Locação social, o caminho da solução.

O Estadão traz hoje matéria sobre locação social, favorável no corpo do texto mas com uma manchete estranha, falando em casa emprestada. Leia aqui.

Seja como for, o importante é destacar que a Locação Social é o caminho mais eficiente para tratar o gave problema da Habitação nas grandes cidades, onde o preço da terra é um impeditivo para a implantação adequada das políticas públicas tradicionais.

Sair da armadilha da transferência de propriedade, da operação convencional de compra e venda é fundamental para que se consiga elevar a qualidade dos projetos, das obras, da localização, enfim, da qualidade de vida dos cidadãos que irão usufruir diretamente desta política pública.

Ao invés de subsidiar a fundo perdido habitações que dificilmente cumprirão sua função social no médio e no longo prazo, a locação social permite ao poder público manejar a política habitacional com maior eficiência e menor custo total.

Sem contar que, associada à cota de solidariedade aprovada no Plano Diretor, abre as portas para que se viabilize um novo tipo de participação da iniciativa privada neste mercado, como já ocorre há décadas em Paris, Londres e Nova York, por exemplo.

Valter Caldana.

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Todos é muita gente

Se todos os brasileiros (oops, todos é muita gente…).

Se os brasileiros que estão gastando seu tempo precioso, aqui e alhures, em discussões sobre a situação econômica, política e ética do país colocassem com clareza suas posições seria tudo mais rápido, fácil, indolor e produtivo.

Por exemplo: que se assuma que temos uma enorme maioria entre os chamados “formadores de opinião” que apóia um novo governo formado pelos que perderam a eleição passada. E que recebe de bom grado a manobra do pmdb para se manter mais um bocadinho no poder, inclusive pagando caro para poder acompanhá-lo na ida ao palácio do planalto.

Pagando com um profundo arranhão no jogo democrático, com a colocação do Brasil na lista de Paraguai, Egito, Síria e outros países neste estágio de desenvolvimento ético e político, com a presidência da república e ainda, de brinde, uma pizza para o cunha, para escândalo do hsbc, da zelotes, dos governos estaduais e (não ligue agora, temos ainda mais um brinde!) o arrefecimento das investigações da lava a jato.

Tudo de acordo com o velho e eficientíssimo estilo “mudemos tudo para não mudar nada”.

Se fizer isso, colocando sua própria camiseta ao invés de se vestir no manto da moralidade e da ética, esta parcela estará fazendo dois grandes movimentos, importantes para o futuro do país: estará se revelando enquanto força política majoritária, legítima e hegemônica e estará deixando a moralidade e a ética livres para serem buscadas por quem nelas acredita, independente do partido, da cor da camiseta ou do fundamento ideológico.

Vale lembrar que esta maioria existe e governa o Brasil, o chamado Brasil profundo, desde o final do ciclo de presidentes militares. A novidade é a Avenida Paulista aderir a ela.

Valter Caldana

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O foco é o Brasil.

Não interessa, ou não deveria interessar, para o debate deste momento por que passa o Brasil o que o PT ou o governo do PT/PMDB fizeram ou deixaram de fazer.

Há dois anos, desde o início da campanha eleitoral de 2014 que coloco a mesma pergunta. Qual a proposta alternativa? Cadê a formulação? Cadê o programa? Não o do PT, o outro…

Acordemos, nossos problemas começaram no dia em que o PT se serviu do discurso de Mario Covas para escrever a carta aos brasileiros e a partir de então passou a ditar a pauta do país, em especial a pauta do PSDB que passou a ser meramente reagente, que ficou apoplético e deixou de formular, de propor, se limitando a um ridículo mimimi improdutivo e desfocado, talvez já contaminado por excesso de anos de convício com o PFL/DEM e o próprio PMDB.

O partido, catatônica, se limitou a empoderar uma segunda geração, a nossa, que infelizmente está a anos luz do espírito público, da competência política e da honestidade de propósitos da primeira geração (montoro, covas, fhc, richa, tasso, gregori, sergião ,,,).

