, uma grande corporação ou um grande conglomerado monopolista.

Também sempre achei estranho a defesa de que o Estado possa vender patrimônio sem repor, sem criar patrimônio novo, transformando-se num simples prestador de serviços elementares (que em boa medida já estão privatizados também) como educação, saúde e segurança.

Me foi sempre claro que o custo dos serviços serão cada vez mais altos e que um dos papéis do patrimônio público, imobiliário, petróleo, gás, minerais, monopólio sobre alguns serviços, é o de auferir ganhos para o caixa geral diminuindo o impacto diretamente no bolso do cidadão e gerando recursos para investimentos.

Sempre me incomodou, também, a maneira binária com que a questão foi tratada, na base do sou a favor ou sou contra.

Mas, o fato é que nestes vinte anos estamos vendo o Estado cada vez mais pobre, cada vez mais fraco, cada vez mais caro e com cada vez menos controle sobre si mesmo. O que confirma que o modelo deve ter algum problema. Ou vários problemas.

Aí volto a uma questão pela qual me bato desde o início do processo: talvez o maior de todos os ‘bens’ que compõem o patrimônio público sejam os déficits. Habitação, saúde, infra estrutura, logística…

Ora, então, por que não privatizar o déficit, ao invés de privatizar o que já existe e funciona?

Ou seja, vai privatizar uma estrada? Não! Privatize o direito de construir os milhares de kilometros que faltam.

Vai privatizar a saúde? Não! Privatize o direito de prover mais saúde.

E assim por diante, com investimentos feitos, claro, à mais saudável moda capitalista, ou seja, com capital privado e de risco. Esta é a PPP: o Estado entra com a necessidade, a demanda e o volume potencial de consumo (ou seja, nós) e o privado entra com o capital e o risco.

E, feito isso, ao Estado de, usando seu poder de controle e sua porção rentista, apenas controlar a qualidade e cuidar do fluxo de caixa, de entrada!

O problema nosso é que, como se vê no caso paulistano, estamos queimando patrimônio e privatizando a gestão ao invés de privatizar as carências, os déficits.

Isto numa cidade que se fez e se construiu em seus primeiros 100 anos (de 1870 a 1970) com maciços investimentos do pequeno poupador pulverizado e do grande capital investindo em infra-estrutura.

Desaprendemos.

Valter Caldana

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A casa caiu.

ou de como a política é mais tangível do que parece.

Para tornar um pouco mais clara a gravidade do nosso distanciamento forçado dos processos de gestão da cidade, nunca suficientemente transparentes.

Um dos motivos, entre tantos, de haver tantas invasões na área central é o simples fato de que há uma enorme demanda por moradia ali e uma enorme quantidade de prédios vazios ou subutilizados.

Paradoxalmente há uma enorme quantidade de prédios vazios e subutilizados por que deixou de ser interessante explora-los comercialmente. Isto vale tanto para a iniciativa privada quanto para o poder público, ele também grande proprietário de imóveis nestas condições.

E por que deixou de ser interessante? Pasme, por que faltam pessoas para dar vida a estes imóveis… não se mantém comércio, serviços, etc etc onde não tem gente… Fecha-se o ciclo perverso.

Um dos responsáveis por esta situação é o Zoneamento de 1972, que perdeu completamente a validade nos anos 90, entrou em colapso nos anos 2000, ficou desastroso nos anos 2010 e hoje se tornou um cadáver insepulto. Sim pois o Zoneamento de 2016 é a reedição do Zoneamento de 1972. Tem a mesmíssima estrutura conceitual e metodológica e se serve dos mesmos instrumentos de inação, em que pesem os avanços (tímidos) do Plano Diretor de 2014.

Seja como for, ‘foi-se’ na revisão da Lei de Zoneamento uma primeira oportunidade (mentira, perderam-se tantas outras…) de ação direta e socialmente comprometida * na recuperação das áreas centrais.

Não satisfeitos, foi reformado o código de obras. Mais uma oportunidade perdida. Toneladas de regras, várias delas nascidas no código sanitário de Artur Sabóia há quase um século persistem… melhorou um bocado, sim, mas continua o mesmo ‘codigão’, anacrônico, que ignora os avanços da sociedade, da ciência, da tecnologia, da economia…. lá se foi mais uma oportunidade.

Aí, um dos instrumentos mais importantes, vitais para que o centro da cidade se reorganize social, espacial, territorial e economicamente, o retrofit (em português castiço) é previsto no PDE de 2014, precisa ser regulamentado, é de interesse de todos os agentes, e nada acontece em quatro anos.

