Uma historieta que me marcou muito a infância.
pelos meus nove anos, morador na Cônego, eu era frequentador assíduo de uma papelaria na Teodoro, onde eu podia chegar sem atravessar a rua, portanto sem ter que ouvir e recitar todo o manual de instruções da vida urbana da dona Baccega antes de sair de casa…
Certa vez, ao comprar um segundo caderno de caligrafia em poucos dias, uma semana talvez, e não meus tradicionais desenhocopi, lápis de cor e canetinhas silvapen, o dono da papelaria, que me conhecia bem, brincou comigo, curioso… está de castigo pela letra feia?
Eu expliquei que não, que estava comprando os cadernos pois estava ensinando a empregada de casa a escrever.
O dono da papelaria, hoje sei, sensibilizado e possivelmente emocionado, não cobrou o caderno e ainda disse que todos os demais seriam grátis, bastaria levar o anterior preenchido.
Esta semana soubemos pelos jornais que temos apenas 6 a 7 porcento de analfabetos no Brasil.
Ah! A maldição dos números relativos… só 6% !! Tão pouco…
NÃO,!! São mais de 11.000.000 de concidadãos e concidadãs que não não sabem escrever!!!
Mais gente que a população de muitos países, incluindo Portugal, berço de nossa língua.
Que venha uma campanha imediata de analfabetismo zero, desta vez, no país que se diz liberal e na sociedade que se jacta por defender o Estado mínimo, patrocinada pela iniciativa privada. Como fez o dono da papelaria da Teodoro.
Analfabetismo zero já!!

Valter Caldana

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PORQUE NÃO

Existe uma discussão importante, porém bizantina, sobre quem deve financiar a pesquisa e a produção de conhecimento. Se o Estado, ou a iniciativa privada.
Bizantina por se tratar de uma discussão acessória, secundária, que orbita em torno de uma assertiva axiomática: os países, nações e povos verdadeiramente desenvolvidos, independentes e livres, líderes mundiais, como os EUA, os países centrais europeus, o Japão e e os recém chegados ao clube Coreia do Sul e China investem maciça, pesadamente em pesquisa científica.
Considerando que o mais ignorante dos ignorantes não desconhece este axioma, mesmo que dele duvide, e considerando também que está claro para todo mundo que os confortos de que nós paulistas desfrutamos vem da hegemonia econômica que exercemos no Brasil e na América Latina.
Considerando também que é de conhecimento de todos que esta hegemonia se construiu, se mantém e se expande graças ao sistema paulista de financiamento à pesquisa, produzida por universidades e institutos e gerido pela FAPESP.
E, finalmente, considerando-se que o Estado de São Paulo está quebrado a ponto de necessitar diminuir em 1/3 as verbas destinadas à manutenção desta sua hegemonia de cujos resultados todos nós desfrutamos, pergunto:
Se elegeu um governo para abrir mão da hegemonia conquistada ao longo do século XX promovendo o desmonte sistema, ou se elegeu um governo que deve atuar para mudar o seu modelo de financiamento?
Se foi para abrir mão da hegemonia, como está parecendo, que se assuma e se comunique claramente.
Agora, se foi para mudar o modelo porém manter as benesses da hegemonia, então a operação tem que ser completa.
É necessário aprender a fazer pesquisa grande em Estado mínimo, como se acredita por aqui ser o modelo dos EUA…
Portanto, diante deste quadro, e interessado em manter a hegemonia gerada pelo volume de pesquisas produzido aqui, fica a questão/sugestão: é a FIESP quem vai inteirar o dinheiro que o governo do estado vai desviar da FAPESP?
Por que não?
Valter Caldana

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HUMANA

Este tipo de ação na cidade é extremamente importante e eficaz.
Havendo controle social e articulação com projetos estratégicos elaborados pelo poder público, este é o caminho das verdadeiras parcerias não apenas público privado, mas cidadãos Estado.
Fico feliz que comece a se materializar esta possibilidade, até agora mal compreendida tanto pela iniciativa privada quanto pelo poder público.
Desde 2010 fazemos esta proposta.
Estive presente no seminário que organizamos com a Câmara dos Vereadores sobre espaços públicos urbanos na nonaBia em 2011 e reforçada na proposta de 2013 na preparação do Plano Diretor de 2014. Na época chamava o projeto de PIU Cidadão (ainda havia a esperança de que os natimortos PIUs vingassem…).
Seria um instrumento que permitiria reproduzir na escala local, em parcerias cidadãs (moradores, síndicos de prédios, lojistas, usuários, instituições) poderiam apresentar e executar este tipo de intervenção. No caso, para instituições e organizações sociais, inclusive com apoio técnico da academia.
Procuramos desenvolver alguns pilotos, fora de época, como na Praça Silvio Romero, na Maria Antônia, na Maria Borba, na Teodoro Sampaio, no Pátio do Colégio e na Ladeira…
A partir daí aprofundamos a teoria da estrutura matricial proposta a partir de 2013, também na CMPU, de elaboração de Planos de Bairro e Projetos Locais a partir do PDE, escapando da armadilha de Planos Setoriais (que temos aos montes) e da grande escala dos Planos Regionais.
Depois veio uma tentativa da ACSP com o IAB-SP, na pandemia, patrocinado pela 99 taxi chamada Ruas Vivas. Uma beleza! Quatro bons projetos para ruas de movimento na cidade. Mas, não saíram do papel. Estavam ainda “adiantados”.
Hoje já há outros acontecendo… rua da motos é um deles e virão outros.
O que importa é que agora até o prefeito parece estar entendendo a importância deste tipo de projeto. O que certamente vai arrastar, trazer, os demais candidato e candidata.
Tudo a seu tempo.
Ainda veremos a hora em que vamos parar de confundir plano e projeto, parar de achar que projeto urbano é um projeto de arquitetura grandão e vamos fazer planos de bairro, projetos locais e PIUs cidadãos.
As águas e as pedras rolam!
Então vamos ter dia de Rock, bebê. E de samba, pagode, axé, funk, rap.
Tudo no chão da cidade, na escala humana!

Valter Caldana

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TRISTEZA

Sobre a Raposo Tavares
Montamos a reivindicação da municipalização, a urbanização das laterais e a instalação da faixa segregada/corredor de transporte antes mesmo do PDE em 2013/14…
enfim, já lá se vão 4 prefeitos e 3 governadores, fora o vice e o que se consegue? Um projeto que já não seria muito bom quando ele porventura fosse atual.
Hoje, além de anacrônico e ultrapassado, ineficaz e prejudicial, como intenção, é uma tristeza.

Valter Caldana

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REAIS

A vida é assim: você passa mais de dez anos propondo e explicando que a Raposo Tavares deve ser municipalizada e urbanizada no seu trecho paulistano, ou no mínimo entre o rodoanel e o rio, e o que vem?
O projeto de um complexo viário com muitas desapropriações, viadutos e túneis na chegada da autoestrada junto à marginal.
Ou seja: não se avança um milímetro em qualidade de vida urbana, ao custo de bilhões de reais.

Valter Caldana

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