Política industrial e as reformas necessárias

O governo federal anunciou as novas medidas para ajudar a indústria nacional. Alguns setores da economia receberão uma série de estímulos fiscais para não sucumbirem a valorização recente do câmbio.

Os custos, para variar, vão ser arcados pelo contribuinte/consumidor e os verdadeiros problemas que reduzem a competitividade da indústria brasileira estão muito longe de serem atacados. Outra discussão, se alguns destes setores terão condições de competir internacionalmente, nem passa pela cabeça do nosso brilhante Ministro da Fazenda. Acreditar que setores intensivos em mão de obra como calçados e têxtil irão sobreviver a competição chinesa cheira a burrice ou desonestidade intelectual (ou os dois…).

A estrutura tributária brasileira é a principal reforma a ser feita. Os impostos no Brasil são o que pode se definir de disfuncionais: altos, complicados, oneram a geração de emprego e investimentos, e são muito mal distribuídos. Para piorar a sua utilização pelo governo é tudo menos eficiente – o Brasil é líder em carga tributária entre os países de renda média e oferece uma infra estrutura/serviços que poderiam ser na melhor das hipóteses ser equivalente à este grupo… Alguma discussão sobre reforma tributária, administrativa ou coisa do gênero?

A infraestrutura piora ainda mais esta situação. Os aeroportos que não funcionam, portos com custos altíssimos , estradas esburacadas aumentam o famigerado “custo Brasil” – que tornam o produto brasileiro tão mais caro e a logística no país um desafio monumental. As soluções estão na frente de todos: PPPs, privatizações, melhor gestão pública. Alguém do governo pode explicar porque os aeroportos brasileiros são tão ruins, por exemplo?

O problema é que só no momento de crise que estas reformas conseguem ser feitas. O que tornará o ajuste mais doloroso para a sociedade como estamos vendo na Europa…

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Os EUA vão parar?

O fim do mundo voltou a ter data marcada – dia 2 de agosto – prazo que o governo americano precisa para estar autorizado pelo seu Congresso para aumentar o seu limite de endividamento e conseguir realizar os pagamentos de suas obrigações.

No entanto, a  discussão é muito mais política do que econômica. De um lado os Republicanos, que controlam o Congresso, querem vincular este aumento a uma proposta de redução de déficit via redução de gastos do governo e não através de aumento de impostos (quando a sociedade brasileira irá se tornar mais sensível a este tema? CPMF é uma opção que o governo tenta reativar de tempo em tempo por exemplo). De outro, os Democratas de Barack Obama, querem uma margem de manobra maior tanto no redução do déficit como no mix redução de déficit através de impostos vs. cortes de gastos. Tudo isto com o pano de fundo das eleições presidenciais do ano que vem. Ou seja, os Republicanos venderão bem caro esta aprovação.

Ninguém acredita que a tal hecatombe ocorra, dado que o tiro pode sair pela culatra para quem se mostrar muito intrasigente e ficar com o ônus do eventual desastre, que também tenderia a ser temporário. Felizmente, para os EUA, a questão é muito diferente da Grécia e seus pares do club Med. Ainda não existe uma desconfiança na capacidade do governo americano poder honrar suas obrigações no longo prazo, a capacidade da economia americana se adaptar a um novo cenário econômico talvez seja a maior entre as grandes economias globais.

Caso o tal acordo não ocorra, as consequências seriam inimagináveis. Um default americano seria o primeiro da história (sim, o governo dos EUA nunca deixou de honrar suas dívidas) e levaria os mercados a um verdadeiro caos dado que os títulos do governo americano são a base do que o mercado convenciona como “ativo livre de risco”  e cuja remuneração funciona como base para todo tipo de transação financeira. Talvez o “ativo” não esteja mais tão “livre de risco” assim.

Independentemente do desfecho, está começando a ficar claro que o período de bonanza na emissão de dívida governamental deve estar chegando ao fim. A liquidez causada pela expansão monetária dos radicais Quantitative Easings do FED deve terminar e veremos os resultados nada promissores de um período longo de desalavangem (redução de endividamento do governo e indíviduos) afetar níveis de emprego, consumo e gastos governamentais durante o resto da década…

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Google + vs. Facebook

Em tempo recorde  a rede social do Google, o Google + atingiu 10 milhões de usuários. Falta muito para os 750 milhões do Facebook e os 300 milhões do Twitter, mas a velocidade dos “primeiros 10 milhões” surpreendeu os mais otimistas.

O Google tem uma grande vantagem, ele lança uma rede social contando com um arsenal digital de primeira magnitude: o site de busca Google, o YouTube, o navegador Google Chrome, a plataforma de e-mails/serviços Gmail e etc e etc etc. A empresa tem também caixa ($$$) para investir em aplicativos, jogos e outros itens que podem potencializar (rechear) essa nova rede social. A rede Google+ também traz uma funcionalidade nova, o Circles, com ela o usuário pode escolher com quem compartilhar determinada mensagem, no Facebook quando você publica no seu mural não se pode escolher um círculo específico dos amigos.

No entanto, mesmo com todo esse arsenal, o Google + tem uma desvantagem, o Facebook já tem um alcance considerável (é o terceiro “país” do mundo) e  existe um custo de transição entre uma rede e outra, e existe um custo de estar em muitas redes ao mesmo tempo. Assim sendo, o Google + precisará de muitas dezenas de milhões para realmente ameaçar o Facebook.