E quando acontece, o assunto é colocado no bojo de uma revisão estabanada, mal proposta pelo ex prefeito, o breve, mal articulada posto que mal nascida do Zoneamento como um todo.

Zoneamento que, sem meias palavras, é ineficiente para a cidade real e atual posto que insiste em um modelo anacrônico mas que, seja como for, não pode ser alterado ao sabor do clima do dia pois bom ou não é ele que da segurança jurídica e institucional para a cidade funcionar.

Ou seja, colocaram a regulamentação do retroflito, um instrumento valioso, urgente e, acima de tudo eficiente no caldeirão de uma reforma no mínimo mal articulada do Zoneamento que não aconteceu e não acontecerá.

Enquanto isso, bem, enquanto isso a ‘casa’ caiu e gente morreu.

Valter Caldana

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Chamo aqui de socialmente comprometidas as ações que envolvem toda a estrutura e todos os agentes produtores da cidade, ou seja iniciativa privada (comércio, serviços), o mercado imobiliário especificamente, os movimentos sociais, os urbativistas, os defensores de interesses difusos e, claro, o poder público.
Ou seja, me refiro a ações que estão distantes do simples investimento estatal, como tem ocorrido nos últimos anos. O investimento estatal sozinho nunca fará frente às necessidades nem tampouco resolverá o problema pois trata-se de algo que não se resolve apenas com dinheiro mas sim com envolvimento e participação da sociedade.
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Feijão com arroz…

ou por que não anda?

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Por que as sucessivas prefeituras não “meteram” um IPTU progressivo em todos os imóveis subutilizados ou vazios até hoje? Nem mesmo nos próprios públicos das três esferas de governo?

Por que o legislativo não cria leis complementares que obriguem o executivo a tomar esta atitude?

Btw, a Caixa pagou o IPTU deste imóvel nos últimos 15 anos? A Caixa, o INSS, a SPU, o IPESP, o governo do Estado, todos pagam o IPTU de todos os imóveis vazios e subutilizados que possuem? Se pagam, este IPTU vai para a vala comum? Vai para o saco sem fundo? Por que não podem ir para um fundo de recuperação destes próprios pela Prefeitura que, ao final, ou recebe o dinheiro que gastou ou fica com os imóveis pura e simplesmente?

Porque não há linhas de financiamento dos bancos (inclusive privados) específicas para proprietários que tenham os imóveis mas não tem condições de arcar com melhorias e reformas para recolocá-los no mercado, seja por venda, seja por aluguel?

Por que não há assessoria técnica para proprietários com imóveis nesta situação? Basta tombar? Basta dizer que tem que preservar?

Por que o volume de documentos e provas e contra-provas para a regularização fundiária é igual ou às vezes maior do que o já excessivo volume de documentos que se exige para empreendimentos ditos “normais” ? Qual o papel dos cartórios nesta questão? Qual o papel dos cartórios?

Por que se considera HIS “anormal” ?

Por que não ampliar significativamente o MCMV Entidades ou programas semelhantes, nas várias formas de mutirão, que envolvem e responsabilizam os próprios movimentos com as solução dos problemas que apontam?

Por que não organizar urgentemente um banco de ativos (estoque de terra e imóveis negociáveis em mercado) pela Prefeitura ao invés de ficar queimando patrimônio colocando terrenos valiosíssimos à venda por atacado?

Nenhuma das respostas a estas questões demanda investimento de dinheiro público ou privado a fundo perdido. Habitação, dos negócios legais, é um dos três mais rentáveis do mundo. Demanda apenas arrojo, disposição, vontade política e diálogo. E honestidade de propósitos e espírito público.

Se alguma autoridade, quem sabe o prefeito, o novo, conseguir responder a estas questões simples com as ações que elas pressupõem, entrará para a História como um certo avô que um dia ousou fazer habitação por mutirão numa das cinco maiores metrópoles do mundo.

O resto é conversa.

Valter Caldana

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Três roteiros

Há uma ‘teoria’ no campo das comunicações de que apesar de doze arquétipos a Humanidade só conseguiu construir 3 roteiros, e que todas as histórias são variações ou combinações destes, mais ‘estereotípicas’ que ‘arquetípicas’: do bem contra o mal vem o amor impossível, a traição, a luta contra o destino. A cada dia me convenço que por aqui não chegamos a dois roteiros.

Valter Caldana

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