Mantegonomics

A criação de factóides econômicos parece ser ilimitada nos ilustras tecnocratas de Brasília: agora fomos brindados pelo aumento de IPI para os automóveis importados.

Não é possível encontrar uma medida mais desastrada do que esta. Desrepeita as regras da OMC, aumenta a proteção da industria local – que rodava em níveis de produção recorde, e ,pior, dificulta muito a entrada de novas montadoras no país – que normalmente apresentam um processo gradual de nacionalização de seus produtos.  As contrapartidas exigidas são mínimas (só como exemplo: uma eventual exigência de aumento de eficiência energética foi retirada por pressão das montadoras) e as montadoras desfrutam de um belo presente do governo federal.

Medidas que aumentem a eficiência do país mais uma vez estão longe do receituário de Brasília: afinal dá muito trabalho, né!

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ÁFRICAS

ÁFRICAS

Somália, Quênia, Etiópia, Djibuti, Sudão e Uganda. Países africanos que compõem a região conhecida como “chifre da África”. Lá não tem petróleo, não se trata de posição estratégica, não tem classe média para consumir. Lá, muitos destes países não são “Democracias”. Lá, há 12 milhões de famintos. Lá, já morreram milhares, talvez milhões.
Líbia. País africano pertencente à região denominada “Magreb”. Lá tem muito petróleo, trata-se de uma posição estratégica. À semelhança dos países do “chifre da África”, também trata-se de uma ditadura. Lá não há 12 milhões de famintos. Lá morreram centenas, talvez milhares.
Com base nestes dados, se você tivesse poder financeiro e bélico, sendo você preocupado com o bem-estar mínimo dos moradores locais, onde você interviria?
Pois é, é cada vez mais insuportável a hipocrisia dos países e diplomacias internacionais. Está claro que o real interesse na Líbia é exclusivamente financeiro, sobretudo pela grande quantidade de petróleo presente em território líbio. Kadaffi depôs, através de um golpe militar em 1969, o rei Idriss al-Senoussi, primeiro governante líbio após a independência, em 1951. Pertencentes a tribos distintas e historicamente “pouco amigas”, Idriss e Kadaffi têm a mesma motivação: ter o poder sobre sua tribo e todas as demais que hoje formam a Líbia. Os “rebeldes” são um amontoado de tribos que se uniram para, com ajuda do ocidente (OTAN) derrotar um inimigo-comum.
E agora, que unidade teremos? Quem exercerá controle sobre o petróleo? Existe a possibilidade de aumento do barril? Os “rebeldes” são tão violentos, opressores e ditadores como o (ex)-líder Kadaffi. Já há relatos de prisões, torturas, assassinatos. Vale salientar que os “rebeldes” não querem nenhuma presença internacional na Líbia. Por que será?
Quanto já se gastou nesta guerra em nome da “derrubada da ditadura na Líbia?”. Quanto já se gastou em ajuda humanitária no “chifre da África”, região com 12 milhões de famintos??…

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Crise e empobrecimento de países desenvolvidos

Desde 2008, a crise afetou os países desenvolvidos “em cheio”. A revista The Economist apresenta o grau de empobrecimento de economias fortes, como EUA, França e Inglaterra, constatando que o PIB per capita caiu e ainda não dá sinais de retorno, a belle époque ficou para trás…

Enquanto a China e a Índia auferiram um crescimento de PIB per capita de 35% e 22% (desde o final de 2007) os EUA e Europa tiveram quedas bruscas e mais bruscas ainda se comparadas a uma projeção da taxa de crescimento entre 1997 e 2007, ou seja, 2008, 2009, 2010 e 2011, formam um período de inflexão, uma mudança brusca que empobreceu a população de economias fortes e consolidadas.

No gráfico abaixo, por exemplo, a Grã Bretanha aparece mais “pobre” per capita em 13%, considerando o nível de riqueza compatível com a tendência pré-crise (1997 – 2007), a conclusão é que o impacto foi profundo e que esses países vão demorar muitos anos para recuperar o quadro anterior a 2008. Mais grave ainda é constatar que 13% é o empobrecimento médio e que parte da população teve uma queda de renda ainda maior.

Which of the big rich economies has fared best and worst during the crisis?

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Futebol além das 4 linhas

Governança é a competência em praticar as decisões tomadas. Envolve a disposição institucional pela qual a autoridade é exercida.

Governabilidade é o conjunto de condições necessárias ao exercício do poder. Compreende as relações entre os poderes, o equilíbrio entre as forças políticas de oposição e situação. Diz respeito à capacidade política de decidir.

Pois bem, o que isso tem a ver com a seleção brasileira? Simples: parece faltar à nossa seleção condições de governança e governabilidade. Alguém já se perguntou por que o Muricy negou, de última hora, o que já havia aceito? Será que ele acataria intromissão sistemática da Rede Globo na concentração e acesso aos jogadores? Será que ele aceitaria influência direta do Presidente da CBF Ricardo Teixeira? Do que o conhecemos e pelo seu histórico, muito provavelmente não.

E o Mano Menezes? Será que ele está focado onde deveria (dentro das 4 linhas)? Não é necessária uma análise muito profunda para concluirmos que não. Ele teve que convocar a “seleção do povo”, com os atuais meninos da vila. Tem que se habituar a declarações infelizes do grande chefão, Ricardo Teixeira. Aceita, certamente a contragosto, repórteres da TV Globo na concentração. Sobra pouco para o que realmente interessa, a seleção brasileira dentro de campo. Exemplo didático de falta de Governança e Governabilidade. Imagine este cenário na sua empresa, ou no Departamento em que você trabalha. Qual seria seu desempenho?…

O Dunga, tão criticado, impôs como condição de trabalho uma independência muito maior do que atualmente tem o Mano. O que é melhor? Basta comparar os resultados do primeiro ano da seleção sob o comando do Dunga e o primeiro ano do Mano. Tire suas conclusões…

Abraço a todos!

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Real – a moeda mais sobrevalorizada do mundo?

Há muitos anos a revista The Economist faz uso do Big Mac Index para avaliar se uma moeda está desvalorizada ou sobrevalorizada. Tomando o preço do Big Mac como referência se calcula se uma moeda está acima ou abaixo do seu valor “real”.

Por exemplo, no Brasil o Big Mac custa R$ 9,5, ou US$ 6,16, mas nos EUA o custo de um Big Mac é de US$ 4,07, a diferença em US$ “a mais” (6,16 / 4,07) seria a sobrevalorização do real. A taxa atual Real x Dólar (R$ 1,54) deveria ser corrigida por * 6,16 / 4,07.

A revista, no entanto, reconheceu que só comprar o preço do Big Mac é insuficiente e impreciso, e então adicionou o PIB per capita como fator de moderação, considerando que preços em países de PIB per capita baixo também são mais baixos (sobretudo salários) e por isso devem ser considerados. Esse reconhecimento que os preços que formam o valor final do Big Mac no Brasil são mais baixos (por exemplo a mão de obra do Big Mac e de sua cadeia) elevou a nossa sobrevalorização, o Brasileiro paga “muito” por um Big Mac. Estaríamos com 150% de sobrevalorização.

Resumindo, está bom para viajar no exterior, comprar no exterior, mas para exportar não está nada fácil…

Currency comparisons, to go (The Economist)

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