Uma segunda geração encabeçada por alkimin, aécio e richa (filho), que triste… A própria passagem do partido pelo governo, também aliado ao PMDB (aliás, o governo era deles e o PSDB “herdou” a presidência) deixou marcas profundas de mudança de comportamento em grandes lideranças como o próprio fhc, serra e aloysio. Isto culminou com um partido a reboque do DEM e, mais recentemente, pautado pelo PT e conduzido pelo cunha!!

Temos que aprender a discutir política, justiça (social e formal), desenvolvimento, soberania, cultura, economia, habitação, saúde, segurança sem ser uma reação à agenda do PT. Chega de falar do pt para propor seja lá o que for. Cadê o programa? O exemplo a ser dado ao Brasil é o atual governo de São Paulo?

Montoro salvou o Brasil da debacle completa na primeira metade da década de 80 com um governo ágil, inteligente, aberto a todos os matizes e desenvolvimentista. Fortalecimento da máquina pública, ação franca e honesta em todos os campos, política de primeiro nível, ética, investimentos inteligentes e com grande espírito público, equilíbrio orçamentário, no que foi seguido por Covas que pegou SP quebrado pela dupla de governadores do pmdb, em especial fleury, de onde saiu temer… São Paulo crescia para ajudar a amortecer o despencar brasileiro…

E hoje? Quanto da crise econômica brasileira se deve à paralisação econômica de SP? Que exemplo nosso estado está dando ao Brasil? Que alternativas, como paulistas, estamos mostrando?

Vamos discutir Política, chega de discutir o PT.
Do PT, neste momento, só que quero possam terminar em paz seu governo, com oposição fazendo oposição ao governo no Congresso, propondo. E que continuem colaborando com as investigações de corrupção como têm feito, dando pano para manga.

Quero votar em uma boa proposta para o Brasil em 2018 em 2018, não em 2016. Em 2016 quero discutir a cidade, quero discutir Sampa, pois alguma coisa acontece nos nossos corações!

Valter Caldana

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Criança brinca com fogo, adulto não.

Uma das coisas que acho mais tragicômicas dos processos de racionalização do absurdo que temos vivido recentemente no Brasil é a parte que fala da convocação de eleições 90 dias após… (ou eleição indireta se a queda for no ano que vem)… para que então o calendário eleitoral, com a lista de possíveis candidatos já sanitizada, seja cumprido e tenhamos eleições ordinárias em 2018…

Enfim… lembrando que a política, como dizia Tancredo, é como as nuvens no céu, a cada instante que se as observa, se apresentam de outra forma e no dia em que se REinaugurou no Brasil, pela voz do presidente da OAB, a “doutrina das circunstâncias que exigem”, acho que vale a pena a leitura abaixo, da qual destaco um item, o § 2º do Art. 1º

…………………………

“Art. 1º – São mantidas a Constituição de 1946 e as Constituições estaduais e respectivas Emendas, com as modificações constantes deste Ato.

Art. 2º – A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República, cujos mandatos terminarão em trinta e um (31) de janeiro de 1966, será realizada pela maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, dentro de dois (2) dias, a contar deste Ato, em sessão pública e votação nominal.

§ 1º – Se não for obtido o quorum na primeira votação, outra realizar-se-á no mesmo dia, sendo considerado eleito quem obtiver maioria simples de votos; no caso de empate, prosseguir-se-á na votação até que um dos candidatos obtenha essa maioria.

§ 2º – Para a eleição regulada neste artigo, não haverá inelegibilidades.”

Por fim, só para lembrar, ditadura não é um governo militar ou um militar o governo. Ditadura é o rolo compressor da maioria se legitimando artificialmente para coibir os direitos básicos das minorias.