Não faço prognóstico para o vencedor, mas será uma das “batalhas” de negócios mais interessantes dos próximos anos. Para o Google, a batalha mexe com seu prestígio, para o Facebook mexe diretamente com sua sobrevivência!

Google+ Tops 10 Million Users, Confirms CEO Larry Page (Revista Wired)

Google+ quer ser você você online (Link – Estadão)

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Novas forças intangíveis X o velho estilo do BNDES

Alguém se lembra para qual finalidade o BNDES foi criado? Após anos de utilização ou má utilização perante a sua finalidade inicial, muitos se perguntam: para que mesmo o BNDES foi criado?

BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

Desde a sua fundação, em 1952, o BNDES se destaca no apoio à agricultura, indústria, infraestrutura e comércio e serviços, oferecendo condições especiais para micro, pequenas e médias empresas. O Banco também vem implementando linhas de investimentos sociais, direcionados para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano.

Este trecho acima foi extraído do site do BNDES (http://www.bndes.gov.br), pois após assistir décadas de noticiários em direções opostas seria impossível alguma pessoa redigir algum texto similar.

A concentração de recursos financeiros concedidos a juros subsidiados ou participações acionárias financiados pelo dinheiro do contribuinte a grandes grupos empresariais nacionais e assustadora e parece ter se transformado em prática comum  Grandes empresários com excelente “fluxo” no governo conseguem estruturar  acordos extremamente “costurados” e que aparecem prontos com opiniões favoráveis de todas as entidades da noite para o dia.  Ao mesmo tempo que isto ocorre um pequeno empresário espera anos para ter algum tipo de resposta depois de apresentar uma infinidade de informações sobre o seu negócio para convencer a BNDES a conceder um empréstimo de R$ 40.000. Eu mencionei R$ 40.000 não 4 bilhões de reais.

Eis que surge uma variável nova no jogo e que foge ao controle dos grandes grupos nacionais e do governo, o valor intangível do país possuir um grande número de multinacionais instaladas no pais com ações em bolsa (Nova York, Frankfurt, etc..)  e um nível de comprometimento maior em relação a temas relacionados com governança corporativa. Isto traz indiretamente uma espécie de governança corporativa para “dentro” do governo, pois quando o mesmo comete um equívoco muito grande estas empresas funcionam como uma espécie de agência reguladora fazendo com que o Governo recue de certas decisões absurdas.

Este valor intangível não tem a mesma força em alguns países da América Latina e a própria China onde os governos fazem o que bem entende sem eventuais recuos. Esta ajuda inicial deste valor intangível deve ser reforçada com uma imprensa livre e uma participação popular cada vez maior através das variadas formas de comunicação e interação digitai. Esperamos que na próxima década a população perceba cada vez mais a sua força intangível através da sua manifestação e que consigamos criar um país ainda melhor.

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Will China fail?

A minha primeira contribuição para o Debatendo é sobre um livro que li há pouco tempo sobre a China do pesquisador sino-australiano John Lee chamado “Will China fail?” (A China Falhará?). Leitura recomendada para aqueles que querem entender o que está acontecendo no Império do Meio… Ao contrário da maior parte dos analistas que fala da inevitabilidade da ascensão chinesa como potência econômica e política, ele aponta para as contradições políticas e econômicas crescentes que a China vive e questiona esta afirmação com veemência.

No ponto de vista econômico, o autor demonstra como as altas taxas de crescimento econômico são produzidas e tendem a ser insustentáveis no longo prazo. O país possui uma alta taxa de investimento – 40-50% do PIB (a do Brasil está abaixo de 20%) - que provocam aumento da capacidade produtiva e consequentemente do crescimento da economia.

O problema  é que estes investimentos não apresentam retorno e são feitos de acordo com critérios muito mais políticos do que econômicos. Assim sendo, muitos destes projetos tendem a não conseguirem pagar seus empréstimos e fazem que o sistema bancário chinês tenham um índice elevado de empréstimos em atrasado (concentrados nas empresas estatais chinesas) e que só não entra em colapso devido ao elevado nível de poupança dos chineses e o controle rígido dos fluxos de capitais.

Politicamente, ele lembra que a população chinesa tem se mostrado cada ve mais incomodada com as disparidades existentes entre campo e cidade, ricos e pobres, entre a elite dirigente (leia-se nomenclatura do PC chinês) e o resto da população.

Por que isto nos afeta? O Brasil foi um dos países que mais se beneficiou da ascensão chinesa sendo o maior destino de exportações brasileiras e causador, junto com a política monetária expansionista americana, do cenário de tranquilidade nas contas externas que passamos desde o início da década passada…

Nenhum país teve um processo de crescimento sem soluços e interrupções e a China não será diferente. O difícil é saber quando. O forte controle do governo e a ausência de estatísticas confiáveis dificultam ainda mais esta previsão…

Por outro lado, o maior movimento de urbanização ocorrido na história da humanidade deve gerar prosperidade econômica e consequências econômicas que não podem ser subestimadas. São centenas de milhões de pessoas saindo do campo que demandarão toda forma de produtos e bens que não eram consumidos e ofertando mão de obra barata para os próximas décadas…

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