Assim é se lhe parece

A partir dos anos 1990 houve uma diluição de conceitos, diluição esta a serviço de uma série de interesses ás vezes até antagônicos entre si mas todos eles disputando a hegemonia mundial.

Conceitos diluídos servem, acima de tudo, para empalidecer, enevoar a consciência de si mesmo…

Um dos conceitos que foram diluídos foi o de países desenvolvidos e países subdesenvolvidos.

Porém, tanto “nuns” quanto noutros, a realidade insiste em reafirmá-lo. E não é tão difícil saber de que lado continuamos.

Valter Caldana

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Trilema

DE DILEMA EM DILEMA SE CHEGA A UM TRILEMA

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A alteração da Lei de Zoneamento de São Paulo vive hoje um dilema:

Vendida inicialmente como uma emergência conjuntural, tratou de mexer em elementos estruturais.

Aí a emergência passou e se desnudou que se tratava apenas de mexer, de fato, em questões estruturais. Mexer numa Lei que sequer completara dois anos e cujos mecanismos de aplicação tampouco haviam sido regulamentados. Cujas mexidas, por óbvio, alterariam um pacto recém definido entre dezenas, centenas de agentes produtores da cidade, o que certamente desagrada a todos menos um.

E qual o dilema?

O dilema é que, se passar a Lei, com qualquer configuração, restará uma sensação de que não se cumpriu um pacto. E que, portanto, pactos envolvendo o executivo, o legislativo e a sociedade organizada nada valem.

E, como nada valem, podem ser mudados ao sabor dos governos e das legislaturas de plantão. Ou seja, a Lei de longo prazo nada vale.

Por outro lado, se encaminha projetos de privatização e concessão com prazos de 35 (parques), 40 anos ( ônibus). Isto sem falar dos eternos e irreversíveis, que são as vendas de terra.

Vele? Ou não vale?

O legislativo que se desmente em menos de dois anos garante a estabilidade da privatização como aparentemente não garante a estabilidade da legislação de produção da cidade? Ou pagaremos, de novo, varias vezes a mesma conta, como sempre?

Valter Caldana

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Qual o problema?

Outro dia me referi a uma preocupação com o fato da licitação de ônibus estar sendo questionada e discutida por motivos de menor importância.

Esclarecendo.
A composição e definição de linhas numa licitação com duração de quase meio século deveria ser a menor preocupação…

Neste caso, por exemplo, a real preocupação deveria ser a duração da concessão e quais os mecanismos de flexibilidade e real influência e definição que os interesses públicos terão na definição destas linhas ao longo do tempo.

A intermodalidade, o encurtamento de linhas e o aumento da necessidade de baldeações, por exemplo, deveria estar sendo questionado no sentido de saber por que os terminais serão objeto de licitação separada, e por que serão também privatizados… e onde se situarão? Por que baldeação deve ser feita em terminais gigantescos? Por que levar tanta ‘carga viva’ para tão poucos e específicos espaços que tenderão sempre ao colapso?

E as regras tarifárias? E os limites para o repasse e o subsídio? E o grau de risco do concessionário? Cadê a discussão?

Deixem a tabela de linhas em paz, vamos ao que interessa!

Enfim… pouco se ajuda a sociedade a ir direto ao ponto. É mais conveniente que ela discuta a camada de chantilly do que o sabor do bolo.

Valter Caldana

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Domingo no parque

…….

Passe uma tarde de domingo no minhocão.

Depois passe uma tarde de domingo na paulista.

Aí reflita sobre o que fazer com o minhocão.

Vale até mandar cobrir (como já foi sugerido).

Só não vale dizer que o que tem lá é bom
e que o parque está ‘pronto’.

Valter Caldana

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Interna Corporis

Vivemos hoje a composição de três graves problemas na formulação e administração (gestão) das políticas de desenvolvimento urbano em nossas cidades.

. O apagão urbanístico de 40 anos, que nos trouxe ao colapso e que nos exige, agora, uma velocidade inumana de transformação.

. A incapacidade do poder público, em espacial a máquina administrativa e seus agentes políticos superarem a visão vertical, especializada e fragmentada da elaboração de planos, programas e projetos. Aí se inclui sua incapacidade de perceber a diferença entre estes três.

. A completa e escancarada ‘corporativização’, disfarçada em especialização, da elaboração das políticas, planos e projetos, como se ainda hoje a cidade fosse feita por segmentos especializados.

Esta dificuldade em reconhecer e incorporar no seio da administração (gestão) o fato de que a cidade não é mais construída cotidianamente por agentes específicos (o setor imobiliário, o de transportes, o de saúde) mas sim por uma amálgama de agentes que possuem, em suas especificidades, interesses difusos e por vezes conflitantes faz com que praticamente todas as políticas públicas sejam ou frágeis e de curto e curtíssimo prazo de eficiência, ou sejam corporativas, tendenciosas e incompletas, não chegando nem perto de obter os resultados pretendidos.

Muitas vezes, inclusive, se materializando na forma de solenes e eficazes tiros no pé.Inter

Que nesta confusão não se acerte a cabeça, por Tutatis.

Valter Caldana

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