Querida, cheguei!

O problema de Dona Marcela querer mudar a decoração do palácio segundo seu gosto pessoal não é ela ignorar a importância simbólica de um palácio, nem tampouco esta decisão passar por cima de órgãos do patrimônio ou do bom senso. A gente não vale o que come mesmo, onde já se viu querer ter palácio, patrimônio, cultura…
O problema dela mudar a decoração é que isto sinaliza a expectativa de permanência do casal no imóvel!!!
Fico imaginando a cena, Temer chegando em casa saltitante de Lisboa e comunicando à patroa: querida, acertei tudo com o Gilmar durante o vôo… pode comprar aquele sofá maravilhoso que você me mostrou na revista!. Ah, e aproveita e troca também as cortinas e os tapetes!! Vamos ficar!!!!

Valter Caldana

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Proposta para o Prefeito

Acabe de uma vez com os conceitos de área construída e área computável na aprovação de edificações, porta aberta para as interpretações que são porta aberta para a corrupção.

E, ao invés de acabar com a SEL – Secretaria de Licenciamento – amplie-a, transferindo para ela todos os processos de aprovação, licenciamento ou autorizações que a prefeitura tenha envolvimento, assim como, claro, a fiscalização – que deverá ser orientadora, como está na Lei.

Com a centralização dos processos de aprovação e fiscalização haverá três ganhos:

  • a otimização imediata de processos, com redução de tempo e de pessoal alocado;
  • a possibilidade de análises conjuntas e simultâneas e a criação de processos informatizados coerentes e eficientes e;
  • por fim, com o ganho de pessoal técnico este poderá ser reaproveitado nas prefeituras regionais, para trabalhar junto à população e em projetos como assistência técnica na área de edificação, saúde, meio ambiente, saneamento, e ações importantes como o orçamento participativo, a realização orçamentária, elaboração e manutenção de bancos e bases de dados, além da operacionalização de propostas como o PIU Cidadão e a Cidade Linda…

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para alguns que são mais do ramo e podem estar estranhando o post…
sim, estou propondo uma “bau polizei“, um órgão auditor, orientador e fiscalizador centralizado, que tenha controle externo e esteja sob a fiscalização da sociedade.

Valter Caldana

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A sombra nasceu para todos.

A coisa é simples. Faça uma conta. Você permite construir uns dois ou três pavimentos a mais e dá só uma estragadinha controlada a insolação da praia – patrimônio público e fonte de riqueza coletiva. Quantos prédios ainda podem ser construídos, uns cem? Duzentos? Ok, vamos fechar em 200 (deve ser muito menos). Vamos falar em dois apartamentos por andar (para ficarem virados para a praia) estamos falando em 1000 famílias ou 4.000 almas.

Ou seja: compromete-se um bem público nacional, que afeta diretamente toda a economia da cidade da Bahia de São Salvador no médio e longo prazos para dar uma ajudinha de curto prazo a no máximo uns dez incorporadores e fazer a alegria de pouquíssimas pessoas… Isto vale para a Bahia, para Salvador, mas vale para a maior parte das cidades litorâneas brasileiras, que pouco ou nada aprenderam nos últimos cinquenta anos de urbanização predatória e extrativista.

Alternativa: cobre mais caro, bem mais caro, apartamentos que possam ser feitos de acordo com interesses coletivos. Sem medo de ser feliz, sem medo do capitalismo são e indolor.
Ah! E se não tiver mercado comprador, melhore a infra estrutura urbana do entorno e coloque-os à venda em Miami, New York, Montreal, Amsterdam ou Berlim…
Trabalhe! Pense, invista em pesquisa e desenvolvimento.
….
E a gentrificação??
A gentrificação é um processo inexorável porém não incontrolável. Incorpore sua mitigação no próprio projeto e no seus custos. É simples. É vida real.
O que não é simples é todos pagarem com sombra o lucro, a brisa e a vista de pouquíssimos!!

Valter Caldana

<leia notícia na Folha>
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Terra de ninguém

Existe um espécie de Bélgica na política brasileira. É um território que se situa na fronteira entre o PMDB, o PSDB e o PT e, com boa vontade, inclui segmentos pequenos de seus protetorados psd, pps, pv…

É um território pequeno, é verdade, mas que se organizado poderia prestar grandes serviços ao Brasil. É mais ou menos o que alguns, inclusive eu, esperávamos do PSDB antes que este se transformasse numa Suíça com ares de Mônaco sonhando ser Lichtenstein.

É o que tentou o PT pós carta aos brasileiros, mas que também deu com os burros n’água se tornando uma espécie de Marselha somado com Palermo…

Enfim, se alguém conseguir capitalizar, articular e colocar para operar este espaço político, vale lembrar que a Bélgica produz excelente chocolate, um fantástica cerveja, burocratas competentes e é um país que montou um Estado bastante competente, que funciona, inclusive, sem governo.

Valter Caldana

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Pedido ao Prefeito

Eu procurei muito um candidato a prefeito de São Paulo que prometesse, na campanha, arrumar mais um bilhão 1.000.000.000,00 de reais para investir em educação. Não achei.

Ganhou o atual prefeito, em primeiro turno, que vai gastar R$1.000.000.000,00 em subsídio para o transporte se propondo a cortar leite, uniforme e transporte de crianças para a escola.

Que fique claro que esta escolha não é dele. Dele era a proposta. A escolha deixa de ser dele depois que foi referendada nas urnas! É uma escolha da sociedade. Esta valendo e é legítima.

Porém, um dos exemplos que utilizo em aula para mostrar aos alunos que a cidade deixou há muito de ser cenário inanimado para ser agente dinâmico na vida do cidadão é o fato de que a própria cidade viabiliza ou impede a efetivação de uma política pública, por melhor que ela seja. É o caso da violência contra a mulher.

Costumo mostrar-lhes que ainda que o ministério público tenha um belíssimo serviço de atendimento à mulher vítima de violência e a polícia civil as delegacias da mulher, tão importantes, às vezes para uma mulher que, depois de apanhar e ser agredida de diversas formas ainda tem que sair de casa, andar 20 minutos para pegar um ônibus, para depois pegar outro que a levará a um metro ou ainda outro que a levará ao serviço que necessita, lhe custando duas horas para ir, duas horas para voltar, a perda do dia de trabalho e provavelmente outra surra quando voltar para casa, isto não é um problema da política pública…

Isto é um problema de urbanismo, de desenho urbano, de uso do solo…

Espero, mesmo!, que o atual prefeito não me permita usar o acesso de crianças e jovens à escola como exemplo…

Valter Caldana

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