Vale a leitura do preâmbulo do ato, que transcrevo, com grifos:

O presente Ato institucional só poderia ser editado pela revolução vitoriosa, representada pelos Comandos em Chefe das três Armas que respondem, no momento, pela realização dos objetivos revolucionários, cuja frustração estão decididas a impedir. Os processos constitucionais não funcionaram para destituir o governo, que deliberadamente se dispunha a bolchevizar o País. Destituído pela revolução, só a esta cabe ditar as normas e os processos de constituição do novo governo e atribuir-lhe os poderes ou os instrumentos jurídicos que lhe assegurem o exercício do Poder no exclusivo interesse do Pais. Para demonstrar que não pretendemos radicalizar o processo revolucionário, decidimos manter a Constituição de 1946, limitando-nos a modificá-la, apenas, na parte relativa aos poderes do Presidente da República, a fim de que este possa cumprir a missão de restaurar no Brasil a ordem econômica e financeira e tomar as urgentes medidas destinadas a drenar o bolsão comunista, cuja purulência já se havia infiltrado não só na cúpula do governo como nas suas dependências administrativas. Para reduzir ainda mais os plenos poderes de que se acha investida a revolução vitoriosa, resolvemos, igualmente, manter o Congresso Nacional, com as reservas relativas aos seus poderes, constantes do presente Ato Institucional.

Governo ruim se tira no voto.
Partido ruim se escorraça no voto.
Empresário e político corruptos se coloca na prisão via judicial.

Leia abaixo o AI-1 inteiro. Sugiro especial atenção ao preâmbulo, todo ele baseado na “doutrina das circunstâncias que exigem”.

Ato 1 – 09/04/1964

Valter Caldana

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Enquanto seu lobo não vem…

Está cada dia mais difícil ouvir este papo de “por um Brasil melhor” com Temer presidente, Serra e Roseana no ministério, Renan e Cunha poupados, nenhuma das denúncias correlatas descobertas na lava a jato investigadas, isso tudo a partir de um processo de impeachment comandado por um deputado réu e analisado por uma comissão de parlamentares na qual 65% deles também responde a processos por improbidade.

Ou concordam com isso, inclusive com o pastelão e a pitiçona que se seguirá ao impeachment, e, adianto, esta é uma posição legítima e respeitável, desde que transparente, ou então, sei lá!

De minha parte continuo achando que perdemos a chance de separar as investigações da petrobras (e de tudo o que se descobriu nas investigações) da questão político-partidária-eleitoral, assim como do desempenho do governo e, então, fortalecer incrivelmente nossa Democracia e consolidar nossa posição no cenário mundial. Fizemos o contrário.

Na minha tosca opinião eram, e são, coisas separadas. Resultado da eleição, desempenho do governo e apuração de corrupção têm tempos diferentes, agentes diferentes, objetivos diferentes.

É incrível a quantidade de conversas com amigos que se iniciam com o tradicional “mas que coisa hein… a corrupção chegou a níveis insuportáveis!” e que continuam com um “pois é, o PT destruiu o Estado ao colocar a corrupção como instrumento de gestão política e econômica” para terminar com um sonoro “mas também, para acabar com a incompetência deste governo, não há como não ser a favor do impeachment”.

Ao misturar tudo e tentar resolver tudo ao mesmo tempo (com um só golpe? risos) o que se conseguiu foi cair numa enorme armadilha, alimentar o mais baixo jogo do poder e colocar os lobos para cuidar do galinheiro.

Ao se avançar no impedimento da Presidente o que se vai conseguir é arrumar um bode expiatório e tirar a única peça do tabuleiro que impede o acordão a que estamos sempre submetidos e que faz com que as figuras que povoam o noticiário político e policial sejam exatamente as mesmas há 30 anos, à exceção de Dilma e de Cunha, ela uma funcionária militante obscura que ascendeu na falta de lideranças críveis em suas hostes e ele um outsider arrivista que manipula como poucos as informações que detém.

Valter Caldana

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